Dólar bate 5,903 às 15h35 de sexta-feira e reflete tensões globais e internas

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Dólar - Mitriakova Valeriia/shutterstock.com

Nesta sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025, o dólar comercial atingiu a marca de 5,903 reais às 15h35, registrando uma variação positiva de 1,25% em relação ao fechamento anterior. O movimento reflete uma combinação de fatores internos e externos que agitaram os mercados financeiros ao longo do dia. No cenário internacional, a escalada das tensões entre os Estados Unidos, liderados por Donald Trump, e a Ucrânia, sob comando de Volodymyr Zelensky, após um embate público na Casa Branca, manteve os investidores em alerta. Já no Brasil, o mercado reagiu à expectativa de novos dados econômicos e à incerteza fiscal, enquanto o real enfrenta pressões diante de um dólar fortalecido globalmente. A cotação oscilou durante o pregão, alcançando um pico de 5,908 reais e uma mínima de 5,823 reais, evidenciando a volatilidade do câmbio.

A alta do dólar ganhou força após o confronto televisionado entre Trump e Zelensky, no qual o presidente americano acusou o ucraniano de “jogar com a Terceira Guerra Mundial” ao resistir a um acordo para encerrar o conflito com a Rússia, iniciado em 2022. A reunião, que culminou na assinatura de um pacto de exploração de minerais raros na Ucrânia, reforçou a percepção de que os EUA estão priorizando interesses econômicos estratégicos em detrimento de uma solução multilateral para a guerra, o que gerou instabilidade nos mercados emergentes, incluindo o Brasil.

Internamente, os investidores monitoraram indicadores econômicos e o noticiário político. A proximidade da divulgação de dados como o IPCA-15, que serve como prévia da inflação oficial, e a continuidade das discussões sobre o Orçamento de 2025 no Congresso mantiveram o real sob pressão. O Banco Central acompanhou o movimento, mas até o fechamento desta matéria, não havia anunciado intervenções no câmbio, deixando o mercado guiado pelas forças globais e locais.

Confronto Trump-Zelensky sacode o câmbio global

O embate entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky na Casa Branca foi o principal catalisador da alta do dólar nesta sexta-feira. Durante os 45 minutos de reunião, Trump pressionou o líder ucraniano a aceitar um acordo com a Rússia, ameaçando cortar o apoio americano caso a resistência persistisse. A tensão explodiu quando Zelensky questionou a leniência de Trump com Vladimir Putin, enquanto o americano retrucou, chamando a postura ucraniana de “desrespeitosa” aos EUA. A cotação do dólar, que abriu o dia em 5,871 reais, disparou após o incidente, refletindo o nervosismo dos investidores com o risco geopolítico.

Além disso, a assinatura do acordo mineral entre EUA e Ucrânia, que concede a Washington acesso a terras raras em troca de segurança, adicionou uma camada de incerteza. Essas reservas, ricas em lítio, cobalto e neodímio, são estratégicas para a indústria tecnológica e militar americana, mas a exclusão da Europa e de Kiev das negociações com Moscou irritou aliados ocidentais, impactando moedas de países dependentes do comércio global, como o real.

Real sente o peso do cenário doméstico

No Brasil, a valorização do dólar também foi influenciada por fatores locais. A expectativa pela divulgação do IPCA-15 na próxima semana, que pode sinalizar os rumos da política monetária do Banco Central, manteve os agentes financeiros cautelosos. Caso a inflação surpreenda para cima, o Copom pode optar por manter ou até elevar a Selic, atualmente em 13,25%, afetando o fluxo de capitais. Paralelamente, as discussões sobre o Orçamento de 2025 seguem em foco, com o governo pressionado a apresentar medidas fiscais concretas para conter o déficit, o que adiciona volatilidade ao câmbio.

Geopolítica em xeque com acordo mineral

O acordo de exploração de minerais raros na Ucrânia, assinado nesta sexta-feira, foi um divisor de águas no pregão. Trump descreveu o pacto como “justo” e um “grande compromisso”, destacando que os lucros das reservas, concentradas no leste ucraniano, irão para os EUA em troca de garantias de proteção contra a Rússia. Zelensky, embora tenha cedido à pressão, afirmou que espera discutir o que os EUA oferecerão além de promessas vagas, evidenciando a fragilidade da posição ucraniana. A cotação do dólar reagiu imediatamente, subindo para 5,908 reais na máxima do dia, à medida que o mercado avaliava as implicações do controle americano sobre esses recursos estratégicos.

Esse movimento reflete uma mudança na política externa dos EUA sob Trump, que desde janeiro busca alinhar-se a Putin enquanto pressiona Kiev por concessões. O pacto mineral, estimado em bilhões de dólares, posiciona os EUA em vantagem na corrida global por terras raras, desafiando a liderança da China no setor. No entanto, a exclusão da União Europeia das negociações e a ausência de garantias claras de cessar-fogo por parte de Moscou mantêm o cenário instável, afetando moedas emergentes como o real.

