Uma sequência incomum de frentes frias e áreas de baixa pressão deve espalhar chuva por grande parte do Sul, Sudeste e Centro-Oeste a partir desta quarta-feira (10), em período que normalmente registra estiagem.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê acumulados que podem superar 100 milímetros em pontos isolados, acompanhados de ventos entre 60 km/h e 100 km/h, além de risco de granizo.
Pelo menos 11 estados e o Distrito Federal estão na mira da instabilidade: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rondônia.
Onde a chuva deve ser mais forte
Os maiores volumes estão previstos para Mato Grosso do Sul, Paraná e interior de São Paulo. Modelos indicam que várias áreas podem registrar acima de 50 mm, com picos próximos ou superiores a 100 mm em locais específicos.
No Mato Grosso do Sul, a precipitação deve ocorrer em vários momentos, com trovoadas e possibilidade de temporais localizados. No Paraná e em Santa Catarina, a chuva deve ser frequente até sexta-feira (12), com rajadas de vento e granizo.
Em São Paulo, o interior concentra os maiores acumulados, especialmente nas regiões próximas às divisas com Mato Grosso do Sul e Paraná. A instabilidade deve avançar gradualmente para outras partes do estado ao longo da semana.
Minas Gerais também registra previsão de pancadas fortes e localizadas, com destaque para o Triângulo Mineiro e o sul do estado.
Chuva em época de estiagem
O que chama atenção é o timing do fenômeno. Junho marca o início da estação seca no Centro-Oeste e em grande parte do Sudeste, quando as chuvas costumam ser raras e de baixo volume. Cidades como Brasília, Goiânia e Cuiabá concentram a maior parte da precipitação anual entre novembro e março.
De acordo com a Climatempo, algumas localidades podem registrar em menos de duas semanas mais chuva do que a média histórica de todo o mês de junho, que varia entre 20 mm e 80 mm na maior parte dessas regiões.
Causas da mudança no padrão
A instabilidade resulta da atuação sucessiva de sistemas meteorológicos sobre a América do Sul. Uma nova área de baixa pressão ganha força entre o Paraguai, o Sul e o Centro-Oeste nesta quarta, favorecendo nuvens carregadas.
Na quinta (11), o sistema deve gerar uma nova frente fria associada a um ciclone extratropical no oceano. Outra rodada de instabilidade é esperada entre 17 e 19 de junho.
Riscos e impactos no campo
Além dos volumes elevados, o Inmet mantém alerta laranja para tempestades no Sul, com chuva intensa, ventania e granizo. A combinação pode causar alagamentos, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia.
Para o agronegócio, a chuva chega em momento relevante para o milho safrinha em áreas do Centro-Sul. Volumes moderados podem trazer alívio em lavouras que enfrentavam risco de déficit hídrico, mas temporais com granizo representam ameaça de danos diretos às plantas.
A instabilidade deve persistir ao longo da segunda quinzena de junho e se estender até os primeiros dias do inverno, que começa em 21 de junho.

