Apple Watch capta conversas e amplia alerta de privacidade
A Apple apresentou em 20 de setembro de 2026 os modelos Apple Watch Series 12 e Apple Watch Ultra 4 equipados com a tecnologia Audio Intelligence, que utiliza microfones para registrar sons e conversas do ambiente. O dispositivo traz funções de inteligência artificial voltadas à recuperação de falas recentes e à produção de resumos diários.
Funções operam com o novo chip S11
O sistema opera por meio do processador S11, componente que executa o reconhecimento sonoro e ferramentas de identificação musical com o Shazam. Sensores do relógio avisam a pessoa sobre ruídos específicos do espaço externo, como buzinas, campainhas, sirenes e choro de bebês, sem demandar a proximidade de um iPhone. O mecanismo auxilia pessoas com deficiência auditiva.
A transcrição pontual dos últimos 15 segundos de um diálogo ocorre pelo comando do Live Rewind.
Resumos automáticos da ferramenta Siri Recap
A inteligência artificial da fabricante estrutura anotações com título e tópicos centrais a partir dos diálogos ouvidos ao longo da rotina do usuário por meio da Siri Recap. A empresa declarou que a ferramenta busca poupar a memorização de dados pelo proprietário sem guardar uma transcrição na íntegra de tudo o que as pessoas disseram.
O sistema permite ajustes de horários. O usuário define momentos de bloqueio da captação durante o período noturno ou em salas específicas. No Live Rewind, o dispositivo aciona um sinal sonoro e exibe o desenho de um microfone na tela para alertar os presentes. Esse aviso funciona até com o aparelho regulado no modo silencioso.
Mecanismos técnicos de segurança do sistema
A fabricante declarou que o processamento do chip S11 ocorre em um compartimento de hardware isolado do restante do sistema, onde o áudio é descartado após a análise e os dados gerados recebem criptografia. O sistema também aplica filtros automáticos para eliminar registros financeiros antes da montagem dos relatórios de texto. A companhia informou que não salva as gravações nem identifica as vozes participantes dos encontros.
Pesquisadores apontam riscos e exigências da legislação
O pesquisador líder de segurança da Kaspersky, Fabio Marenghi, afirmou que o processamento em servidores remotos aumentaria o risco de vazamento das gravações e alertou sobre o perigo de criminosos clonarem vozes captadas pelo relógio para aplicar golpes financeiros em parentes. Marenghi explicou que o fabricante precisa garantir o processamento estritamente local: “O fabricante deve garantir que o processamento desse áudio seja feito localmente e não enviado para servidores na nuvem, onde fica mais vulnerável a vazamentos”.
O investigador de segurança da informação da ESET Latinoamérica, Mario Micucci, alertou que o acesso indevido ao aparelho ou a exportação das anotações geram brechas graves de segurança. Micucci disse: “Mesmo sem salvar o áudio, um resumo em texto pode expor informações sensíveis”. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais protege os indivíduos que conversam perto do aparelho, pois Micucci explicou que a autorização dada pelo dono do smartwatch não valida o tratamento de dados de terceiros.
A empresa pagou US$ 95 milhões em 2025 nos Estados Unidos para encerrar uma ação judicial sobre gravações acidentais da Siri repassadas a anunciantes.
Outros aparelhos que gravam o ambiente
A captação e o resumo de conversas por inteligência artificial ocorrem em equipamentos de outros fabricantes no mercado global. O modelo Notepin, fabricado pela Plaud, grava e transcreve áudios em formato discreto para o cotidiano.
- Notepin, gravador compacto da Plaud que transforma diálogos em texto.
- Canetas com microfones integrados vendidas em plataformas de comércio eletrônico como a Amazon.com.
- Wave, aplicativo para smartphones e relógios que registra e resume chamadas.
Em 2019, apurações revelaram que trabalhadores externos analisavam trechos de conversas captadas pelo microfone da assistente virtual.
