O bullying é um termo cada vez mais conhecido no Brasil. De origem inglesa e sem uma tradução adequada ainda aqui em nosso país é utilizado para qualificar comportamentos agressivos no âmbito escolar, praticado tanto por meninos quanto por meninas. Os atos de violência (física ou não) ocorrem de forma intencional e repetitiva contra um ou mais alunos que se encontram impossibilitados de fazer frente às agressões sofridas. Tais comportamentos não apresentam motivações específicas ou justificáveis. Significa dizer que, de forma “natural” os mais fortes utilizam os mais frágeis como meros objetos de diversão, prazer e poder com o intuito de maltratar, intimidar, humilhar e amedrontar suas vítimas.
Esta definição do termo pode ser encontrada na cartilha “Bullying – Projeto Justiça nas Escolas”, de autoria do Conselho Nacional de Justiça em parceria com o Governo do Estado de São Paulo. A cartilha traz ainda informações sobre as formas mais comuns destes comportamentos agressivos; sobre o ciberbullying; sobre os critérios adotados pelos agressores para a escolha das vítimas; sobre as principais razões que levam os jovens a serem agressores; sobre como perceber quando uma criança ou adolescente está sofrendo bullying; sobre a comparação do bullying no Brasil com outros países; e, finalmente, sobre a influência da sociedade atual neste tipo de comportamento.
É neste último aspecto que vamos concentrar nossas ponderações e reflexões: o bullying social, os comportamentos de uma sociedade na qual cada vez mais o individualismo impera; na qual o “ter” é muito mais valorizado que o “ser”, com distorções absurdas de valores éticos.
Neste contexto, a educação ficou confusa, sem parâmetros e sem limites. Crianças, jovens adolescentes e jovens adultos não se preocupam com as regras sociais, não refletem sobre a necessidade delas no convívio coletivo e, nem sequer se preocupam com as consequências dos seus atos transgressores. Cabe, então, à sociedade em todos os seus segmentos transmitir às novas gerações valores educacionais mais éticos e responsáveis. Afinal, são estes jovens que estão delineando o que a sociedade será daqui em diante. Auxiliá-los e conduzidos na construção de uma sociedade mais justa e menos violenta, é obrigação de todos!
Então, vem a pergunta que é inevitável: como reverter esta situação, transformar comportamentos agressivos de crianças e jovens (adolescentes e adultos) em comportamentos sociáveis, nos quais predomine o respeito mútuo, numa nação em que a violência contra a absoluta maioria da população é flagrante?
Somos violentados diariamente em nossos direitos mais básicos; em nossas liberdades individuais; em nosso direito de ir e vir; em nosso direito à assistência médica mínima. Sofremos “superbullying” todos os dias, quando somos obrigados a pagar uma carga tributária altíssima – a 14ª maior do mundo – segundo dados da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulgados neste ano. Bullying, quando assistimos ao maior escândalo de corrupção da história deste país e a escândalos que se sucedem um após outro sem sequer causar constrangimento em nossos representantes legais. Bullying, quando a impunidade campeia solta pelos quatro cantos do país… Enfim, um “hiperbullying”, quando fazemos papel de palhaço em nossa imensa nação brasileira.
Para que sejam transmitidos às novas gerações valores mais éticos é preciso que a ética seja praticada diariamente por toda a sociedade e que o exemplo seja dado por todos, inclusive pela classe política deste país, talvez a mais sofrível no exercício deste valor, com raras exceções.
Comecemos a mudar essa realidade e a eliminar o bullying de uma vez por todas em nossa nação, a partir da transformação de nossas atitudes, da mudança de nossas posturas. Exerçamos nossa cidadania! Façamos valer nossos direitos! Especialmente, o direito de ser respeitado por um governo eleito em um regime democrático. Chega de BULLYING!

