Na próxima Copa do Mundo, um novo protocolo será implementado visando a integridade física dos participantes: a pausa para hidratação. As partidas serão interrompidas por três minutos aos 22 minutos de cada tempo.
Essa medida é crucial porque as elevadas temperaturas, já perigosas para a desidratação em situações cotidianas, tornam-se um risco ainda mais grave durante a intensa prática de exercícios físicos.
A Federação Internacional de Futebol (FIFA) declarou que a interrupção foi estabelecida com o objetivo principal de garantir as melhores condições possíveis para os jogadores.
“Em todos os confrontos, independentemente do local, da estrutura do estádio ou da temperatura, haverá um intervalo de três minutos para hidratação. Serão três minutos desde o apito inicial até o apito final em ambos os tempos”, explicou Manolo Zubiria, diretor de Torneios dos EUA para a Copa do Mundo da FIFA 2026, ao divulgar a iniciativa em dezembro de 2025.
Especialistas da área de saúde reforçam que esse breve descanso é fundamental para evitar um colapso completo do organismo dos atletas durante os jogos.
Gilberto Ururahy, médico especializado em medicina preventiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro honorário da Academia Brasileira de Medicina de Reabilitação, detalha que a parada é essencial por quebrar o ciclo de aquecimento contínuo do corpo.
Ele ainda explica que, em uma partida de futebol disputada sob condições extremas, o atleta perde grandes volumes de suor sem tempo adequado para a reposição. A interrupção obrigatória permite que o jogador se hidrate, reduza temporariamente a frequência cardíaca e ofereça um alívio ao seu sistema de resfriamento.
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Em nossa reportagem, você encontrará mais informações sobre:
- Os impactos do calor intenso no corpo dos jogadores
- Quais são os principais sinais de superaquecimento do organismo
- A relevância da pausa para hidratação
- Como a hidratação deve ser realizada ao longo da partida
O impacto das altas temperaturas nos atletas durante os jogos
Com os confrontos agendados entre o final da primavera e o início do verão no hemisfério norte, é muito provável que os atletas enfrentem elevadas temperaturas. Os efeitos no organismo tendem a ser significativamente mais intensos, considerando o grande esforço físico exigido.
Em cenários de calor extremo, especialmente durante atividades físicas vigorosas, o corpo intensifica a produção de suor em uma tentativa de diminuir sua temperatura interna.
Ururahy adverte que, nesses momentos, o grande problema é a perda de água e sais minerais cruciais, como sódio e potássio, que ocorre junto com o suor.
Consequentemente, o volume de sangue diminui, o coração é forçado a acelerar o ritmo para manter a circulação, e a temperatura corporal começa a subir de forma perigosa. Ele compara a situação a um motor de carro superaquecendo com o líquido de arrefecimento acabando.
Michele Trindade, nutricionista e vice-presidente da Associação Brasileira de Nutrição Esportiva (ABNE), acrescenta que, nestes momentos, ocorre um tipo de conflito circulatório.
Isso se deve ao fato de o coração precisar acelerar seus batimentos enquanto a demanda de oxigênio pelos músculos permanece elevada.
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Tal cenário pode acarretar diversas consequências negativas para a saúde do jogador. Entre os riscos mais destacados pelos especialistas estão:
- Câimbras
- Exaustão pelo calor
- Insolação
Além disso, eles apontam que o calor extremo eleva o risco de lesões musculares, já que um músculo aquecido e desidratado se torna mais suscetível a rupturas.
Desafios do corpo: identificar os sinais de superaquecimento
Mesmo os indícios mais sutis durante o desenrolar da partida podem sinalizar que algo não está bem com o organismo, sendo o desconforto o primeiro indicador de alerta.
Gilberto lista que, quando o calor começa a ser perigoso, surgem sintomas como tontura, fraqueza muscular excessiva, náusea, dores de cabeça intensas, confusão mental, pele quente e seca (quando o corpo já não consegue mais suar) e até desmaios.
Esse quadro sintomático descrito pelo médico é ainda classificado como exaustão térmica, que acontece quando há uma perda excessiva de sais (eletrólitos) e líquidos provocada pelo calor.
Como o breve intervalo auxilia na recuperação e performance
Diante de tantos potenciais impactos negativos que as altas temperaturas podem provocar no organismo, a pausa para hidratação durante os jogos em climas quentes se torna um imperativo para a segurança e a saúde dos atletas.
Além de possibilitar que o jogador ingira líquidos, a paralisação é vital porque interrompe, mesmo que por um breve período, o esforço físico contínuo.
Michele analisa que a pausa (conhecida como *cooling break*) é crucial para deter a produção de calor metabólico. Ela explica que, no futebol, os repetidos *sprints*, as arrancadas, as mudanças de direção e o contato físico geram uma carga térmica interna imensa. A pausa permite o retorno do sangue da periferia para o núcleo central e os músculos, além de oferecer a oportunidade crítica de repor o volume plasmático.
Ururahy ainda observa que é “como dar um respiro para o motor esfriar antes que ele funda”.
Mesmo que a pausa dure apenas três minutos, esse tempo é suficiente para que a temperatura corporal diminua, aliviando a sobrecarga cardiovascular e permitindo uma recuperação mínima do organismo.
Outro aspecto importante é que esse pequeno momento de descanso pode contribuir para uma melhora significativa no desempenho ao longo da partida.
Isso acontece porque, quando um jogador está desidratado, ele sofre uma perda na capacidade de tomar decisões rápidas, uma diminuição da força, uma piora na coordenação motora e um aumento no tempo de reação.
O especialista observa que a pausa permite que o atleta restabeleça, ainda que parcialmente, suas funções físicas e mentais. Com isso, ele consegue manter um ritmo mais consistente durante o jogo, prevenindo quedas abruptas de rendimento no segundo tempo.
Estratégias adequadas de hidratação durante as partidas
Por se tratar de um contexto de calor e exercício intensos, a hidratação necessária não é tão simples quanto a do dia a dia; ou seja, apenas água não é suficiente quando a perda de suor é muito elevada.
Os profissionais explicam que, por mais que a água seja fundamental para a hidratação, ela não é capaz de repor os sais minerais que são perdidos.
Ururahy recomenda que o ideal é consumir bebidas que contenham eletrólitos, como sódio e potássio.
Eles também afirmam que não existe uma quantidade exata de líquido que cada atleta deva consumir durante a pausa, mas o aconselhável é que o jogador beba o suficiente para saciar a sede e criar uma certa reserva.
Trindade menciona que não há um valor universal, mas para pausas de três minutos, sugere-se a ingestão de 200 ml a 400 ml de bebidas esportivas geladas, que também ajudam no resfriamento interno.