Benefícios

Salário-maternidade pode ser prorrogado: saiba as condições e como solicitar

Maternidade Auxilio Salario
Pornsawan Baipakdee/Shutterstock.com Pornsawan Baipakdee/Shutterstock.com

O salário-maternidade é um direito essencial para as seguradas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), garantindo o sustento durante a licença maternidade. Esse benefício, previsto para durar 120 dias, pode ser prorrogado em circunstâncias especiais, principalmente quando há complicações médicas decorrentes do parto que resultem em internação hospitalar, tanto da mãe quanto do recém-nascido. A prorrogação do benefício visa assegurar a convivência entre mãe e filho no ambiente familiar, sem que a internação reduza o tempo de licença após o parto.

Condições para a prorrogação do salário-maternidade

A possibilidade de extensão do salário-maternidade foi regulamentada a partir de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 6.327. Essa decisão assegura que, em casos de internação prolongada devido a complicações no parto, o benefício será estendido. As condições principais para a prorrogação incluem:

  • Internação da mãe ou do recém-nascido: A prorrogação é permitida quando a segurada ou o bebê necessitam de hospitalização por complicações no parto.
  • Período de internação superior aos 120 dias regulares: O salário-maternidade, que normalmente é pago por 120 dias, pode ser estendido por todo o período de internação, garantindo que a mãe não perca dias de convivência com seu filho após a alta.
  • Requerimento durante o período de internação: O pedido de prorrogação deve ser solicitado durante a hospitalização, com comprovação médica do motivo da internação e o tempo previsto de recuperação.

Como solicitar a prorrogação do benefício

Para as mães que enfrentam complicações no parto, o processo para solicitar a prorrogação é relativamente simples, mas exige atenção a alguns detalhes importantes. O pedido de prorrogação deve ser feito pelo serviço da Central 135 do INSS, onde a segurada precisará fornecer documentos médicos que comprovem a internação ou alta hospitalar.

Os passos para solicitar são os seguintes:

  1. Solicitação após a concessão do benefício inicial: A prorrogação só pode ser pedida após o recebimento do primeiro salário-maternidade. O protocolo da concessão inicial indicará a necessidade de solicitar a prorrogação em casos de internação.
  2. Documentação médica: O atestado médico fornecido pelo hospital deve confirmar a internação e o período previsto de recuperação. Esse documento será enviado à perícia médica do INSS para avaliação.
  3. Renovação a cada 30 dias: Para internações que ultrapassem 30 dias, a prorrogação deve ser renovada mensalmente, com novos documentos médicos que comprovem a necessidade de manter o benefício ativo durante todo o tempo de internação.

Quem tem direito à prorrogação?

A prorrogação do salário-maternidade pode ser solicitada por todas as seguradas do INSS que enfrentem complicações no parto que resultem em internação hospitalar. Isso inclui empregadas formais, microempreendedoras individuais (MEI), trabalhadoras intermitentes e contribuintes individuais. No caso de falecimento da segurada, o benefício pode ser transferido para o cônjuge ou companheiro que também tenha a qualidade de segurado pelo INSS, desde que o recém-nascido ainda esteja internado.

Além disso, as regras variam de acordo com o tipo de contrato da trabalhadora. Por exemplo, para as seguradas empregadas, o pedido de prorrogação deve ser feito diretamente ao empregador, que fica responsável pelo pagamento do benefício durante o período de internação. Já para trabalhadoras autônomas ou intermitentes, o INSS é responsável pela análise e concessão da prorrogação.

Situações em que o salário-maternidade não pode ser prorrogado

Embora a prorrogação seja possível em muitos casos, há situações em que o pedido pode ser negado:

  • Benefício já esgotado: Caso a segurada já tenha usufruído dos 120 dias legais do salário-maternidade antes de solicitar a prorrogação, o direito à extensão é perdido.
  • Ausência de complicações médicas: O benefício só pode ser prorrogado mediante comprovação de complicações no parto que resultem em internação hospitalar. Se não houver essa condição, o prazo de 120 dias é mantido.
  • Falecimento do recém-nascido ou abandono: A prorrogação não se aplica se o bebê falecer ou for abandonado pela mãe.

Impactos da prorrogação do salário-maternidade

A possibilidade de prorrogação do salário-maternidade representa um avanço significativo na proteção dos direitos das mães trabalhadoras. A decisão do STF visa evitar que o período de convivência familiar seja prejudicado em momentos críticos, como internações prolongadas. Além de preservar a relação entre mãe e filho, a prorrogação também oferece mais segurança financeira para as famílias, que não precisam se preocupar com a perda do benefício durante a internação.

O impacto social e econômico dessa medida é amplo, garantindo que as seguradas do INSS possam passar por períodos delicados de recuperação sem prejuízos financeiros. A medida reforça a importância de assegurar condições adequadas para a recuperação da mãe e a saúde do recém-nascido.

Como proceder após a alta hospitalar

Após o término da internação, a segurada ou o bebê poderão retornar para casa e, a partir desse momento, o prazo de 120 dias de convivência familiar começa a ser contado novamente. Isso significa que o tempo que a mãe passa no hospital ao lado do recém-nascido não interfere no período regular de licença.

A cada nova internação, o benefício pode ser suspenso e retomado, garantindo que as mães tenham o máximo de tempo em casa com seus filhos. Em caso de internações sucessivas, cada alta hospitalar interrompe temporariamente o benefício, que volta a ser pago após a alta.

A prorrogação do salário-maternidade é um direito pouco conhecido por muitas mães, mas que pode fazer toda a diferença em momentos de adversidade. As seguradas do INSS devem estar atentas às condições para solicitar a prorrogação e garantir que o tempo de internação não afete o período de licença com seus filhos. A medida, além de resguardar a convivência familiar, assegura que as mães possam focar em sua recuperação e na saúde de seus bebês, sem o risco de perder o benefício.

To Top