A Seleção Brasileira vive um momento de renovação com a chegada de Carlo Ancelotti, técnico italiano anunciado como novo comandante da equipe. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirmou que a primeira convocação do treinador será realizada na próxima segunda-feira, dia 26 de maio, às 15h, em um hotel na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Ancelotti, que deixa o Real Madrid após a última rodada de La Liga, assume a missão de liderar o Brasil nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026, enfrentando Equador e Paraguai em junho.
O treinador, conhecido por sua trajetória vitoriosa na Europa, já trabalha na composição da lista que definirá os 23 jogadores para os próximos desafios. A estreia está marcada para o dia 5 de junho, contra o Equador, em Guayaquil, seguida pelo duelo contra o Paraguai, no dia 10, em São Paulo. A expectativa em torno da convocação cresce, com nomes de clubes brasileiros e europeus sendo especulados.
- Jogos confirmados: Brasil x Equador (5 de junho, Guayaquil) e Brasil x Paraguai (10 de junho, São Paulo).
- Posição do Brasil: Quarto lugar nas Eliminatórias, com 21 pontos.
- Desafio de Ancelotti: Garantir vitórias para consolidar a classificação à Copa de 2026.
Reuniões em Madri moldam a pré-lista
Rodrigo Caetano, diretor executivo de seleções, e Juan, coordenador técnico, viajaram a Madri para encontros com Ancelotti, ainda vinculado ao Real Madrid. As reuniões, realizadas na semana passada, definiram uma pré-lista com 52 nomes, enviada à Fifa até o dia 18 de maio para garantir a liberação obrigatória dos atletas. A lista final, reduzida a 23 jogadores, será anunciada no evento do dia 26. A discrição marcou o processo, com Ancelotti optando por não divulgar os pré-convocados, seguindo um padrão adotado pela CBF até março.
O treinador italiano, que comandará sua última partida pelo Real Madrid contra a Real Sociedad no dia 24 de maio, demonstrou foco na preparação. Durante as conversas em Madri, ele analisou relatórios de partidas do Campeonato Brasileiro e consultou figuras próximas ao futebol nacional. A CBF planeja a apresentação dos jogadores para o dia 2 de junho, em São Paulo, com treinos no CT Joaquim Grava, do Corinthians, antes da viagem a Guayaquil.
Nomes especulados para a convocação
A primeira lista de Ancelotti desperta curiosidade entre torcedores e analistas. Jogadores de clubes como Flamengo, Corinthians, São Paulo, Santos e Cruzeiro aparecem como prováveis escolhas, refletindo a atenção do treinador ao futebol local. Nomes como Oscar, do São Paulo, e Fabrício Bruno, do Cruzeiro, já integraram pré-listas recentes e podem ganhar espaço. O goleiro Hugo, do Corinthians, também foi mencionado como uma opção em contatos da CBF com clubes.
No cenário internacional, atletas experientes que atuam na Europa estão no radar. Casemiro, volante do Manchester United, é apontado como um dos homens de confiança de Ancelotti, com quem trabalhou no Real Madrid. Richarlison, atacante do Tottenham, também figura na pré-lista, apesar de uma temporada irregular. Outros nomes, como Antony, do Betis, e Caio Henrique, do Monaco, foram consultados pelo treinador, indicando a busca por equilíbrio entre juventude e experiência.
- Jogadores do Brasil: Oscar (São Paulo), Fabrício Bruno (Cruzeiro), Hugo (Corinthians).
- Destaques na Europa: Casemiro (Manchester United), Richarlison (Tottenham).
- Novidades potenciais: Antony (Betis), Caio Henrique (Monaco), Alexsandro (Lille).
- Foco do treinador: Combinar talentos locais com estrelas internacionais.
Trajetória de Ancelotti reforça expectativas
Carlo Ancelotti chega à Seleção Brasileira com um currículo invejável. Único técnico a vencer as cinco principais ligas europeias (Itália, Inglaterra, França, Alemanha e Espanha), ele acumula quatro títulos da Liga dos Campeões, dois com o Milan e dois com o Real Madrid. No clube espanhol, onde encerra sua segunda passagem, conquistou 15 troféus, incluindo duas La Liga e três Mundiais de Clubes. Sua experiência como auxiliar da Itália na Copa de 1994, vice-campeã contra o Brasil, adiciona um elemento simbólico ao novo desafio.
