Confronto entre torcedores do Peñarol no Rio transforma orla em cenário de caos

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Torcedores no Rio de Janeiro - Foto: TV Globo

Torcedores do Peñarol protagonizaram cenas de vandalismo e violência na orla do Recreio, Rio de Janeiro, nesta quarta-feira, 23 de outubro, horas antes da partida contra o Botafogo pela semifinal da Libertadores. O tumulto começou após um furto em um quiosque, que desencadeou uma sequência de atos violentos envolvendo dezenas de uruguaios que usaram paus, pedras e outros objetos para atacar tanto os poucos policiais presentes quanto banhistas e comerciantes. A Polícia Militar interveio, mas não antes de a situação sair do controle por mais de uma hora.

Violência na orla antes da semifinal da Libertadores

Por volta do meio-dia, o ambiente na orla do Recreio dos Bandeirantes, tradicional ponto turístico do Rio de Janeiro, foi tomado pela violência quando dezenas de torcedores do Peñarol começaram a se envolver em um confronto aberto. Os uruguaios, que haviam chegado à cidade para assistir ao jogo de ida da semifinal da Conmebol Libertadores entre o Peñarol e o Botafogo, trouxeram consigo um clima de tensão. A confusão teve início após o furto de um celular em um quiosque, ação que serviu como gatilho para uma onda de vandalismo que durou cerca de uma hora e meia.

Tensão crescente e ações de vandalismo

À medida que o tumulto se intensificava, os torcedores, muitos deles cobrindo o rosto para dificultar a identificação, começaram a atacar tudo e todos ao redor. Com o uso de objetos improvisados, como mesas de quiosque e armações de barracas de praia, transformaram o espaço público em campo de batalha. A Avenida Lúcio Costa, uma das principais vias da região, foi interditada por questões de segurança, e o tráfego ficou comprometido. No asfalto, uma motocicleta foi incendiada, e na areia, objetos de comerciantes locais foram saqueados e usados como armas. A situação se agravou com a falta de um contingente policial suficiente para conter a fúria do grupo, que atacava de forma indiscriminada.

Por volta das 13h, reforços do Batalhão de Choque chegaram ao local, o que permitiu à Polícia Militar cercar parte dos vândalos e começar a controlar a situação. No entanto, a calmaria não foi restabelecida antes de diversos danos materiais serem causados, com comerciantes e banhistas temendo pela segurança de seus pertences e pela própria integridade física.

Torcedores no Rio de Janeiro – Foto: TV Globo

Confusão após furto gera caos

A confusão foi desencadeada por um furto. De acordo com testemunhas, um torcedor uruguaio furtou o celular de um funcionário de um quiosque, o que rapidamente atraiu a atenção de outros torcedores que estavam na região. A partir desse incidente, o clima já tenso escalou para uma série de ataques coordenados, nos quais os uruguaios, em número maior, dominaram o espaço, enfrentando os poucos policiais militares que tentavam controlar a multidão.

A polícia utilizou bombas de efeito moral na tentativa de dispersar os envolvidos, mas o grupo parecia determinado a seguir com os atos de vandalismo. Entre 12h e 12h45, a situação foi se deteriorando, com torcedores danificando veículos estacionados e saqueando comerciantes locais. O clima era de total desordem.

Uso de objetos como armas improvisadas

O mobiliário urbano, incluindo mesas e cadeiras de quiosques, foi amplamente utilizado pelos torcedores do Peñarol durante o confronto. Esses objetos se tornaram escudos e armas nas mãos dos uruguaios, que tentavam se proteger das ações policiais e, ao mesmo tempo, atacavam qualquer pessoa que tentasse intervir. A cena caótica foi registrada por moradores e transeuntes, que rapidamente compartilharam vídeos nas redes sociais, mostrando o momento em que um carrinho de praia foi saqueado e seus itens utilizados pelos torcedores.

