Novo Geely EX5 elétrico chega em julho e promete rivalizar com BYD e GWM no Brasil

Geely EX5

Geely EX5 - Foto: Divulgação

A Geely, gigante chinesa do setor automotivo, está pronta para estrear no Brasil em julho com o SUV elétrico EX5, marcando sua entrada no mercado nacional por meio de uma parceria estratégica com a Renault. O modelo, que terá 4,62 metros de comprimento e autonomia de até 530 km, será vendido inicialmente em 23 concessionárias distribuídas por 19 cidades, com planos de expansão para 105 pontos de venda em todo o país. A operação será gerenciada pela Renault, que cederá sua estrutura de distribuição e, futuramente, a fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná, para a produção local de veículos da marca chinesa a partir de 2026. Com 218 cv de potência e um pacote tecnológico que inclui tela de 15,4 polegadas e assistente virtual, o EX5 chega para competir diretamente com modelos como BYD Yuan Plus e GWM Haval H6. A parceria também reflete o avanço da Geely na América do Sul, aproveitando a expertise de mais de 25 anos da Renault no mercado brasileiro.

O EX5, apresentado como um produto global da Geely, traz dimensões que o colocam entre os SUVs médios, com 1,90 m de largura, 1,67 m de altura e 2,75 m de entre-eixos, ligeiramente menor que o BYD Song Plus. Seu motor elétrico entrega 32,6 kgfm de torque, e a bateria de 60,2 kWh promete alcance otimizado para o ciclo chinês, que é mais generoso que os padrões do Inmetro. Equipado com teto solar panorâmico, faróis de LED e um conjunto completo de assistências à condução, o modelo aposta em design moderno e tecnologia para atrair o consumidor brasileiro, que já vê os elétricos ganharem espaço: em 2024, as vendas de veículos eletrificados no país quase triplicaram, atingindo mais de 150 mil unidades.

Enquanto a importação inicial será feita pelo Porto de Paranaguá, a Geely planeja uma transição para a produção local, aproveitando o complexo fabril da Renault no Paraná. A parceria, que inclui um investimento da Geely como acionista minoritária da Renault do Brasil, visa acelerar a entrada da marca chinesa em um mercado dominado por rivais como BYD e Great Wall Motors (GWM), que já anunciaram fábricas próprias no país. Até 2027, pelo menos dois modelos da Geely devem ser fabricados localmente, reduzindo custos de importação e fortalecendo sua competitividade.

Primeiros passos da Geely no Brasil

A chegada do EX5 marca o retorno da Geely ao Brasil, após uma passagem breve entre 2014 e 2016, quando trouxe o sedã EC7 e o subcompacto GC2 por meio do Grupo Gandini. Desta vez, a estratégia é mais robusta, com a Renault como aliada. As 23 concessionárias iniciais, abertas em julho, serão o ponto de partida de uma rede que crescerá para 105 pontos, cobrindo capitais e cidades estratégicas. A operação será estruturada para manter a Geely como marca independente, com espaços físicos distintos nas lojas Renault, embora compartilhando a infraestrutura de vendas e serviços.

Em São Paulo, o evento de apresentação do EX5 destacou o foco da Geely em oferecer um SUV elétrico que combine desempenho e praticidade. A bateria de 60,2 kWh, aliada ao carregamento rápido, permite recargas completas em tempos competitivos, embora detalhes específicos sobre a infraestrutura de recarga no Brasil ainda estejam em aberto. A escolha do EX5 como modelo de estreia reflete a aposta da marca no segmento de SUVs, que domina mais de 40% das vendas de veículos novos no país.

A parceria com a Renault também traz vantagens logísticas. O Porto de Paranaguá, próximo à fábrica de São José dos Pinhais, será a porta de entrada dos primeiros lotes importados da China, enquanto a produção local é planejada para começar entre 2026 e 2027. Esse cronograma posiciona a Geely para competir com BYD, que já produz em Camaçari, na Bahia, e GWM, que terá fábrica em Iracemápolis, São Paulo, ainda em 2025.

Características do Geely EX5

  • Dimensões generosas: 4,62 m de comprimento e 2,75 m de entre-eixos, ideal para famílias.
  • Motor elétrico: 218 cv e 32,6 kgfm, com autonomia de até 530 km no ciclo chinês.
  • Tecnologia embarcada: Tela de 15,4 polegadas e assistente virtual com 200 comandos de voz.
  • Equipamentos: Teto solar, faróis de LED e pacote ADAS completo.

Parceria estratégica com a Renault

A colaboração entre Geely e Renault é um marco no mercado automotivo brasileiro. A Renault, presente no país há mais de 25 anos, oferece à Geely uma base sólida com sua fábrica em São José dos Pinhais, que tem capacidade para 380 mil veículos por ano, e uma rede de mais de 300 concessionárias. Luiz Pedrucci, CEO da Renault no Brasil, afirmou que a parceria começa com a gestão das vendas do EX5, mas evoluirá para a produção local, com as marcas mantendo identidades separadas e, eventualmente, competindo entre si.

