O Corinthians enfrentou um revés inesperado contra o Mirassol, marcando a primeira derrota sob o comando de Dorival Júnior. O técnico, conhecido por sua experiência em grandes clubes, não perdeu tempo e apontou caminhos para corrigir falhas antes de uma sequência de jogos que pode moldar o futuro do clube na temporada. Até o final de maio, o time do Parque São Jorge terá compromissos que exigem precisão e consistência. A pressão aumenta com partidas cruciais na Copa Sul-Americana, um clássico contra o Santos e o confronto de volta pela Copa do Brasil.
O calendário apertado deixa pouco espaço para erros. Dorival, em sua coletiva pós-jogo, destacou a necessidade de ajustes táticos e mentais para evitar novos deslizes. A derrota por 2 a 1 para o Mirassol expôs fragilidades que o treinador pretende sanar rapidamente. Entre os desafios, estão a oscilação em jogos fora de casa e a falta de atenção em momentos cruciais, como na virada do segundo tempo.
A sequência de jogos inclui:
- Mirassol, pelo Brasileirão, fora de casa.
- Racing-URU, pela Sul-Americana, em Montevidéu.
- Santos, clássico pelo Brasileirão, na Neo Química Arena.
- Novorizontino, pela Copa do Brasil, em Itaquera.
- Atlético-MG e Huracán, fechando a maratona com duelos fora.
Estratégias de Dorival para o Corinthians
Dorival Júnior assumiu o Corinthians em abril de 2025, após uma passagem pela seleção brasileira, e trouxe consigo a bagagem de títulos conquistados em clubes como Flamengo e São Paulo. Sua primeira derrota, contra o Mirassol, serviu como alerta para a necessidade de mudanças imediatas. O treinador identificou quatro pontos principais a serem trabalhados, com foco em consistência defensiva, aproveitamento ofensivo, recuperação física e uso estratégico da base. Ele enfatizou que erros coletivos, e não individuais, foram determinantes no resultado adverso.
Na coletiva após o jogo, Dorival destacou a importância de corrigir “apagões” que custaram caro, como os gols sofridos no início do segundo tempo contra Mirassol e América de Cali. A desatenção após o intervalo, segundo ele, abriu espaço para os adversários. O técnico alertou os jogadores no vestiário para a postura agressiva do Mirassol, mas a mensagem não foi absorvida em campo.
A oscilação em jogos fora de casa também preocupa. Em 2025, cinco das sete derrotas do Corinthians ocorreram longe da Neo Química Arena, com três tropeços nos últimos quatro jogos como visitante. Dorival planeja treinos específicos para melhorar a compactação defensiva e a transição rápida em partidas fora de seus domínios.
Desafios na Copa Sul-Americana
O Corinthians ocupa a terceira posição no Grupo C da Copa Sul-Americana, com risco iminente de eliminação. O jogo contra o Racing-URU, marcado para o dia 15 de maio em Montevidéu, é tratado como uma final. Uma derrota, combinada com outros resultados, pode encerrar a campanha continental do clube antes da rodada final.
Dorival já começou a preparar o elenco para o confronto. Treinos táticos no CT Joaquim Grava focam na marcação alta e na exploração de contra-ataques, estratégias que o treinador considera essenciais contra o estilo agressivo do Racing. A ausência de Memphis Depay, com dores na coxa, é uma preocupação, mas o técnico confia na evolução de outros atacantes, como Héctor Hernández.
A Sul-Americana é prioridade para o Corinthians, que busca repetir o sucesso de 2008, quando chegou às oitavas do torneio. A torcida, conhecida como Fiel, espera que Dorival consiga extrair o melhor do elenco em um momento de alta pressão.
Clássico contra o Santos
O dia 18 de maio reserva um dos jogos mais aguardados do mês: o clássico contra o Santos, na Neo Química Arena. O duelo pelo Brasileirão ocorre menos de 72 horas após a partida no Uruguai, o que aumenta o desafio físico e logístico. Dorival planeja rodar o elenco para evitar lesões, especialmente após críticas recebidas em passagens anteriores por poupar titulares.
A rivalidade com o Santos, intensificada por confrontos históricos, exige uma abordagem cuidadosa. Dorival, que já treinou o Peixe em 2010 e 2016, conhece bem o adversário e aposta na força da torcida para impulsionar o time. Ele destacou a importância de manter o equilíbrio emocional em um jogo que pode elevar a moral do grupo.
