Autoridades de Guangzhou, metrópole com 19 milhões de habitantes no sul da China, implementaram novas regras para restaurantes que servem dim sum. A partir de 1º de maio deste ano, as casas de chá precisam informar aos clientes se os pratos pequenos são preparados à mão no estabelecimento ou por métodos automatizados e centralizados.
A medida busca preservar o patrimônio cultural imaterial da cidade, conhecida como berço do dim sum. Restaurantes que atenderem aos requisitos receberão uma placa identificando-os como “estabelecimentos tradicionais”.
Exigências das autoridades municipais
As casas de chá devem deixar claro o método de preparo dos bolinhos de camarão cozidos no vapor (har gow), shumai coberto com ovas de caranguejo e cheung fun (rolinhos de macarrão de arroz envoltos em farinha de arroz cozida no vapor). A regulamentação também incentiva os estabelecimentos a transmitir ao vivo o processo de preparo para os clientes.
Os chefs tradicionais utilizam movimentos firmes das mãos, dedos habilidosos e atenção aos detalhes na confecção desses pratos. Apreciadores de dim sum argumentam que apenas um mestre artesão é capaz de produzir a qualidade esperada.
Automatização versus tradição
Nos últimos anos, muitas casas de chá introduziram linhas de produção automatizadas para reduzir custos operacionais. Guangzhou, porém, está sinalizando um movimento contrário ao investir em transparência e preservação de técnicas históricas.
O termo “métodos não tradicionais” refere-se à produção centralizada, onde os dim sum são preparados em grandes instalações e distribuídos para múltiplos restaurantes. Essa prática cresceu na China como alternativa economicamente viável.
Reação nas redes sociais chinesas
Houve uma onda de elogios nas plataformas digitais aos esforços de Guangzhou para manter viva a tradição. Chen Huiyi, 32 anos, originária de Guangzhou e responsável por canal em inglês na plataforma Xiaohongshu, considera importante que os consumidores possam fazer escolhas informadas.
Em entrevista, Chen afirmou que o dim sum feito à mão pode ser mais caro, porém oferece ao cliente uma opção real. Ela destacou que a transparência evita enganações, quando pratos pré-fabricados são apresentados como feitos na hora.
- Har gow: bolinho de camarão cozido no vapor
- Shumai: bolinho coberto com ovas de caranguejo
- Cheung fun: rolinho de macarrão de arroz envolto em farinha de arroz cozida no vapor
Impacto econômico para restaurantes
Estabelecimentos que adotarem totalmente o método tradicional enfrentarão custos mais elevados em mão de obra especializada. O diferencial, porém, reside na possibilidade de obter o selo de “estabelecimento tradicional” e atrair consumidores dispostos a pagar mais pela autenticidade.
Restaurantes com produção automatizada poderão continuar operando, desde que informem aos clientes o método utilizado. A regulamentação não proíbe a automatização, mas exige transparência total.
Preservação do patrimônio cultural
As autoridades de Guangzhou reconhecem que o dim sum representa mais que um alimento — é expressão de identidade cultural e conhecimento técnico transmitido por gerações. A cidade busca equilibrar modernização econômica com valorização de tradições.
A iniciativa abre espaço para que clientes façam escolhas conscientes e para que mestres artesãos continuem tendo demanda por seus serviços. A transmissão ao vivo do preparo, conforme incentivado pelas autoridades, transforma o processo em espetáculo educativo.