O italiano é conhecido por sua versatilidade tática e habilidade em gerir grupos. Em clubes como Juventus, Chelsea, PSG, Bayern de Munique e Napoli, adaptou-se a diferentes elencos, priorizando a valorização das qualidades individuais. Na Seleção, onde o tempo de treino é limitado, essa abordagem será testada. Ancelotti já confidenciou a pessoas próximas que planeja observar o grupo brasileiro antes de definir um modelo de jogo, uma estratégia que pode facilitar a transição após a saída de Dorival Júnior.
Jogos de junho definem rumo nas Eliminatórias
Os confrontos contra Equador e Paraguai são cruciais para o Brasil. Com 21 pontos, a Seleção está na quarta posição das Eliminatórias, empatada com o Uruguai e dois pontos atrás do Equador. A Argentina, líder com 31 pontos, já está praticamente classificada. Duas vitórias em junho podem garantir matematicamente a vaga do Brasil na Copa de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México.
O jogo contra o Equador, no Estádio Monumental Isidro Romero Carbo, será o primeiro teste de Ancelotti. O adversário, vice-líder, aposta na solidez defensiva e no apoio da torcida em Guayaquil. Já o duelo contra o Paraguai, na Neo Química Arena, promete um ambiente favorável ao Brasil, mas exigirá atenção contra uma equipe que também luta por classificação. A CBF organizou a logística para minimizar o desgaste, com voos fretados entre Guayaquil e São Paulo.
- Classificação atual: Argentina (31 pontos), Equador (23), Uruguai (21), Brasil (21).
- Objetivo: Garantir a classificação direta para a Copa de 2026.
- Desafios: Enfrentar o Equador fora de casa e manter o ritmo contra o Paraguai.
Comissão técnica ganha forma
A chegada de Ancelotti também marca a formação de uma nova comissão técnica. Davide Ancelotti, filho do treinador, é presença confirmada como auxiliar, mas avalia seguir carreira solo após a Data Fifa de junho. Mino Fulco, genro de Ancelotti, deve acumular funções de auxiliar e preparador físico. Outro nome cotado é Simone Montanaro, analista de desempenho que trabalhou com o italiano em Napoli, Everton e Real Madrid.
As escolhas refletem a preferência de Ancelotti por profissionais de confiança, uma prática comum em sua carreira. A CBF apoia a estrutura, mas espera que o treinador integre membros do staff brasileiro para facilitar a adaptação. As reuniões em Madri também abordaram a logística dos treinos, com o CT do Corinthians escolhido como base em São Paulo.
Histórico de estrangeiros na Seleção
Ancelotti será o terceiro técnico estrangeiro a comandar a Seleção Brasileira, encerrando uma sequência de quase 60 anos sem um treinador de fora. O primeiro foi o uruguaio Ramón Platero, que dirigiu o Brasil no Campeonato Sul-Americano de 1925, atual Copa América. O segundo, o argentino Filpo Nuñez, comandou um amistoso em 1965, na inauguração do Mineirão. O português Jorge Gomes de Lima, o Joreca, também teve uma breve participação em 1943, mas como auxiliar.
A escolha de Ancelotti reflete a aposta da CBF em um nome de peso para recuperar o protagonismo internacional. A entidade enfrentou críticas pela demora na definição do técnico, especialmente após a saída de Dorival Júnior, em março, após uma goleada para a Argentina. A contratação do italiano, desejo antigo do presidente Ednaldo Rodrigues, foi selada após negociações intensas com o Real Madrid.
Negociações com o Real Madrid
A transição de Ancelotti do Real Madrid para a Seleção envolveu meses de tratativas. O treinador, cujo contrato com o clubes espanhol ia até 2026, enfrentou um cenário de instabilidade após a eliminação na Liga dos Campeões e a perda de terreno na La Liga. O clássico contra o Barcelona, em maio, marcou um ponto de virada, com a derrota por 4 a 3 ampliando a distância para o líder.
