Ciência

Eclipse solar total de 12 de agosto impulsiona demanda por casas com observatórios

Observatório
Observatório - Rain Ungert/ Istockphoto.com

A luz do dia vai desaparecer no dia 12 de agosto, quando um eclipse solar total vai escurecer a Groenlândia, a Islândia e grande parte do norte da Espanha. Logo depois, o auge da chuva de meteoros Perseidas, comum no verão, deve lançar dezenas de estrelas cadentes na escuridão da madrugada.

Os dois eventos vão formar o ponto alto indiscutível do ano astronômico, segundo a Go Stargazing, organização sem fins lucrativos do Reino Unido dedicada a estimular o interesse pela astronomia.

Já há um entusiasmo crescente, diz Robert Massey, vice-diretor executivo da Royal Astronomical Society. Ele nota o aumento no público dos eventos promovidos pelo grupo e na popularidade do podcast Supermassive, que superou a marca de 1 milhão de ouvintes por ano.

A casa em Sussex fica em uma Área de Céu Escuro, certificação dada a locais com poluição luminosa mínima. Designers de interiores observam um efeito cascata interessante nesse movimento.

O escritório londrino Taylor Howes criou seu papel de parede Celestial Skies em parceria com a de Gournay em 2018 e, mais recentemente, registra pedidos maiores para espaços conectados ao céu noturno.

“Agora, nos pedem para criar ambientes para contemplar as estrelas”, afirma Karen Howes, fundadora e diretora executiva. Com missões como a Artemis II despertando o público, a exploração espacial parece mais acessível e atual. Para muitos clientes, em especial empreendedores atraídos por inovação, essa curiosidade influencia as experiências que eles querem ter em casa.

Em Sussex, perto das colinas de Blackdown, a Taylor Howes projetou uma cabana de observação de estrelas sob medida, uma construção circular revestida de madeira que se integra ao entorno e fica a curta distância da residência principal.

O espaço equilibra o rigor técnico de um observatório com o conforto de um refúgio. Sob o teto de vidro, um telescópio fica montado em um pilar; o papel de parede da coleção Céus Celestiais, poltronas reclináveis e tecidos como veludo e mohair formam um canto acolhedor.

A redução da poluição luminosa é essencial, por isso toda a iluminação é regulável e embutida, e superfícies refletoras foram evitadas.

Para um cliente nos Alpes Franceses, o escritório montou um “nicho” para telescópio na casa principal, onde uma estrutura de madeira se abre para revelar mapas e cartas de constelações.

Em outra área de Sussex, também em Área de Céu Escuro, a Ström Architects desenhou uma residência para um astrônomo amador com observatório preparado para registrar imagens do sistema solar e do céu profundo.

“A engenharia foi crucial”, explica Magnus Ström, fundador e diretor criativo. A astrofotografia em alto nível exige exposições de várias horas, nas quais o telescópio acompanha o movimento do céu com precisão.

Qualquer vibração, por menor que seja, compromete a imagem. Por isso, a equipe trabalhou com engenheiros estruturais para criar fundações de concreto à prova de vibração, com postes maciços para fixar o telescópio.

O observatório ocupa o topo do edifício, sob uma cúpula giratória que fecha automaticamente em caso de chuva. Logo abaixo fica a sala de controle, de onde é possível acompanhar as observações em um ambiente confortável e integrado.

Eclipse solar total
Eclipse solar total – Foto: Pitris/istock

As Ilhas Baleares, na Espanha, devem ser um dos melhores pontos para acompanhar o eclipse de agosto, especialmente em Formentera, que recebeu certificação de Destino Turístico Starlight em 2023 por causa da baixa poluição luminosa, e na costa oeste de Maiorca.

Alejandro Conde, diretor da Dils Lucas Fox Mallorca, relata que os preços de hotéis e aluguéis para a segunda semana de agosto superaram as médias habituais. Há grande expectativa, ainda mais porque o eclipse cai na semana anterior a um feriado bancário importante na Espanha. Alguns estabelecimentos chegam a cobrar mais de € 20.000 pela noite de 12 de agosto.

Embora o eclipse solar total esteja aquecendo o interesse pela astronomia, vários condomínios residenciais de luxo com infraestrutura de lazer já incorporaram a observação de estrelas em sua programação habitual.

O Vale do Lobo, no Algarve português, organiza “eventos celestes” ao longo do ano com telescópio de alta precisão para moradores observarem a Lua, aglomerados estelares, galáxias, nebulosas e sistemas binários.

No Viceroy at Ombria Algarve, o astrônomo residente João Costa conta “histórias celestes e mitos antigos” e mostra crateras lunares e anéis de Saturno por meio de um telescópio Sky-Watcher de 10 polegadas.

Nas Montanhas Rochosas do sul de Montana, uma casa de sete quartos com observatório próprio está à venda por US$ 5,7 milhões pela agência Big Sky.

Em Costa Navarino, no Peloponeso grego, o Observatório Ambiental de Navarino promove noites de astronomia com regularidade. O resort adota política de redução de poluição luminosa, o que beneficia tanto os observadores quanto as tartarugas marinhas que desovam na costa.

Nos resorts irmãos Soneva Fushi e Soneva Jani, nas Maldivas, donos de casas e hóspedes podem trocar o pôr do sol por sessões no observatório, onde telescópios Meade 3D permitem ver estrelas dos hemisférios norte e sul.

Os Estados Unidos, assim como grande parte do Reino Unido e da Europa, vão registrar apenas eclipse solar parcial em agosto. Ainda assim, nas Montanhas Rochosas do sul de Montana, o resort de Big Sky se destaca como ponto excepcional para observação de estrelas.

Joy Vance, sócia-gerente da The Agency Big Sky, vende a casa de sete quartos por US$ 5,7 milhões. “O ar aqui é tão puro, as estrelas são tão brilhantes e não há poluição luminosa; a qualidade do céu noturno é a melhor possível”, diz ela. “Você acaba ficando acordado até muito tarde, apenas olhando para o céu.”

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