Pressão interna eleva incerteza no mercado

Internamente, o dólar encontrou terreno fértil para subir diante das incertezas fiscais e econômicas no Brasil. O governo enfrenta dificuldades para aprovar o Orçamento de 2025 no Congresso, com debates sobre cortes de gastos e aumento de benefícios sociais, como o Auxílio Gás, ainda sem definição. A falta de consenso eleva a percepção de risco, afastando investidores estrangeiros e pressionando o real. Às 15h35, quando o dólar atingiu 5,903 reais, o mercado já precificava esse cenário de cautela.

A semana também foi marcada por sinais mistos na economia brasileira. Dados recentes do IBGE mostraram uma taxa de desemprego de 6,2% no último trimestre de 2024, a menor da série histórica, o que aquece o consumo, mas pode pressionar a inflação. Esse quadro mantém o Banco Central em alerta, com analistas projetando que a Selic pode subir ainda mais em 2025 caso os preços não arrefeçam, impactando diretamente o câmbio.

Cronologia da alta do dólar no dia 28

O pregão desta sexta-feira foi marcado por uma escalada contínua do dólar. Veja os principais momentos:

  • 10h00: Dólar abre em 5,871 reais, com leve alta ante o fechamento anterior.
  • 12h53: Cotação sobe para 5,908 reais após o embate Trump-Zelensky na Casa Branca.
  • 14h00: Moeda recua para 5,823 reais, refletindo ajustes momentâneos no mercado.
  • 15h35: Dólar atinge 5,903 reais, consolidando a variação de 1,25% no dia.

Essa trajetória reflete a sensibilidade do câmbio aos eventos globais e às expectativas internas.

Fatores que impulsionaram a cotação

Diversos elementos contribuíram para o dólar fechar em 5,903 reais. No plano externo, o fortalecimento da moeda americana foi puxado pela instabilidade geopolítica e pela percepção de que os EUA estão consolidando vantagens econômicas com o acordo mineral. No Brasil, a incerteza fiscal e a proximidade de indicadores econômicos chave mantiveram o real vulnerável. A ausência de intervenções do Banco Central no câmbio ao longo do dia também permitiu que a cotação seguisse a dinâmica do mercado internacional.

Entre os destaques do pregão, estão os seguintes pontos que influenciaram o dólar:

  • Alta após o confronto televisionado entre Trump e Zelensky.
  • Assinatura do acordo mineral entre EUA e Ucrânia.
  • Expectativa pelo IPCA-15 e rumos da Selic no Brasil.
  • Falta de definição sobre o Orçamento de 2025 no Congresso.

Esses fatores combinados sustentaram a valorização da moeda ao longo do dia.

Impactos do dólar forte no Brasil

Com o dólar a 5,903 reais, os efeitos no Brasil começam a ser sentidos. A alta da moeda americana encarece importações, como combustíveis e insumos industriais, podendo alimentar a inflação em um momento em que o Banco Central já enfrenta desafios para conter os preços. Para os consumidores, isso significa um aumento no custo de produtos importados e de itens atrelados ao câmbio, como eletrônicos e alimentos à base de trigo.

No mercado financeiro, a Bovespa reagiu com queda de 1,67%, fechando em 122.710,88 pontos, refletindo o impacto do dólar forte e da incerteza global. Empresas exportadoras, por outro lado, podem se beneficiar da valorização, já que seus lucros em reais tendem a crescer com a conversão de receitas em dólar. A volatilidade, no entanto, mantém os investidores cautelosos, especialmente diante da falta de clareza sobre as políticas fiscais do governo.

O que esperar do câmbio nos próximos dias

A cotação do dólar a 5,903 reais às 15h35 desta sexta-feira sinaliza um fim de semana de incertezas para o mercado. No cenário internacional, as negociações entre EUA e Rússia, mediadas por Trump, seguem no radar, assim como as reações da Europa ao acordo mineral com a Ucrânia. A possibilidade de um cessar-fogo no conflito russo-ucraniano permanece incerta, o que pode manter o dólar em patamares elevados, pressionando moedas emergentes.

No Brasil, a divulgação do IPCA-15 na próxima semana será decisiva para os rumos do câmbio. Um índice acima do esperado pode reforçar apostas em uma Selic mais alta, atraindo capitais, mas também elevando o custo de vida. Enquanto isso, o governo precisa avançar nas negociações do Orçamento de 2025 para reduzir a percepção de risco fiscal, que tem pesado sobre o real. Até lá, o mercado deve continuar sensível a cada novo desenvolvimento, com o dólar refletindo tanto as tensões globais quanto as fragilidades internas.

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