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De MEI para ME: o que muda na tributação e gestão ao ultrapassar os limites do microempreendedor

MEI Microempreendedor
MEI Microempreendedor - Foto: rafastockbr/ Shutterstock.com MEI Microempreendedor - Foto: rafastockbr/ Shutterstock.com

Mudar de Microempreendedor Individual (MEI) para Microempresa (ME) tornou-se uma necessidade para milhares de empreendedores brasileiros que, em 2025, ultrapassaram os limites do regime simplificado. O processo, que ocorre principalmente quando o faturamento anual excede R$ 81 mil, exige a contratação de mais funcionários ou a inclusão de sócios, é acompanhado por mudanças significativas na tributação, contabilidade e estrutura jurídica. Realizado por meio do Portal do Simples Nacional e com apoio de contadores, o desenquadramento é um passo essencial para manter a regularidade do negócio. A transição, embora acessível, demanda planejamento para lidar com novas obrigações fiscais e contábeis.

A necessidade de mudar para ME reflete o crescimento de pequenos negócios no Brasil. Dados recentes apontam que o número de MEIs no país ultrapassa 15 milhões, mas muitos enfrentam o desafio de ajustar suas operações ao atingir os limites do regime. A formalização como ME permite maior flexibilidade, mas também traz responsabilidades adicionais.

  • Faturamento elevado: Superar R$ 81 mil por ano exige o desenquadramento imediato.
  • Contratação: MEIs estão limitados a um funcionário; MEs podem contratar mais.
  • Estrutura societária: Incluir sócios ou abrir filiais não é permitido no MEI.

O processo de transição começa com a solicitação no Portal do Simples Nacional, mas envolve etapas adicionais, como a atualização na Junta Comercial e o cumprimento de novas exigências fiscais.

Motivos para o desenquadramento

O principal gatilho para deixar o regime MEI é o faturamento anual superior a R$ 81 mil, limite que não foi ajustado em 2025, apesar de pressões do setor empresarial. Quando o empreendedor ultrapassa esse teto, o desenquadramento deve ser solicitado até o último dia útil do mês seguinte ao do excesso. Outros fatores incluem a necessidade de contratar mais de um funcionário, abrir filiais ou exercer atividades não permitidas no MEI, como profissões regulamentadas ou operações de comércio exterior.

A inclusão de sócios é outro motivo comum. No MEI, o empreendedor atua sozinho, mas a ME permite estruturas societárias mais complexas, como sociedades limitadas. Essa mudança exige ajustes no contrato social e registro na Junta Comercial, o que aumenta a formalidade do negócio.

Mudanças na carga tributária

Ao migrar para ME, a tributação é uma das áreas mais impactadas. O MEI conta com o pagamento fixo do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), que inclui impostos e contribuições previdenciárias. Já a ME enfrenta alíquotas variáveis, dependendo do regime tributário escolhido: Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real.

No Simples Nacional, as alíquotas variam de 4% a 33%, calculadas com base no faturamento e na atividade exercida. O Lucro Presumido, por sua vez, aplica percentuais fixos sobre a receita, com tributação total que pode chegar a 34% (Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) mais 3,65% (PIS e Cofins). O Lucro Real, mais complexo, baseia-se no lucro efetivo, com alíquotas de até 34% (IRPJ/CSLL) e 9,25% (PIS/Cofins), exigindo contabilidade detalhada.

  • Simples Nacional: Ideal para empresas com faturamento até R$ 4,8 milhões.
  • Lucro Presumido: Indicado para negócios com margens de lucro previsíveis.
  • Lucro Real: Obrigatório para empresas com faturamento superior a R$ 78 milhões ou atividades específicas.

A escolha do regime depende do porte, da atividade e da projeção de lucros, sendo essencial o suporte de um contador para evitar erros.

Novas obrigações contábeis

A transição para ME também implica maior rigor na gestão contábil. Diferentemente do MEI, que dispensa escrituração formal, a ME exige registros contábeis completos, como livro-caixa, balanço patrimonial e demonstrações financeiras, especialmente no Lucro Real. O empreendedor deve emitir notas fiscais conforme as regras do novo regime e enviar declarações acessórias, como a Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais (DEFIS) no Simples Nacional ou a Escrituração Contábil Digital (ECD) em outros regimes.

