Como Harry e Meghan construíram uma fortuna após deixar a realeza

Meghan and Harry

Meghan and Harry - Foto: Mr Pics / Shutterstock.com

A decisão do príncipe Harry e da duquesa Meghan Markle de abandonar seus papéis como membros sêniores da Família Real britânica em janeiro de 2020 marcou o início de uma nova fase para o casal. Desde então, eles se estabeleceram nos Estados Unidos, mais precisamente na Califórnia, onde construíram uma vida independente, longe das obrigações reais e da intensa exposição midiática no Reino Unido. Hoje, com dois filhos, Archie e Lilibet, o casal não apenas mantém um estilo de vida confortável, mas também se destaca como empreendedores, utilizando suas plataformas para negócios e filantropia. A estreia da série “With Love, Meghan” na Netflix, em 4 de março de 2025, é apenas o mais recente capítulo de uma trajetória marcada por contratos milionários, projetos criativos e um reposicionamento estratégico de suas imagens públicas.

Mudar-se para os Estados Unidos representou mais do que uma troca de endereço para Harry e Meghan. Foi uma resposta à frustração com a mídia britânica e às limitações impostas pela Coroa, que os impedia de desenvolver plenamente a marca “SussexRoyal”. Após deixarem o Reino Unido, eles abriram mão de títulos como Sua Alteza Real (HRH) e de compromissos oficiais, mas mantiveram os títulos de duque e duquesa de Sussex, além de garantirem que seus filhos recebessem os títulos de príncipe e princesa após a ascensão de Charles ao trono.

O sucesso financeiro do casal é evidente. Com uma combinação de heranças, acordos comerciais e iniciativas próprias, eles transformaram sua saída da realeza em uma oportunidade de independência econômica. A seguir, exploramos como Harry e Meghan deixaram a realeza e construíram uma fortuna que sustenta sua vida na América.


O que levou Harry e Meghan a abandonar a realeza

A saída de Harry e Meghan da Família Real não foi uma decisão impulsiva. O casal, que se conheceu em 2016 e se casou em maio de 2018 na Capela de São Jorge, em Windsor, enfrentou desafios significativos dentro da estrutura monárquica. A constante invasão da imprensa britânica em suas vidas pessoais foi um fator determinante, gerando um desgaste que Harry, em particular, associava à trágica experiência de sua mãe, Diana, princesa de Gales. Além disso, a impossibilidade de desenvolver a marca “SussexRoyal” como desejavam, devido a restrições impostas pelo Palácio de Buckingham, intensificou a sensação de sufocamento.

Em janeiro de 2020, eles anunciaram que deixariam de ser membros sêniores da realeza, buscando uma vida mais autônoma. A transição foi concluída com a mudança para a Califórnia em junho daquele ano, onde disseram querer espaço para criar Archie, nascido em 2019, e, posteriormente, Lilibet, nascida em 2021. A decisão também refletiu o desejo de escapar das pressões de um sistema que, segundo Harry, não oferecia a segurança e a liberdade que ele julgava essenciais para sua família.

Após a saída, o casal perdeu o direito a uma residência oficial no Reino Unido. Em 2023, eles foram convidados a desocupar Frogmore Cottage, uma propriedade histórica em Windsor que havia sido um presente da rainha Elizabeth II. Esse marco simbolizou o rompimento definitivo com a vida real britânica, consolidando os Estados Unidos como seu novo lar.


Uma nova vida na Califórnia

Estabelecer-se na Califórnia trouxe ao casal um ambiente mais reservado e propício aos seus planos. Desde junho de 2020, Harry e Meghan vivem em Montecito, uma cidade conhecida por sua privacidade e por atrair celebridades. A mudança foi oficializada em documentos arquivados em abril de 2024, quando Harry declarou os Estados Unidos como seu país de residência habitual, encerrando especulações sobre um possível retorno ao Reino Unido.

A escolha pela Califórnia não foi aleatória. Além de oferecer um refúgio da mídia britânica, a proximidade com Hollywood facilitou parcerias com gigantes do entretenimento, como Netflix e Spotify. A segurança, porém, permaneceu uma preocupação constante. Após perderem o nível de proteção policial fornecido aos royals em atividade, Harry entrou com ações judiciais contra o governo britânico para garantir arranjos de segurança adequados durante visitas ao Reino Unido, um processo que continua em andamento na Corte de Apelação.

A vida nos Estados Unidos também reflete uma conexão pessoal para Harry. Em dezembro de 2024, ele declarou que sua existência na América era o que sua mãe, Diana, teria desejado para ele, destacando a busca por uma vida mais livre e segura para sua família.


Fontes de renda que sustentam o império Sussex

Harry e Meghan transformaram sua saída da realeza em uma oportunidade de negócios impressionante. Quando eram royals ativos, 95% de sua renda anual vinha do então príncipe de Gales, Charles, com os 5% restantes do Sovereign Grant, financiado por contribuintes. Após deixarem esses papéis, Charles forneceu uma quantia significativa para ajudá-los na transição, mas desde então o casal se tornou financeiramente independente por meio de uma série de empreendimentos.

A fundação Archewell, criada por eles, serve como base para suas iniciativas de filantropia e negócios. Em fevereiro de 2024, o lançamento do site Sussex.com destacou sua missão de “moldar o futuro por meio de negócios e filantropia”. Entre os projetos mais lucrativos estão os contratos com plataformas de streaming. A Archewell Productions assinou um acordo multimilionário com a Netflix, produzindo conteúdos como o documentário “Harry & Meghan”, a série “Heart of Invictus” e, mais recentemente, “With Love, Meghan”, lançada em março de 2025, que combina dicas práticas de estilo de vida com conversas pessoais.

