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Keiko Fujimori encosta em Sánchez e disputa presidencial no Peru fica indefinida

Peru
Mini Onion/Shutterstock.com

A conservadora Keiko Fujimori diminuiu a distância que a separava do candidato da esquerda Roberto Sánchez conforme a contagem dos votos emitidos no exterior progrediu, mantendo acirrada a briga pela Presidência do Peru. Na tarde desta quarta-feira (10), a vantagem entre os dois era de apenas 7 mil votos.

Com 97,8% das urnas processadas, Roberto Sánchez registrava 50,020% dos votos, enquanto Keiko Fujimori aparecia com 49,980%, segundo dados do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) do Peru. A contagem dos votos começou no domingo, dia do segundo turno, e o resultado definitivo ainda pode demorar semanas para ser oficializado.

Fujimori havia liderado as pesquisas de boca de urna e os primeiros resultados da apuração, mas Sánchez avançou à medida que os votos das regiões rurais do país entraram na contagem. Na noite de terça-feira, o candidato da esquerda contava com vantagem de 40 mil votos.

Essa diferença voltou a diminuir com a inclusão das atas vindas do exterior, que beneficiam a conservadora. Entre os peruanos que votaram em outros países, Keiko Fujimori registrava 63,368% dos votos contra 36,632% de Roberto Sánchez, com 83,6% das urnas apuradas.

Nas eleições peruanas, os votos do exterior não chegam de forma eletrônica enviados pelos consulados. As atas precisam ser levadas fisicamente por mala diplomática até os centros de apuração em Lima, o que explica a demora no processamento desses votos.

Na eleição anterior, em 2021, Fujimori conseguiu vantagem de 100 mil votos no exterior. Mesmo assim, ela perdeu para Pedro Castillo, que obteve forte apoio nas áreas rurais. Na ocasião, Castillo venceu por margem mínima: 50,125% a 49,875%.

Desta vez, o desempenho de Keiko Fujimori no exterior ficou um pouco abaixo do registrado há cinco anos. Nos Estados Unidos, por exemplo, ela havia obtido 81% dos votos na última disputa. Até a tarde desta quarta-feira, o percentual estava em 76,559% com 95,8% das atas daquele país contabilizadas.

Da mesma forma, o Juntos pelo Peru de Roberto Sánchez não conseguiu a folga esperada em algumas regiões rurais, onde a esquerda tradicionalmente predomina. O quadro continua sem definição clara.

Fujimori afirmou a repórteres na terça-feira que “há muita esperança”, sobretudo nos votos do exterior e nas atas que ainda passarão por revisão — a maior parte delas da região metropolitana de Lima, que costuma favorecer a conservadora. “Acho que seria prematuro declarar um vencedor”, disse ela.

O partido de Sánchez também pediu paciência até a totalização de todos os votos, ressaltando que as urnas ainda pendentes nas áreas rurais representavam a possibilidade de vitória para o candidato da esquerda.

Candidatos à Presidência do Peru

Roberto Sánchez defende a reforma da Constituição, a instituição de impostos extraordinários sobre lucros, um tributo sobre grandes fortunas e alterações nas concessões minerárias, além de propostas que fazem sucesso entre os eleitores das zonas rurais do país.

Ele se apresenta como o “candidato presidencial castilista” e busca reabilitar e libertar o ex-presidente Pedro Castillo, que governou entre 2021 e 2022 e hoje cumpre pena por conspiração para rebelião após tentativa de golpe.

Sánchez enfrenta Keiko Fujimori, que disputa a Presidência pela quarta vez nas eleições peruanas.

Keiko aposta no histórico de combate ao crime deixado pelo pai, Alberto Fujimori, ex-presidente preso por violações de direitos humanos ligadas a massacres durante seu mandato.

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