A obrigatoriedade de contratar um contador é outro ponto de destaque. Embora o MEI possa gerenciar suas obrigações sozinho, a ME demanda conhecimento técnico para cumprir prazos e evitar penalidades. Dados de associações contábeis apontam que 70% dos empreendedores que migram para ME buscam serviços profissionais no primeiro ano.

Passos para a transição

O processo de mudança começa com o desenquadramento no Portal do Simples Nacional, onde o empreendedor comunica a saída do regime MEI. A solicitação deve ser feita online, com o código de acesso ou certificado digital. Após a aprovação, é necessário atualizar o cadastro na Junta Comercial do estado, ajustando o contrato social, se houver sócios, ou alterando o tipo jurídico da empresa.

  • Inscrição estadual ou municipal: Dependendo da atividade, pode ser necessária uma nova inscrição.
  • Emissão de notas fiscais: A ME segue regras específicas, como a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e).
  • Planejamento tributário: Definir o regime ideal com base no faturamento e nos custos.
  • Apoio contábil: Contratar um profissional para orientar nas novas obrigações.

O prazo para concluir a transição varia, mas a regularização completa pode levar até 30 dias, dependendo da complexidade do negócio e da agilidade dos órgãos estaduais.

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MEI – Foto: Rmcarvalho/iStock.com

Escolha do regime tributário

A decisão sobre o regime tributário é um dos passos mais críticos. O Simples Nacional é a opção mais comum para ex-MEIs, devido à sua simplicidade e alíquotas progressivas. Empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões podem aderir a esse regime, que unifica o pagamento de impostos federais, estaduais e municipais em uma única guia.

O Lucro Presumido, por outro lado, é vantajoso para empresas com margens de lucro consistentes, como prestadores de serviços. Nesse regime, a tributação incide sobre uma base de cálculo presumida, o que reduz a necessidade de controles contábeis minuciosos. Já o Lucro Real, embora mais trabalhoso, é indicado para empresas com despesas elevadas, pois permite deduções que diminuem a carga tributária.

Planejamento financeiro

A migração para ME exige um controle financeiro mais estruturado. O empreendedor precisa monitorar receitas, despesas e fluxo de caixa com maior precisão, já que os impostos são calculados com base no faturamento ou no lucro. Ferramentas de gestão, como softwares de contabilidade, são recomendadas para organizar as finanças e facilitar o envio de declarações.

Além disso, a contratação de funcionários adicionais, permitida na ME, demanda o cumprimento de obrigações trabalhistas, como o recolhimento de encargos e o registro na carteira de trabalho. Essas mudanças aumentam os custos operacionais, mas também permitem a expansão do negócio.

Regularização na Junta Comercial

A atualização do cadastro na Junta Comercial é uma etapa essencial. O empreendedor deve alterar o tipo jurídico da empresa, passando de MEI para Empresário Individual ou Sociedade Limitada, dependendo da estrutura escolhida. Esse processo envolve o pagamento de taxas, que variam por estado, e a apresentação de documentos, como RG, CPF e comprovante de endereço.

Em alguns casos, a abertura de filiais ou a inclusão de sócios exige a elaboração de um novo contrato social, registrado em cartório. A regularização garante que a empresa esteja apta a operar como ME e evita problemas com a Receita Federal.

Benefícios da transição

A mudança para ME oferece vantagens significativas para empreendedores em crescimento. A possibilidade de contratar mais funcionários permite a expansão das operações, enquanto a inclusão de sócios facilita a captação de investimentos. Além disso, a ME pode atuar em atividades não permitidas no MEI, como exportação ou serviços profissionais regulamentados.

Outro benefício é o acesso a linhas de crédito específicas para microempresas, oferecidas por bancos e instituições financeiras. Essas linhas, muitas vezes, têm juros mais baixos e prazos mais longos, apoiando a modernização e o crescimento do negócio.

Apoio profissional na transição

O suporte de um contador é indispensável durante o processo. Profissionais especializados ajudam a escolher o regime tributário, organizar a contabilidade e cumprir as obrigações fiscais. Associações como o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) recomendam que o empreendedor mantenha uma comunicação constante com o contador para evitar erros que possam gerar multas ou autuações.

Além disso, o contador pode orientar sobre incentivos fiscais disponíveis para MEs, como isenções temporárias em alguns estados. Esse acompanhamento é especialmente importante nos primeiros meses após a transição, quando o empreendedor ainda está se adaptando às novas regras.

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