Os treinos antes do clássico incluem:
- Simulações de jogadas de bola parada, ponto forte do Santos.
- Trabalho de posse de bola para controlar o ritmo do jogo.
- Reforço na marcação dos pontas santistas, conhecidos pela velocidade.
- Ajustes na saída de bola para evitar pressão alta do adversário.
Copa do Brasil e a busca pela classificação
O confronto de volta contra o Novorizontino, pela terceira fase da Copa do Brasil, está agendado para 21 de maio, na Neo Química Arena. Após a vitória por 1 a 0 no jogo de ida, o Corinthians tem a vantagem, mas Dorival alerta para a necessidade de concentração total. O adversário, que já surpreendeu o Timão em 2023, exige respeito.
O treinador planeja manter o esquema 4-1-4-1, que compactou o meio-campo na estreia contra o Novorizontino. A estratégia deu resultado, reduzindo as finalizações de longa distância, uma das fraquezas do Corinthians sob o comando de Ramón Díaz. Dorival elogiou a atuação de Maycon como volante e de Breno Bidon, que trouxe dinamismo ao setor.
A Copa do Brasil é vista como uma oportunidade de título em 2025, especialmente após a campanha irregular no Brasileirão. O Corinthians, décimo colocado com dez pontos, precisa de vitórias para se afastar da zona de rebaixamento e recuperar a confiança da torcida.
Gestão do elenco e recuperação física
A sequência de seis jogos em 17 dias exige uma gestão cuidadosa do elenco. Dorival criticou o calendário brasileiro, que oferece apenas dois dias e meio de recuperação entre partidas. Ele já sinalizou que fará mudanças na escalação para preservar jogadores-chave, como Memphis Depay e Talles Magno, que acumulam minutos intensos.
No CT, a comissão técnica intensificou o trabalho de prevenção de lesões. Sessões de crioterapia e treinos regenerativos foram incorporados à rotina, especialmente para os atletas que atuarão como visitantes. Dorival também monitora a condição física de André Ramalho, que enfrenta críticas por falhas defensivas.
A rotação do elenco inclui:
- Oportunidades para jovens da base, como Ryan e Arthur Sousa.
- Avaliação de reservas como Alex Santana e Charles no meio-campo.
- Testes com Gustavo Henrique na zaga, alternando com Cacá.
- Uso de Talles Magno como curinga no ataque, variando posições.
Aproveitamento da base corintiana
Dorival tem um histórico de valorização das categorias de base, como demonstrou no Santos e no São Paulo. No Corinthians, ele já deu minutos a jogadores como Breno Bidon e Ryan, que impressionaram nos treinos. A integração de jovens ao elenco principal é uma das prioridades do treinador, que vê na base uma solução para os desafios financeiros do clube.
Contra o Mirassol, Bidon entrou no segundo tempo e trouxe criatividade ao meio-campo, apesar do resultado adverso. Dorival elogiou a postura do jovem, que completou 20 anos em 2025 e já é cotado para assumir a titularidade. A torcida, que sempre apoiou revelações como Marcelinho Carioca e Casagrande, espera que a base volte a ser protagonista.
O treinador planeja escalar mais jovens nos jogos do Brasileirão, reservando os titulares para as copas. Essa estratégia, segundo ele, equilibra o desenvolvimento dos atletas e a competitividade do time.
Histórico de Dorival em momentos decisivos
Dorival Júnior já enfrentou sequências desafiadoras em sua carreira. Em 2022, no Flamengo, ele conquistou a Copa do Brasil e a Libertadores em um intervalo de duas semanas, lidando com um calendário igualmente apertado. No São Paulo, em 2023, levou o clube ao título inédito da Copa do Brasil, superando adversários como Palmeiras e Corinthians.
No Corinthians, o treinador busca repetir o sucesso. Sua experiência em grandes clubes é um trunfo, mas a pressão por resultados imediatos é alta. A torcida, que lota a Neo Química Arena com média de 40 mil pessoas por jogo, espera que Dorival consiga unir o elenco em torno de um objetivo comum.
A trajetória do técnico inclui:
- Títulos paulistas pelo Santos em 2010 e 2016.
- Copa do Brasil com Flamengo (2022) e São Paulo (2023).