O Real Madrid, já com Xabi Alonso como substituto em vista, facilitou a rescisão, mas exigiu o pagamento de uma multa. A CBF, que chegou a considerar Jorge Jesus como alternativa, priorizou Ancelotti, retomando contatos iniciados em 2023. O acordo foi finalizado em maio, com o treinador garantindo um salário de cerca de R$ 5 milhões mensais, além de benefícios como moradia no Rio de Janeiro.
- Contrato: Até a Copa de 2026, com cláusula de rescisão caso o Brasil não se classifique.
- Salário: Aproximadamente R$ 5 milhões por mês.
- Benefícios: Moradia, plano de saúde internacional e seguro de vida.
- Desligamento do Real: Após o jogo contra a Real Sociedad, em 24 de maio.
Repercussão internacional
O anúncio de Ancelotti como técnico da Seleção Brasileira ganhou destaque na imprensa global. Jornais espanhóis, como “Marca” e “As”, enfatizaram o fim da “novela” entre o treinador e a CBF, enquanto o italiano “Gazzetta dello Sport” celebrou a união do “melhor técnico” com a “maior seleção”. Na Argentina, o “Olé” destacou os desafios de Ancelotti contra Equador e Paraguai.
A escolha também gerou debates sobre a ausência de técnicos brasileiros. Enquanto alguns torcedores celebram a chegada de um nome com experiência em clubes de elite, outros questionam a preferência por um estrangeiro. A CBF, no entanto, mantém o discurso de que Ancelotti é a peça ideal para buscar o hexa em 2026.
Preparação logística da CBF
A CBF detalhou o planejamento para a Data Fifa de junho. Os jogadores se apresentam em São Paulo no dia 2, com treinos nos dias 2 e 3 no CT do Corinthians. A delegação viaja para Guayaquil no dia 4, treina no local e enfrenta o Equador no dia 5. Após o jogo, o retorno imediato a São Paulo permitirá mais treinos antes do duelo contra o Paraguai, no dia 10.
A escolha da Neo Química Arena como palco do jogo contra o Paraguai reflete a estratégia de aproximar a Seleção do público paulista. A CBF espera casa cheia, com ingressos já em venda. A logística inclui voos fretados para reduzir o desgaste, especialmente após a partida em Guayaquil.
Expectativas dos clubes brasileiros
Clubes do futebol brasileiro aguardam com ansiedade a convocação de Ancelotti. O Flamengo, que teve seis jogadores na pré-lista, espera ver nomes como Pedro e Arrascaeta entre os selecionados. Corinthians, São Paulo e Cruzeiro também monitoram a situação, já que a liberação de atletas impacta os compromissos no Campeonato Brasileiro.
A CBF informou aos clubes a necessidade de liberar os jogadores a partir de 2 de junho, conforme as regras da Fifa. A entidade também trabalha para minimizar conflitos com os torneios locais, ajustando a agenda da Seleção. A convocação de Ancelotti, portanto, não apenas define o futuro da equipe nacional, mas também influencia o calendário doméstico.
Ancelotti e o desafio do tempo
Com pouco tempo até os jogos de junho, Ancelotti enfrenta a pressão de montar um elenco competitivo rapidamente. Sua experiência em clubes, onde tinha meses para implementar sistemas táticos, contrasta com o ritmo acelerado das seleções. O treinador já sinalizou que usará os primeiros jogos para avaliar o grupo, adiando mudanças drásticas na escalação.
Jogadores como Neymar, afastado por lesões, foram mencionados em conversas com Ancelotti, mas sua convocação segue incerta. A prioridade do técnico é formar um time coeso, capaz de enfrentar adversários sul-americanos em confrontos diretos. A torcida brasileira, ansiosa por resultados, acompanha cada passo do novo comandante.
- Pressão inicial: Estrear com vitórias para consolidar a confiança.
- Limitação de treinos: Apenas dois dias em São Paulo antes do jogo contra o Equador.
- Observação de Neymar: Contato com o jogador, mas sem garantia de convocação.