Outro pilar financeiro é a American Riviera Orchard, marca de lifestyle lançada por Meghan em março de 2024. Embora detalhes sejam escassos, imagens de potes de geleia com a marca sugerem foco em produtos alimentícios, alinhando-se à persona de Meghan como entusiasta de culinária e bem-estar.


Contratos milionários e projetos criativos

Os acordos com a Netflix representam uma das maiores fontes de renda do casal. Além da série documental que revelou detalhes sobre sua vida na realeza, a Archewell Productions lançou “Polo” em dezembro de 2024, explorando o mundo do esporte profissional, e “With Love, Meghan”, que estreou em março de 2025. Esses projetos reforçam a imagem de Meghan como uma figura acessível e multifacetada, enquanto aproveitam a popularidade global do casal.

No universo dos podcasts, o casal também deixou sua marca. Um contrato de US$ 25 milhões com o Spotify resultou na série “Archetypes”, apresentada por Meghan, que discutiu temas femininos com convidadas famosas até o fim do acordo em junho de 2023. Em fevereiro de 2024, Meghan anunciou uma nova parceria com a Lemonada Media, com um podcast previsto para 2025, sinalizando a continuidade de sua presença nesse mercado.

A literatura também contribuiu para a fortuna do casal. O livro “Spare”, memoir de Harry lançado em janeiro de 2023, vendeu 467.183 cópias na primeira semana, abordando sua relação com a família real e o luto pela morte de Diana. Parte dos lucros foi doada às instituições de caridade Sentebale e WellChild. Meghan, por sua vez, publicou “The Bench”, um livro infantil, em 2021, reforçando sua versatilidade criativa.


Heranças e passado de atriz

Além dos negócios, heranças familiares desempenham um papel crucial na estabilidade financeira do casal. Harry e seu irmão, William, dividiram a maior parte da fortuna de £ 13 milhões deixada por Diana em 1997. Em entrevista a Oprah Winfrey em 2021, Harry revelou que esse dinheiro financiou a mudança para os Estados Unidos. Há especulações de que ele também recebeu milhões da rainha-mãe, sua bisavó, embora não haja confirmação sobre heranças de Elizabeth II.

Antes de se tornar duquesa, Meghan construiu uma carreira sólida como atriz. Durante sete anos, ela interpretou Rachel Zane na série “Suits”, recebendo cerca de US$ 50 mil por episódio, totalizando mais de 100 episódios. Esse histórico no entretenimento facilitou sua transição para projetos de mídia após a realeza, trazendo experiência e credibilidade às suas produções.

A combinação de heranças e ganhos passados com os lucros atuais demonstra como o casal diversificou suas fontes de renda, garantindo uma base financeira robusta para sustentar sua vida na Califórnia.


Cronograma dos principais marcos de Harry e Meghan

A trajetória do casal desde a saída da realeza é marcada por eventos significativos que moldaram sua nova vida. Confira os destaques:

  • Janeiro de 2020: Anúncio da saída como membros sêniores da Família Real.
  • Junho de 2020: Mudança para a Califórnia, início da vida nos EUA.
  • Junho de 2021: Nascimento de Lilibet, segunda filha do casal.
  • Janeiro de 2023: Lançamento de “Spare”, memoir de Harry.
  • Março de 2024: Revelação da American Riviera Orchard, marca de Meghan.
  • Março de 2025: Estreia de “With Love, Meghan” na Netflix.

Esses momentos ilustram a rapidez com que Harry e Meghan se adaptaram, construindo uma presença sólida no mercado americano.


Disputas legais e segurança em foco

Proteger a família tem sido uma prioridade para Harry, levando-o a enfrentar batalhas judiciais no Reino Unido. Após perder a segurança automática fornecida aos royals, ele questionou o governo britânico sobre os arranjos oferecidos. Em fevereiro de 2024, o Supremo Tribunal decidiu que a abordagem do Home Office era legal, mas em junho seus advogados obtiveram permissão para recorrer na Corte de Apelação. Ele também tentou, sem sucesso, pagar por proteção policial adicional.

Paralelamente, Harry enfrentou a imprensa britânica em tribunais. Em fevereiro de 2024, ele venceu uma ação contra a Mirror Group Newspapers, recebendo danos substanciais por invasão de privacidade. Em janeiro de 2025, um acordo com a News Group Newspapers trouxe um pedido de desculpas e indenização por intrusões entre 1996 e 2011. Uma ação contra a Associated Newspapers, editora do Daily Mail, segue em andamento, refletindo sua determinação em combater abusos midiáticos.

Essas disputas mostram como Harry busca equilibrar segurança e justiça, enquanto mantém sua vida nos Estados Unidos.


Projetos que definem o futuro do casal

O portfólio de Harry e Meghan continua a crescer, com foco em mídia e lifestyle. A American Riviera Orchard, ainda em desenvolvimento, promete expandir a influência de Meghan no mercado de bem-estar. Na Netflix, a série “With Love, Meghan” destaca sua habilidade em conectar-se com o público, oferecendo um mix de dicas práticas e histórias pessoais, enquanto o podcast com a Lemonada Media, previsto para 2025, reforça sua presença no áudio.

Para complementar seus negócios, o casal mantém compromissos filantrópicos. Harry continua envolvido com os Invictus Games, cuja celebração de 10 anos ocorreu em maio de 2024 em Londres, e a Archewell apoia causas sociais. Esses esforços mostram uma estratégia dupla: lucrar com projetos comerciais enquanto preservam uma imagem de impacto positivo.

Com uma fortuna construída a partir de heranças, contratos e criatividade, Harry e Meghan provam que é possível reinventar-se após a realeza, consolidando-se como figuras influentes na América.

Veja Também