Alisson Becker, goleiro titular da seleção brasileira e do Liverpool, vive um momento de destaque aos 32 anos, consolidando-se como um dos principais nomes do futebol mundial. Em entrevista exclusiva realizada em Guayaquil, no Equador, às vésperas da estreia de Carlo Ancelotti como técnico da seleção, o jogador fez uma autocrítica sobre seu desempenho em cobranças de pênaltis, avaliou o impacto da chegada do treinador italiano e expressou o sonho de conquistar o hexa na Copa do Mundo de 2026. Com duas Copas disputadas e um segundo título da Premier League recém-conquistado, Alisson reflete sobre a responsabilidade de vestir a camisa do Brasil, os desafios enfrentados e a pressão que acompanha o cargo de técnico da seleção. A presença de Ancelotti, multicampeão europeu, já transforma o ambiente da equipe, segundo o goleiro.
O jogador, que se recupera de lesões musculares sofridas na última temporada, destaca a dedicação como chave para sua longevidade no alto nível. Ele também abordou a frustração com eliminações em Copas anteriores, como contra a Bélgica em 2018 e a Croácia em 2022, mas mantém o foco no futuro.
- Momentos marcantes da entrevista:
- Autocrítica sobre pênaltis: Alisson admite que precisa melhorar, mas questiona a percepção pública sobre seu desempenho.
- Impacto de Ancelotti: O técnico italiano traz peso e respeito ao grupo.
- Sonho do hexa: A Copa de 2026 é o principal objetivo do goleiro.
A trajetória de Alisson no Liverpool e na seleção reflete um profissionalismo que ele atribui a escolhas bem pensadas, como a decisão de se transferir para o clube inglês em 2018.
Chegada de Ancelotti muda o clima na seleção
A presença de Carlo Ancelotti, um dos técnicos mais vitoriosos da história do futebol, já causa impacto na seleção brasileira. Alisson destacou que a simples entrada do italiano no ambiente de treino é suficiente para gerar mudanças. Com um currículo que inclui cinco títulos da Liga dos Campeões e conquistas em todas as principais ligas europeias, Ancelotti chega com a missão de resgatar a confiança de uma equipe que enfrentou instabilidade nas últimas Eliminatórias. O goleiro enfatizou a capacidade do treinador de lidar com a pressão, uma característica essencial para comandar o Brasil.
O italiano assume o cargo em um momento delicado, com a seleção buscando estabilidade após resultados irregulares, como a derrota para a Argentina nas Eliminatórias. Alisson acredita que Ancelotti tem “costas largas” para proteger o grupo e guiá-lo em meio às críticas. A estreia do técnico acontece em Guayaquil, contra o Equador, em um jogo crucial para a classificação à Copa de 2026.
Liderança tranquila de Alisson
Embora não seja o jogador mais expansivo da seleção, Alisson exerce um papel de liderança discreta, mas influente. Ele compara seu estilo ao de Ancelotti, descrito como uma “liderança tranquila” em seu livro. O goleiro valoriza a importância de apoiar os companheiros nos momentos de erro, evitando críticas duras dentro de campo.
Essa postura, segundo ele, é essencial em um grupo que enfrenta alta pressão. Alisson relatou que busca inspirar os colegas com ações práticas, como manter a calma em situações adversas e ajudar a equipe a se reerguer após falhas. Sua experiência em clubes como o Liverpool, onde divide vestiário com estrelas como Mohamed Salah e Virgil van Dijk, reforça essa habilidade.
- Características da liderança de Alisson:
- Calma sob pressão: Evita reações impulsivas em momentos críticos.
- Apoio aos colegas: Prioriza levantar o ânimo da equipe após erros.
- Influência silenciosa: Impacta o grupo com ações, não apenas palavras.
Auge aos 32 anos
Aos 32 anos, Alisson vive o que considera o auge de sua carreira. Fatores como preparo físico, maturidade mental e experiência em grandes competições sustentam essa avaliação. O goleiro destacou a conquista do Campeonato Inglês na temporada 2024/2025 como um marco, especialmente após superar duas lesões musculares no mesmo grupo muscular.
A temporada foi desafiadora para o Liverpool, que passou por uma transição com a saída de Jürgen Klopp e a chegada de Arne Slot. Alisson elogiou a habilidade do clube em gerenciar essa mudança sem comprometer o desempenho. A posse de bola mais trabalhada sob o comando de Slot, combinada com a manutenção da intensidade característica do time, resultou em um título que o goleiro descreveu como “especial”.
