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Bill Gates enfrenta perguntas do Congresso sobre relação com Jeffrey Epstein

Bill Gates
Bill Gates - Alexandros Michailidis/ Shutterstock.com

Bill Gates, cofundador da Microsoft e um dos maiores filantropos do planeta, depõe nesta quarta-feira perante uma comissão do Congresso americano sobre sua relação passada com o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein.

O bilionário compareceu de forma voluntária a Washington e manifestou disposição para responder aos questionamentos sobre o contato mantido com o financista condenado perante o Comitê de Supervisão da Câmara.

“Espero que meu depoimento contribua para o trabalho relevante do comitê na busca por justiça às vítimas”, declarou Gates a jornalistas ao chegar à sala de audiências, sem dar mais declarações.

Epstein tirou a própria vida em 2019 dentro de uma cela, enquanto aguardava julgamento. Sua parceira de longa data, Ghislaine Maxwell, cumpre sentença de 20 anos de prisão por envolvimento nos crimes.

A conexão entre Gates e Epstein voltou a ganhar destaque após o Departamento de Justiça dos EUA divulgar recentemente mais de três milhões de páginas de documentos da investigação criminal contra o financista. O nome de Gates surge milhares de vezes nesses arquivos.

Ele sempre negou qualquer conduta irregular e nega ter tido conhecimento das atividades criminosas de Epstein. Contudo, em entrevista à televisão no começo deste ano, admitiu ter cometido um erro ao se relacionar com ele.

“Fui tolo em perder tempo com ele. Sou uma das muitas pessoas que se arrependem de tê-lo conhecido”, afirmou.

Entre os documentos liberados pelo Departamento de Justiça, consta uma foto que aparenta mostrar Gates próximo a uma aeronave na presença do piloto de Epstein. O cofundador da Microsoft confirmou ter voado no jato particular do financista, fato que continua a repercutir entre pessoas afetadas pelo caso.

Outras imagens o retratam posando com o braço ao redor de Epstein e de várias mulheres não identificadas.

Os papéis também trazem rascunhos de e-mails supostamente escritos por Epstein com diversas alegações não confirmadas e contestadas sobre a vida pessoal de Gates. Entre elas, a afirmação de que Epstein teria organizado “encontros ilícitos” com “mulheres casadas” para ele, que o bilionário teria contraído uma infecção sexualmente transmissível com o que Epstein chamava de “garotas russas” e que teria recebido ajuda para obter medicamentos para tratar o problema.

Um e-mail distinto alegava que Gates teria tentado fornecer antibióticos secretamente à então esposa Melinda para protegê-la da mesma infecção. Gates rejeita com veemência essas acusações, embora tenha admitido ter mantido casos extraconjugais com duas mulheres russas.

Então, quais são as três principais perguntas que a comissão do Congresso deve fazer a Gates?

Por que Gates manteve contato com um homem já condenado por crimes sexuais?

A explicação principal apresentada por Gates para a associação é que se tratava de uma relação voltada a temas filantrópicos e possível captação de recursos para sua fundação, o que não se concretizou. Não fica claro, a partir de suas declarações públicas, qual foi exatamente o fator inicial de aproximação. Segundo ele, o contato começou em 2011, três anos após a condenação de Epstein na Flórida por duas acusações de solicitação de prostituição, uma delas envolvendo menor de 18 anos. A comunicação prosseguiu até 2014, período considerado longo por alguns para perceber a ausência de contribuição útil à fundação. O principal democrata do comitê, Robert Garcia, destacou que Gates seguiu em contato mesmo após informações graves sobre Epstein se tornarem públicas.

Por que Gates não investigou mais a fundo o passado de Epstein?

Em fevereiro, Gates informou a funcionários da fundação que tinha ciência de uma restrição de viagens de 18 meses imposta a Epstein, mas admitiu não ter checado adequadamente os antecedentes. Os parlamentares devem questionar a verossimilhança de um dos principais nomes do mundo da tecnologia e da informação ter permanecido pouco atento a detalhes públicos sobre o passado de Epstein durante o período em que os dois conviveram.

Epstein tentou influenciar Gates, ou o contrário?

Na carta de convite para o depoimento, o comitê indicou que Gates poderia ter informações sobre como Epstein e Maxwell buscavam obter favores e influência para acobertar suas atividades ilegais. Do lado de Gates, a motivação declarada era levantar fundos para iniciativas de saúde global. A Fundação Gates informou que, com base em promessas de Epstein de mobilizar recursos filantrópicos, alguns funcionários interagiram com ele, mas não houve qualquer colaboração ou transferência de recursos. A entidade lamentou qualquer interação com Epstein

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