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Primeira Turma do STF forma maioria para manter Twitter/X suspenso no Brasil

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Saulo Ferreira Angelo/Shutterstock.com Saulo Ferreira Angelo/Shutterstock.com

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou, nesta segunda-feira, maioria para confirmar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determinou a suspensão imediata da rede social X no Brasil. O julgamento, que ocorre de forma virtual, conta com a participação de cinco ministros. Além do próprio Moraes, que é o relator e presidente do colegiado, votaram a favor da suspensão os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin, consolidando a maioria.

Julgamento virtual e consequências imediatas

O julgamento da Primeira Turma teve início na madrugada desta segunda-feira (2), com os ministros tendo até as 23h59 para inserirem seus votos no sistema eletrônico. A decisão foi amplamente aguardada, visto que nos bastidores havia pressão para que a decisão fosse referendada pelo colegiado. A suspensão permanecerá em vigor até que a plataforma X cumpra as ordens judiciais, pague as multas impostas e indique um representante legal no Brasil.

Descumprimentos contínuos e multas milionárias

Desde abril, Elon Musk, proprietário da rede social X, vem desafiando diversas ordens judiciais emitidas pelo ministro Alexandre de Moraes. Essas ordens incluem o bloqueio de contas de usuários investigados pelo STF por afrontas à democracia e à legislação brasileira. Como consequência, Musk acumulou multas que somam R$ 18,35 milhões por descumprimento dessas ordens.

O empresário, além de ignorar as ordens judiciais, utilizou sua própria plataforma para divulgar sátiras contra o ministro, resultando na sua inclusão como investigado no inquérito das milícias digitais, também conduzido por Moraes. Em resposta a essas ações, Moraes determinou a suspensão da rede social X até que as condições impostas pelo STF sejam cumpridas.

Fechamento do escritório da X no Brasil e reação judicial

O clima de tensão entre o STF e Elon Musk intensificou-se quando, em 17 de agosto, o escritório da X no Brasil foi fechado, após Moraes ter ameaçado prender a representante legal da empresa no país. Essa decisão foi tomada em meio a uma série de descumprimentos por parte da plataforma e seu dono, levando o ministro a reforçar sua posição quanto à necessidade de obediência às leis brasileiras.

Liberdade de expressão versus incitação ao ódio

Em sua decisão, Moraes destacou que Elon Musk confunde liberdade de expressão com liberdade de agressão, e deliberadamente distorce o conceito de censura, tratando-o como uma proibição ao discurso de ódio e incitação a atos antidemocráticos. O ministro também mencionou que a instrumentalização criminosa das redes sociais, especialmente da rede X, está sob investigação em outros países.

O Procurador-geral Paulo Gonet reforçou a decisão do ministro ao lembrar que Musk tem cumprido ordens de remoção de conteúdo em outros países, como Índia e Turquia. Gonet ainda pontuou que o comportamento da rede X no Brasil, sob o comando de Musk, tem sido de contínuo desrespeito às ordens judiciais, criando um ambiente de impunidade, especialmente em um ano de eleições municipais.

Repercussão internacional e próximos passos

A decisão do STF de suspender a rede social X no Brasil tem repercussões que vão além das fronteiras nacionais, destacando a importância do cumprimento das leis locais pelas plataformas globais. Com a maioria formada na Primeira Turma, a expectativa agora recai sobre os próximos passos que serão tomados pela empresa de Musk, que pode buscar recursos, mas enfrentará uma Justiça brasileira decidida a manter a ordem e o respeito às suas decisões.

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