- Libertadores com o Flamengo em 2022.
- Passagem pela seleção brasileira entre 2024 e 2025.
Pressão da torcida e ambiente político
A Fiel Torcida, conhecida por sua paixão, também é exigente. Após a goleada sofrida para o Flamengo em abril, antes da chegada de Dorival, faixas de protesto foram exibidas no Parque São Jorge. A derrota para o Mirassol reacendeu críticas nas redes sociais, embora o treinador tenha recebido apoio por seu início promissor, com duas vitórias antes do revés.
O ambiente político do clube, marcado por tensões entre a diretoria de Augusto Melo e conselheiros, adiciona complexidade ao trabalho de Dorival. O diretor Fabinho Soldado, que trouxe o treinador, aposta em sua experiência para acalmar os ânimos. Dorival, por sua vez, mantém o foco no campo, evitando comentar questões administrativas.
Preparação para jogos fora de casa
Os duelos contra Atlético-MG, pelo Brasileirão, e Huracán, pela Sul-Americana, encerram a maratona de maio. Ambos serão disputados fora de casa, o que aumenta a dificuldade. Dorival já começou a estudar os adversários, analisando vídeos de partidas recentes. Contra o Atlético-MG, o treinador espera um jogo físico, enquanto o Huracán deve apostar em bolas longas e pressão na saída de bola.
A logística das viagens também preocupa. O deslocamento para Belo Horizonte e Buenos Aires, em um intervalo de quatro dias, exige planejamento minucioso. A comissão técnica trabalha com a diretoria para garantir voos fretados e hotéis confortáveis, minimizando o desgaste dos jogadores.
Números do Corinthians em 2025
O desempenho do Corinthians na temporada reflete os altos e baixos do time. No Brasileirão, o clube soma três vitórias, um empate e quatro derrotas em oito rodadas, com aproveitamento de 41,7%. Na Sul-Americana, são duas vitórias, dois empates e uma derrota, enquanto na Copa do Brasil o time está invicto, com uma vitória e um empate.
Dorival acredita que os números podem melhorar com ajustes táticos. Ele destacou que o Corinthians finaliza, em média, 12 vezes por jogo, mas converte apenas 10% das chances. A defesa, por outro lado, sofreu 11 gols em 13 partidas, um índice que o treinador considera elevado.
Expectativas para o restante de maio
Os próximos 17 dias serão intensos para o Corinthians. Cada jogo carrega um peso específico, desde a luta pela sobrevivência na Sul-Americana até a busca por pontos no Brasileirão. Dorival, com sua calma característica, transmite confiança ao elenco, mas sabe que os resultados determinarão o rumo da temporada.
A torcida, que já esgotou ingressos para o clássico contra o Santos, promete apoio incondicional. Os jogadores, por sua vez, reconhecem a importância de corresponder em campo. André Ramalho, um dos líderes do elenco, afirmou que o grupo está unido em torno das ideias de Dorival.
Ajustes táticos em andamento
No CT Joaquim Grava, Dorival intensificou os treinos táticos. Ele testou variações do 4-1-4-1, com Charles como segundo volante em algumas sessões, e experimentou Talles Magno como ponta-esquerda, explorando sua velocidade. A ideia é criar alternativas para surpreender adversários como o Racing e o Santos.
O treinador também trabalha a mentalidade do grupo. Após o jogo contra o Mirassol, ele reuniu os jogadores para uma conversa franca, reforçando a importância de manter a concentração durante os 90 minutos. A mensagem parece ter surtido efeito, já que o elenco se mostrou comprometido nos treinos seguintes.
Papel de Memphis Depay
Memphis Depay, apesar da lesão na coxa, segue como peça-chave no esquema de Dorival. O holandês, que marcou quatro gols em 2025, é elogiado por sua capacidade de flutuar entre as linhas e buscar espaços nas costas dos volantes. O treinador acredita que o atacante ainda não atingiu seu auge e planeja utilizá-lo mais próximo da área adversária.
A recuperação de Depay é acompanhada de perto pelo departamento médico. Ele realizou exames após a partida contra o Internacional, e os resultados indicaram uma lesão leve, com previsão de retorno para o clássico contra o Santos. A ausência do jogador contra o Racing pode obrigar Dorival a escalar Héctor Hernández ou Arthur Sousa como referência no ataque.