Além disso, os vândalos não pouparam nem mesmo os veículos estacionados na região. Vários carros e motos foram danificados, sendo que uma motocicleta foi incendiada, contribuindo ainda mais para o cenário de destruição.

Intervenção policial e contenção parcial

A chegada de reforços policiais por volta das 13h foi essencial para conter parte dos torcedores. À medida que os agentes do Batalhão de Choque cercavam os vândalos, um grupo foi obrigado a se sentar no chão, mas muitos ainda resistiam e continuavam a lançar objetos contra a polícia e banhistas. O tumulto, que já havia fechado as pistas da Avenida Lúcio Costa em diversas ocasiões, só começou a ser controlado perto das 13h20, quando os principais envolvidos foram detidos e colocados sob custódia.

Um dos torcedores uruguaios foi preso e encaminhado à delegacia por ser acusado de furtar o celular do funcionário de um quiosque, ação que havia desencadeado todo o conflito. Apesar das detenções, a tensão permaneceu no ar, com a presença de torcedores ainda rondando a região até o final da tarde.

Históricos de violência envolvendo o Peñarol

Os incidentes desta quarta-feira não são isolados no histórico de torcedores do Peñarol quando visitam o Brasil, especialmente o Rio de Janeiro. Em setembro deste ano, houve outra confusão envolvendo o time uruguaio, quando um grupo de seus torcedores se envolveu em uma briga na Praia da Macumba, também localizada na Zona Oeste do Rio. Os confrontos recorrentes levantam questões sobre a segurança nos eventos que envolvem a equipe, especialmente em competições internacionais como a Conmebol Libertadores.

Em 2020, um episódio trágico marcou a vinda dos torcedores do Peñarol ao Rio, quando um torcedor do Flamengo foi espancado até a morte por integrantes da torcida uruguaia. O incidente gerou uma série de medidas de segurança em jogos subsequentes, mas a reincidência de atos violentos levanta dúvidas sobre a eficácia dessas ações.

Ataques a comerciantes e prejuízos

Os comerciantes da região foram duramente impactados pela violência. Além de ter seus estabelecimentos saqueados, muitos perderam equipamentos e mercadorias, que foram destruídos ou roubados pelos torcedores. Mesas, cadeiras e outros itens foram utilizados como barricadas e armas improvisadas, transformando o que deveria ser um dia normal de trabalho em um verdadeiro pesadelo.

A área da Praça do Pontal, próxima à praia, foi uma das mais atingidas pelos ataques. O clima de medo e incerteza tomou conta dos comerciantes locais, que viram seus negócios serem depredados em questão de minutos, sem poderem fazer nada para impedir a turba enfurecida.

Medidas de segurança e escolta

Diante da gravidade da situação, as autoridades tomaram medidas drásticas para garantir a segurança do evento esportivo da noite. A Polícia Militar anunciou que os torcedores envolvidos nos atos de vandalismo seriam escoltados para fora do estado e que não poderiam assistir ao jogo entre Botafogo e Peñarol no estádio. A decisão foi tomada para evitar novos confrontos e garantir a integridade dos demais torcedores que comparecerão à partida.

A Conmebol, organizadora da Libertadores, foi informada das medidas, e a partida entre Botafogo e Peñarol deverá ocorrer com um esquema de segurança reforçado, visando evitar novos incidentes.

A repercussão dos acontecimentos rapidamente se espalhou pelas redes sociais e meios de comunicação, com muitos questionando a falta de um planejamento mais eficaz por parte das autoridades para conter os torcedores uruguaios. Além disso, a reincidência de episódios violentos envolvendo o Peñarol no Brasil levanta debates sobre as medidas que devem ser tomadas em futuras partidas, principalmente em eventos de grande porte como a Libertadores.

Os moradores do Recreio dos Bandeirantes também expressaram indignação com os atos de vandalismo que afetaram a rotina da região. Para muitos, a presença de torcedores violentos tem transformado o bairro em um lugar de constante preocupação durante eventos esportivos internacionais.

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