Fies 2026 abre inscrições com novas regras de financiamento estudantil para ensino superior privado
O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) segue como principal programa de crédito educativo do governo federal em 2026, permitindo que estudantes de baixa renda tenham acesso ao ensino superior em instituições privadas. O programa financia de 50% a 100% das mensalidades de cursos de graduação, com condições de pagamento facilitadas e juros reduzidos. As inscrições ocorrem em dois períodos anuais, organizados pelo Ministério da Educação (MEC), com processo totalmente digital pelo portal oficial do programa. A seleção considera a nota do Enem e a renda familiar per capita do candidato.
Desde sua reformulação em 2018, o Fies passou a operar em duas modalidades distintas. A primeira destina-se a estudantes com renda familiar per capita de até três salários mínimos, atualmente R$ 4.863 em 2026. Nessa categoria, a taxa de juros é zero para famílias com renda per capita até um salário mínimo (R$ 1.621), e varia conforme a renda nos demais casos. A segunda modalidade, chamada P-Fies, atende candidatos com renda familiar per capita de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e oferece financiamento com recursos de bancos privados, apresentando taxas de juros de mercado.

Requisitos para participar do programa em 2026
Para concorrer a uma vaga no Fies, o candidato precisa cumprir requisitos específicos estabelecidos pelo MEC. O primeiro deles é ter participado de qualquer edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir de 2010, com desempenho mínimo de 450 pontos na média das provas e nota superior a zero na redação. Estudantes que realizaram o exame na condição de treineiros não podem usar essa pontuação. Além disso, a renda familiar per capita deve se enquadrar nos limites estabelecidos para cada modalidade do programa.
O candidato não pode ter diploma de curso superior em instituição pública e deve estar regularmente matriculado em curso de graduação presencial com avaliação positiva nos processos do MEC. As instituições de ensino precisam ter adesão ao Fies e oferecer o curso escolhido dentro do programa. A documentação comprobatória de renda inclui holerites, declaração de imposto de renda, carteira de trabalho e extratos bancários de todos os membros do grupo familiar. Estudantes com deficiência ou professores da rede pública de ensino básico têm prioridade na seleção, desde que se enquadrem nas demais exigências.
Como solicitar o financiamento estudantil
O processo de inscrição no Fies acontece exclusivamente pela internet, através do sistema disponível no portal oficial do programa. O candidato deve acessar a plataforma com login único do governo federal (conta Gov.br) e preencher o formulário com dados pessoais, informações sobre o curso pretendido e a instituição de ensino. Durante a inscrição, o sistema solicita o número de inscrição do Enem e calcula automaticamente a renda familiar per capita declarada.
Após o período de inscrições, o MEC divulga o resultado preliminar com a lista de pré-selecionados. Os candidatos aprovados têm prazo de cinco dias úteis para complementar as informações no sistema e apresentar a documentação comprobatória na Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento (CPSA) da instituição de ensino. A validação das informações leva até dez dias úteis. Uma vez aprovado, o estudante deve comparecer a um agente financeiro do Fies, geralmente a Caixa Econômica Federal ou o Banco do Brasil, para formalizar o contrato de financiamento.
- Primeiro passo: acessar o portal do Fies com login Gov.br durante o período de inscrições
- Segundo passo: preencher formulário com dados pessoais, curso e instituição escolhida
- Terceiro passo: aguardar divulgação do resultado e complementar informações se pré-selecionado
- Quarto passo: apresentar documentação comprobatória na CPSA da faculdade em até cinco dias úteis
- Quinto passo: após validação, comparecer ao banco para assinar o contrato de financiamento
Funcionamento dos pagamentos e carência
O sistema de pagamento do Fies possui três fases distintas. Durante o período de utilização, enquanto o estudante cursa a graduação, não há cobrança das parcelas principais do financiamento. O aluno paga apenas um valor trimestral máximo de R$ 150, referente a juros quando aplicáveis na modalidade. Essa etapa se estende por toda a duração regular do curso mais um semestre adicional. Estudantes em cursos com taxa de juros zero não realizam nenhum pagamento nessa fase.
Após a conclusão do curso, inicia-se o período de carência de 18 meses. Nessa fase, o estudante já formado paga mensalmente um valor equivalente a até R$ 150 ou o montante dos juros incidentes sobre o saldo devedor, o que for menor. Esse intervalo permite ao profissional recém-formado organizar sua vida financeira antes do início da amortização efetiva. Terminada a carência, começa a fase de amortização, quando as parcelas mensais passam a incluir juros e principal, calculadas para quitar o financiamento em até três vezes o período financiado, limitado ao máximo de 20 anos.
Condições de parcelamento e quitação antecipada
O parcelamento do Fies segue regras específicas conforme o saldo devedor total do contrato. O valor financiado inclui as mensalidades do curso, acrescido de juros quando houver, e será dividido em prestações mensais e sucessivas. O cálculo das parcelas considera a capacidade de pagamento do estudante, com valor mínimo de R$ 200 por mês. Para contratos da modalidade com juros zero, a correção do saldo devedor acompanha a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O programa permite a quitação antecipada do financiamento a qualquer momento, sem cobrança de multas ou taxas adicionais. O estudante pode realizar pagamentos extras para reduzir o saldo devedor ou quitar integralmente o contrato. Além disso, existe a possibilidade de renegociação em casos de inadimplência, com condições facilitadas para regularização do débito. O MEC também oferece desconto de até 12% para quem quitar o saldo devedor de uma só vez após o período de utilização. Contratos antigos do Fies, anteriores à reformulação de 2018, seguem regras específicas de transição que podem variar conforme a data de contratação.
Calendário de inscrições e cronograma do processo seletivo
O Fies organiza dois processos seletivos por ano, alinhados ao calendário acadêmico das instituições de ensino superior. O primeiro semestre geralmente abre inscrições entre fevereiro e março, com seleção de candidatos para início das aulas no primeiro período letivo. Já o segundo semestre costuma ter inscrições entre junho e julho, destinadas a vagas remanescentes e novos contratos para o segundo período letivo. As datas exatas são divulgadas pelo MEC com antecedência mínima de 30 dias.
Cada processo seletivo possui etapas com prazos rigorosos. Após o encerramento das inscrições, o resultado da pré-seleção sai em até três dias úteis. Os candidatos aprovados têm cinco dias úteis para complementar informações no sistema e mais cinco dias úteis para apresentar documentação na CPSA. A validação das informações pela comissão da faculdade leva até dez dias úteis. Por fim, o estudante tem até dez dias corridos após a validação para comparecer ao agente financeiro e formalizar o contrato. O descumprimento de qualquer prazo resulta na perda da vaga, que é automaticamente oferecida aos candidatos da lista de espera.