A Geely, por sua vez, aporta capital como acionista minoritária da Renault do Brasil, garantindo acesso à infraestrutura existente. Michael Gao, gerente geral da Geely, destacou que a experiência da Renault no mercado local é um diferencial, permitindo que a marca chinesa chegue com respaldo desde o início. A fábrica no Paraná, inaugurada em 1998, já produz modelos como Kardian, Duster e Oroch, e passará por adaptações para incluir elétricos e híbridos da Geely nos próximos anos.

Essa aliança não é novidade entre as duas empresas. Na Coreia do Sul, a Geely detém 34% da Renault Korea Motors, resultando em produtos como o Grand Koleos, um SUV híbrido plug-in que usa a plataforma CMA do Volvo XC40 e chegará ao Brasil em 2025. Outro fruto da parceria é a Horse, joint-venture global de motores que abastece a linha Renault com propulsores turbo de 1.0 e 1.3 litro, mostrando a sinergia técnica que agora se estende ao Brasil.

Geely EX5 – Foto: Divulgação

Geely no mercado global

A Geely é uma potência automotiva, com 2,17 milhões de veículos vendidos em 2024 e um portfólio que inclui Volvo, Zeekr, Lynk & Co e Lotus. Fundada em 1986 na China, a empresa entrou no setor automotivo em 1997 e hoje é sediada em Hangzhou. Sua expansão na América do Sul, com o Brasil como foco, responde às barreiras tarifárias impostas por Estados Unidos e Europa, que elevaram os impostos sobre elétricos chineses para até 100% e 45%, respectivamente. Em 2024, o Brasil se tornou o segundo maior destino de exportação de elétricos e híbridos chineses, com 152 mil unidades, atrás apenas da Bélgica.

O EX5, lançado como um produto global, já é vendido na China com a bateria de 60,2 kWh, mas versões com 49,5 kWh (440 km de autonomia) também estão disponíveis em outros mercados. A escolha da versão mais potente para o Brasil reflete a demanda por maior alcance, essencial em um país com infraestrutura de recarga ainda em desenvolvimento, com cerca de 3.500 pontos públicos em 2024.

A estratégia da Geely no Brasil difere da de suas marcas irmãs. Volvo e Zeekr operam de forma independente no país, com a primeira focada em modelos premium e a segunda em elétricos de luxo, como o Zeekr 001. A Geely, por outro lado, mira o segmento de SUVs médios acessíveis, competindo com BYD Song Plus (R$ 229 mil) e GWM Haval H6 (R$ 209 mil), embora os preços do EX5 ainda não tenham sido divulgados.

Concorrência no segmento de elétricos

O mercado brasileiro de elétricos está em plena expansão, e o Geely EX5 chega em um momento de forte concorrência. O BYD Yuan Plus, com 204 cv e 427 km de autonomia, é um dos líderes do segmento, vendido por cerca de R$ 199 mil. O GWM Haval H6, híbrido plug-in com 393 cv combinados, oferece 540 km de alcance total e custa em torno de R$ 209 mil. Outros rivais incluem o Chery Tiggo 8 Pro híbrido (R$ 239 mil) e o futuro Kia EV3, previsto para 2026 com até 600 km de autonomia e preços próximos de R$ 250 mil.

O EX5 se destaca pelo porte maior e pela autonomia de 530 km, mas seu sucesso dependerá do preço final e da adaptação ao ciclo do Inmetro, que tende a reduzir os números otimistas do padrão chinês. A parceria com a Renault também dá à Geely uma vantagem inicial em distribuição, algo que BYD e GWM construíram do zero ao longo dos últimos anos.

A ascensão dos elétricos no Brasil é evidente. Em 2024, o segmento cresceu quase três vezes, puxado por incentivos fiscais e pela chegada de marcas chinesas. A Geely, com o EX5, entra nessa disputa mirando consumidores que buscam SUVs espaçosos e tecnológicos, mas terá que enfrentar a consolidação de rivais que já dominam o mercado local.

Tecnologia e conforto do EX5

A cabine do Geely EX5 segue o padrão dos elétricos chineses modernos, com foco em telas grandes e poucos botões físicos. A central multimídia de 15,4 polegadas, integrada ao painel digital, suporta 200 comandos de voz, cobrindo funções como climatização, navegação e entretenimento. O assistente virtual, alimentado por inteligência artificial, é um dos destaques, prometendo interação fluida com o motorista.

O espaço interno é outro ponto forte, com 2,75 m de entre-eixos que garantem conforto para cinco ocupantes. O porta-malas, embora não detalhado, deve seguir a tendência de SUVs médios, com capacidade próxima de 450 litros, similar ao BYD Song Plus. Itens como teto solar panorâmico e faróis de LED reforçam o apelo premium, enquanto o pacote ADAS inclui frenagem autônoma, controle de cruzeiro adaptativo e assistente de permanência em faixa.

O motor de 218 cv oferece torque instantâneo, típico de elétricos, e a bateria de 60,2 kWh suporta carregamento rápido, embora a potência exata dos carregadores compatíveis não tenha sido revelada. Em testes na China, o EX5 demonstrou eficiência energética, mas o desempenho real no Brasil dependerá de fatores como temperatura e qualidade das estradas.