Frustrações e lições no passado
As eliminações nas Copas do Mundo de 2018 e 2022 ainda pesam para Alisson. Contra a Bélgica, um gol de Kevin De Bruyne em um contra-ataque marcou a derrota brasileira. Já em 2022, a Croácia venceu nos pênaltis, momento em que o goleiro admite não ter sido bem-sucedido. Essas experiências, segundo ele, são dolorosas, mas servem como aprendizado.
O goleiro enfatizou que não se paralisa com as derrotas. Pelo contrário, ele as usa como motivação para evoluir. A frustração de não avançar em competições importantes, como a Copa América de 2021, também o incomoda, mas ele mantém o foco em melhorar para a próxima oportunidade.
Desempenho em pênaltis sob escrutínio
Um dos pontos mais debatidos na carreira de Alisson é seu desempenho em cobranças de pênaltis, especialmente pela seleção. O goleiro fez uma autocrítica, reconhecendo que pode melhorar, mas relativizou as críticas externas. Ele citou três disputas de pênaltis com a seleção: uma vitória contra o Paraguai na Copa América de 2019, uma derrota para a Croácia na Copa de 2022 e outra na Copa América de 2021, em que fez uma defesa, mas o Brasil não avançou.
Alisson argumenta que a percepção pública sobre pênaltis é influenciada pelo resultado final. Ele trabalha para aprimorar sua explosividade, leitura dos batedores e reações rápidas, mas reconhece a imprevisibilidade do futebol.
- Números em disputas de pênaltis pela seleção:
- Copa América 2019 (Paraguai): Uma defesa, Brasil avançou.
- Copa do Mundo 2022 (Croácia): Nenhuma defesa, Brasil eliminado.
- Copa América 2021: Uma defesa, Brasil eliminado.
Sonho do hexa em 2026
A Copa do Mundo de 2026 é o grande objetivo de Alisson. Ele sonha em disputar sua terceira edição do torneio e, desta vez, levantar a taça. O goleiro acredita que a preparação é fundamental, mas destaca que o sucesso dependerá da capacidade da equipe de se adaptar às circunstâncias durante os jogos.
Para ele, o Brasil precisa estar pronto para “jogar feio” se necessário, priorizando o resultado. As eliminações recentes, marcadas por gols em contra-ataques, servem como alerta para a importância de solidez defensiva. Alisson confia na qualidade do elenco brasileiro, mas reforça que o trabalho árduo será decisivo.
Transição no Liverpool
A temporada 2024/2025 marcou a saída de Jürgen Klopp do Liverpool, um momento de incerteza para o clube. Alisson destacou a habilidade da diretoria e da nova comissão técnica em conduzir a transição. Arne Slot, o novo treinador, trouxe um estilo com mais posse de bola, mas preservou a intensidade que marcou a era Klopp.
O goleiro celebrou a conquista da Premier League como um feito coletivo, mas também pessoal. As lesões musculares enfrentadas em 2024 exigiram paciência e dedicação para recuperar o nível de atuação. O título, segundo ele, teve um “gostinho especial” por premiar a resiliência do grupo.
Pressão e paixão pelo futebol brasileiro
A pressão sobre a seleção brasileira é única, segundo Alisson. Ele comparou o cargo de técnico da equipe ao de presidente da república, destacando a paixão dos torcedores e a expectativa por resultados. Ancelotti, com sua experiência, está preparado para lidar com esse cenário, na visão do goleiro.
O jogo contra o Equador, em Guayaquil, é uma oportunidade para a seleção recuperar a confiança. Alisson lembrou a passagem pelo mesmo estádio em 2016, sob o comando de Tite, e vê semelhanças com o momento atual, marcado por desafios e esperança de renovação.
Dedicação como marca pessoal
A longevidade de Alisson no Liverpool, algo raro para goleiros brasileiros na Europa, é atribuída à sua dedicação. Ele abriu mão de conforto em prol do profissionalismo, escolhendo o clube inglês por sua estabilidade e projeto esportivo. A convivência com jogadores de alto nível, como Salah e Van Dijk, o obriga a manter um padrão elevado.
O goleiro também valoriza a fé como um pilar em sua vida, ajudando-o a lidar com frustrações. Para ele, o propósito maior não é apenas vencer troféus, mas viver de forma plena, mesmo nos momentos de dificuldade.
Preparação para o Equador
O confronto contra o Equador, pelas Eliminatórias, é um teste para a seleção sob Ancelotti. Alisson destacou a força do adversário, que conta com jogadores como Moisés Caicedo, campeão da Champions League, e outros atletas atuando em ligas competitivas. A intensidade física e a qualidade técnica do Equador exigem atenção redobrada.
O goleiro acredita que a seleção tem potencial para fazer um bom jogo, mas reforça que a vitória dependerá do desempenho em campo. A partida é vista como uma chance de trazer confiança tanto para o elenco quanto para os torcedores.

