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Novo consignado privado com FGTS atinge 47 milhões de trabalhadores em 2025

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JERO SenneG's/Shutterstock.com JERO SenneG's/Shutterstock.com

Desde o dia 21 de março de 2025, o governo federal colocou em prática o novo crédito consignado privado, uma medida que beneficia cerca de 47 milhões de trabalhadores com carteira assinada no Brasil. Conhecido como “Crédito do Trabalhador”, o programa permite que as parcelas sejam descontadas diretamente na folha de pagamento, eliminando a obrigatoriedade de convênios entre empresas e bancos. Lançado oficialmente em 12 de março pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por meio de uma medida provisória, a iniciativa ainda aguarda a regulamentação do uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia, o que pode reduzir ainda mais os juros, hoje estimados em 2,5% ao mês, segundo o Ministério da Fazenda.

O programa abrange empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), além de trabalhadores rurais, domésticos e contratados por microempreendedores individuais (MEIs). Com a promessa de cortar os juros em até 40% em relação às taxas médias de 2,89% ao mês praticadas em dezembro de 2024, o consignado privado já começou a operar por meio da Carteira de Trabalho Digital, oferecendo acesso a mais de 80 instituições financeiras. O governo estima que a medida injete até R$ 120 bilhões na economia nos próximos anos, triplicando o estoque atual de crédito consignado privado, que era de R$ 40 bilhões antes do lançamento.

A operacionalização inicial, iniciada há poucos dias, tem gerado expectativa entre trabalhadores e bancos. A plataforma digital permite que os empregados solicitem propostas de crédito e escolham as melhores condições, enquanto as instituições financeiras ajustam suas ofertas para competir no mercado. Apesar do avanço, a ausência da garantia do FGTS, cuja regulamentação está prevista para julho, mantém incertezas sobre o alcance total da redução de juros, um ponto destacado por especialistas e pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Funcionamento do consignado privado em 2025

A partir de 21 de março, trabalhadores com carteira assinada passaram a utilizar a Carteira de Trabalho Digital para acessar o novo consignado privado. O processo envolve a autorização para compartilhamento de dados como CPF, margem consignável e tempo de vínculo empregatício, com respostas das instituições financeiras em até 24 horas. Desde 25 de abril, os bancos também começaram a oferecer o crédito diretamente em seus canais digitais, ampliando o alcance da modalidade para quem busca alternativas fora da plataforma governamental.

O limite de comprometimento da renda é de 35% do salário bruto, incluindo benefícios e comissões, o que garante flexibilidade no planejamento financeiro. Para quem já tinha um consignado ativo, a migração para a nova linha foi liberada em 25 de abril, enquanto a portabilidade entre bancos entrou em vigor em 6 de junho. A integração com o eSocial tem facilitado a gestão dos descontos, mas a falta de regulamentação do FGTS – que prevê o uso de 10% do saldo e 100% da multa rescisória como garantia – ainda impede uma queda mais expressiva nas taxas, mantendo o risco de inadimplência como preocupação para os bancos.

Primeiros resultados e expectativas econômicas

Dados preliminares de março indicam que milhares de trabalhadores já aderiram ao programa, com um volume inicial de contratações que supera as expectativas do governo. A taxa média de juros, que caiu de 2,89% ao mês em dezembro de 2024 para cerca de 2,5% em março de 2025, reflete o impacto da concorrência entre as mais de 80 instituições participantes. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, projeta que o programa alcance 19 milhões de celetistas em quatro anos, triplicando o acesso ao crédito consignado privado em relação aos 3,8 milhões beneficiados pela modalidade tradicional até o início deste ano.

Bancos como Itaú, Bradesco e Santander, além de fintechs, têm ajustado suas estratégias para atrair esse novo público, especialmente empregados de pequenas e médias empresas, antes excluídos devido à falta de convênios. A Febraban estima que o estoque de crédito passe de R$ 40 bilhões para R$ 120 bilhões até 2029, com um impacto significativo no consumo e na economia. No entanto, a ausência de um teto fixo para os juros, decisão alinhada com os interesses do setor financeiro, levanta debates sobre a proteção aos trabalhadores contra possíveis abusos.

Cronograma atualizado do programa

O “Crédito do Trabalhador” segue um calendário que reflete os ajustes feitos em 2025. Veja as etapas principais:

  • 21 de março: Início das operações pela Carteira de Trabalho Digital, com adesão inicial de milhares de trabalhadores.
  • 25 de abril: Liberação para contratações diretas nos canais dos bancos e migração de contratos existentes.
  • 6 de junho: Início da portabilidade, com trabalhadores buscando melhores taxas entre instituições.
  • Julho: Prazo esperado para regulamentação do FGTS como garantia, podendo reduzir juros ainda mais.

A plataforma integrada ao eSocial e à Carteira de Trabalho Digital tem se mostrado eficiente, mas ajustes estão em andamento para corrigir falhas como atrasos no processamento de algumas solicitações, relatados por usuários nas primeiras semanas.

Vantagens e desafios em andamento

Com o programa em pleno funcionamento, os 47 milhões de trabalhadores formais – incluindo 2,2 milhões de domésticos e 4 milhões de rurais – agora têm acesso a um crédito mais barato. A modalidade tem sido elogiada por eliminar barreiras burocráticas, mas o risco de endividamento preocupa especialistas, já que o limite de 35% do salário pode pressionar orçamentos familiares. Bancos relatam alta demanda, mas apontam que a falta de garantia do FGTS ainda limita a oferta de taxas mais competitivas.

O que diferencia o consignado privado em 2025

O programa se destaca por características únicas em relação à modalidade anterior:

  • Acesso ampliado: Qualquer trabalhador CLT pode contratar, sem necessidade de convênios.
  • Desconto automático: Parcelas deduzidas diretamente do salário, reduzindo inadimplência.
  • Concorrência: Mais de 80 instituições competem, pressionando os juros para baixo.
  • Flexibilidade: Migração e portabilidade disponíveis desde abril e junho, respectivamente.

A expectativa é que, com a regulamentação do FGTS, os benefícios se ampliem, especialmente para trabalhadores de baixa renda.

Perspectivas para o restante do ano

À medida que 2025 avança, o consignado privado consolida-se como uma ferramenta de inclusão financeira. O governo destaca que a medida, lançada em um contexto de recuperação econômica, já mostra sinais de estímulo ao consumo. Com a aprovação da medida provisória pendente no Congresso até julho, o programa pode ganhar ainda mais força, especialmente se as garantias do FGTS forem implementadas, reduzindo os juros para patamares próximos aos de servidores públicos (1,8% ao mês) e aposentados (1,66% ao mês).

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