Por Hallie Gu e Emily Chow
PEQUIM/XANGAI (Reuters) – A pandemia de coronavírus ameaça causar um enorme choque no comércio internacional de alimentos e desencadear uma nova crise alimentícia, disse nesta segunda-feira uma autoridade agrícola de alto escação da China.
Os comentários ocorrem depois de surtos da Covid-19 afetarem cadeias de ofertas agrícolas em todo o mundo e agitarem o comércio, com alguns países restringindo exportações de grãos e com o aumento da procura de alimentos para reservas.
“A epidemia global, de rápida expansão, trouxe grande incerteza ao comércio internacional de alimentos e aos mercados”, disse Yu Kangzhen, vice-ministro da Agricultura da China.
“Se a epidemia continuar se espalhando e aumentando, o impacto ao comércio internacional de alimentos e à produção certamente vai piorar, e pode desencadear uma nova rodada de crises alimentícias”, afirmou Yu durante videoconferência sobre o panorama agrícola do país.
A pandemia e as medidas tomadas por alguns países para garantir ofertas domésticas inibiram o comércio e as ofertas normais, causando algumas grandes flutuações de preços, acrescentou Yu.
A pandemia de coronavírus, que teve início na cidade chinesa de Wuhan no ano passado, já infectou 2,3 milhões de pessoas em todo o mundo, com 159 mil mortes.
Embora a China possua grãos o suficiente para atender à demanda doméstica, alguns produtos dependentes de importações –como soja e óleos vegetais– podem ser afetados pela pandemia, disse Yu.
Ele acrescentou que as exportações chinesas de aquicultura, legumes e chá serão atingidas por efeitos da doença.