Desafios para o EX5 no Brasil

A infraestrutura de recarga é um obstáculo para o sucesso do Geely EX5. Com apenas 3.500 pontos públicos em 2024, concentrados em grandes cidades, o Brasil ainda está longe de mercados como a Europa, onde a Noruega tem mais de 20 mil eletropostos. A promessa de produção local em 2026 pode incluir parcerias para expandir a rede, mas, até lá, os compradores do EX5 dependerão de carregadores domésticos ou estações urbanas.

O preço será outro desafio. Embora estimativas apontem para algo entre R$ 200 mil e R$ 250 mil, a ausência de produção local inicial eleva os custos de importação, sujeitos a impostos que podem encarecer o modelo frente a rivais como o BYD Yuan Plus. A Geely e a Renault planejam contornar isso com a fabricação em São José dos Pinhais, mas até 2026 o EX5 terá que competir em desvantagem.

A adaptação ao clima brasileiro também será crucial. Temperaturas altas, comuns no país, podem reduzir a autonomia da bateria, como já observado em outros elétricos. A Geely precisará ajustar o EX5 para manter seu alcance próximo dos 530 km anunciados, algo que o Inmetro testará antes da comercialização.

Produção local em São José dos Pinhais

A fábrica da Renault em São José dos Pinhais, com 2,5 milhões de metros quadrados, é um trunfo da parceria. Atualmente, produz 380 mil veículos e 400 mil motores por ano, mas opera abaixo da capacidade total. A chegada da Geely deve aumentar a utilização, com investimentos para adaptar a linha a elétricos e híbridos. Luiz Pedrucci confirmou que o processo está em aprovação, com previsão de início entre 2026 e 2027.

A produção local reduzirá custos de importação e permitirá à Geely oferecer preços mais competitivos. Além do EX5, outro modelo está nos planos, possivelmente um híbrido baseado na plataforma multimodal da marca, que suporta combustão, eletricidade e combinações híbridas. Isso posicionará a Geely contra BYD e GWM, que já têm fábricas em construção no Brasil.

A sinergia com a Renault também beneficia a francesa, que otimiza sua planta e expande o portfólio de eletrificados. A Horse, joint-venture global das duas marcas, já fornece motores turbo para a linha Renault no Brasil, e a produção de elétricos pode incluir tecnologias compartilhadas, como baterias e sistemas de gestão energética.

Cronograma da Geely no Brasil

A entrada da Geely segue um planejamento claro para consolidar sua presença:

  • Julho de 2025: Início das vendas do EX5 em 23 concessionárias.
  • 2026: Expansão para 105 pontos de venda e início da produção local.
  • 2027: Segundo modelo fabricado em São José dos Pinhais.

Esse calendário reflete a urgência da Geely em ganhar terreno frente a rivais chinesas, aproveitando a estrutura da Renault para acelerar o processo.

Impacto no mercado brasileiro

A chegada do Geely EX5 reforça a onda chinesa no Brasil, que viu as exportações de elétricos e híbridos da China para o país saltarem de 70 mil para 152 mil unidades em 2024. Com BYD, GWM e Chery já estabelecidas, a Geely traz uma nova opção ao segmento de SUVs médios elétricos, aquecendo a competição e pressionando os preços para baixo.

Para os consumidores, o EX5 oferece uma alternativa com porte maior e tecnologia avançada, mas seu sucesso dependerá da precificação e da expansão da rede de recarga. A parceria com a Renault dá à Geely uma vantagem inicial, mas a consolidação no mercado exigirá consistência em pós-venda e adaptação às demandas locais.

O crescimento dos elétricos no Brasil, que representam menos de 2% das vendas totais, ganha um novo impulso com a Geely. A marca, apoiada pela Renault, pode ajudar a acelerar a transição para a mobilidade elétrica, especialmente se a produção local ampliar o acesso a modelos mais acessíveis nos próximos anos.

Expectativas dos consumidores

Os brasileiros aguardam o EX5 com curiosidade, atraídos pelo porte familiar e pela autonomia anunciada. A presença da Renault na operação gera confiança, dado o histórico da marca no país, mas há dúvidas sobre o preço e a disponibilidade de recarga. A rede inicial de 23 concessionárias, focada em grandes cidades, deve atender à demanda inicial, mas a expansão para 105 pontos será essencial para alcançar o interior.

A tecnologia embarcada, como a tela de 15,4 polegadas e o assistente virtual, alinha o EX5 às expectativas de um público que valoriza conectividade. O pacote ADAS e o conforto interno também são atrativos em um segmento onde segurança e espaço são prioridades. A Geely terá que entregar um pós-venda eficiente para competir com BYD e GWM, que já investem em assistência técnica local.

A estreia em julho será um teste para a parceria Geely-Renault. Se bem-sucedida, pode abrir caminho para outros modelos e consolidar a marca chinesa como uma força no mercado brasileiro de elétricos, aproveitando a crescente demanda por veículos sustentáveis.

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