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Fundador do Fundo de Quintal, Bira luta pela saúde em internação no Rio de Janeiro

Bira Presidente
Bira Presidente - Foto: Instagram

Ubirajara Félix do Nascimento, conhecido como Bira Presidente, ícone do samba e fundador do grupo Fundo de Quintal, está internado no Hospital Unimed Barra, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, desde o início de junho de 2025. Aos 88 anos, o sambista enfrenta um quadro clínico delicado, agravado por comorbidades, histórico de tratamento oncológico prolongado e um diagnóstico de Alzheimer. A internação, anunciada em suas redes sociais na manhã de 9 de junho, mobilizou fãs, amigos e a comunidade do samba, que se uniram em correntes de orações. O Cacique de Ramos, tradicional bloco carioca presidido por Bira, emitiu uma nota pedindo apoio e destacando a gravidade do estado de saúde do artista. A família, que o acompanha de perto, agradece as manifestações de carinho vindas de todo o Brasil.

Bira é uma figura central na história do samba, tendo contribuído para a consolidação do pagode como gênero musical nas décadas de 1970 e 1980. Sua trajetória, marcada por carisma e dedicação, o tornou um símbolo de resistência cultural. A notícia de sua internação reacendeu debates sobre a valorização de artistas idosos e a preservação do legado do samba.

  • Principais aspectos do caso:
    • Internação no Hospital Unimed Barra, sem detalhes específicos sobre a causa.
    • Quadro delicado, mas estável, segundo informações preliminares.
    • Apoio da família e pedidos de orações por parte do Cacique de Ramos.
    • Repercussão entre fãs e artistas do samba.

A seguir, o texto detalha a trajetória de Bira, o impacto de sua internação e o contexto cultural do samba no Brasil.

Trajetória de um ícone do samba

Ubirajara Félix do Nascimento, carinhosamente chamado de Bira Presidente, nasceu em 1937 no Rio de Janeiro. Sua paixão pelo samba começou na juventude, nas rodas informais do bairro de Ramos. Nos anos 1970, ao lado de amigos como Jorge Aragão, Almir Guineto e Sereno, fundou o Fundo de Quintal, grupo que revolucionou o samba ao introduzir instrumentos como o tantã, o repique de mão e o banjo. Essas inovações deram origem ao pagode, um subgênero que conquistou o Brasil e influenciou gerações de músicos.

O Fundo de Quintal se destacou por sua sonoridade única e letras que celebravam a vida, o amor e a comunidade. Bira, com seu carisma e habilidade no pandeiro, tornou-se uma figura central no grupo, participando de álbuns clássicos como Samba É no Fundo de Quintal (1980) e Nos Pagodes da Vida (1985). Sua contribuição foi além da música: como presidente do Cacique de Ramos, ele transformou o bloco em um ponto de resistência cultural, promovendo rodas de samba e apoiando novos talentos.

O papel do Cacique de Ramos

O Cacique de Ramos, fundado em 1961, é mais do que um bloco carnavalesco. Localizado no bairro de Ramos, na Zona Norte do Rio, o espaço se tornou um celeiro de artistas e um símbolo da cultura afro-brasileira. Bira assumiu a presidência do bloco em 1989 e, desde então, dedicou-se a preservar suas tradições. Sob sua liderança, o Cacique de Ramos realizou eventos que atraíram nomes como Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Beth Carvalho, todos influenciados pelo grupo Fundo de Quintal.

  • Atividades principais do Cacique de Ramos:
    • Rodas de samba semanais, abertas à comunidade.
    • Apoio a novos artistas e grupos de pagode.
    • Desfiles de carnaval com sambas-enredo originais.
    • Projetos sociais, como doações de alimentos e eventos beneficentes.

A internação de Bira colocou o Cacique de Ramos em evidência, com mensagens de apoio compartilhadas nas redes sociais do bloco. A nota oficial, publicada em 9 de junho, destacou a importância de Bira para o samba e pediu união em prol de sua recuperação.

Saúde de Bira: um quadro complexo

Aos 88 anos, Bira enfrenta múltiplos desafios de saúde. Além do diagnóstico de Alzheimer, que afeta sua memória e cognição, ele lida com as consequências de um tratamento oncológico prolongado. Embora o motivo exato da internação não tenha sido divulgado, fontes próximas afirmam que seu estado é delicado, exigindo monitoramento constante. A família, incluindo sua filha Christian Kelly e seu genro Márcio Nascimento, permanece ao seu lado no Hospital Unimed Barra.

O Alzheimer, uma doença neurodegenerativa, impacta a vida de cerca de 1,2 milhão de brasileiros, segundo estimativas do Ministério da Saúde. No caso de Bira, a condição se soma a outras comorbidades, tornando seu tratamento mais complexo. A equipe médica, segundo informações preliminares, mantém o quadro estável, mas não há previsão de alta.

Repercussão entre fãs e artistas

A notícia da internação de Bira mobilizou a comunidade do samba. Nas redes sociais, fãs compartilharam mensagens de apoio, destacando a importância do sambista para a cultura brasileira. Artistas como Zeca Pagodinho e Dudu Nobre publicaram homenagens, relembrando a influência de Bira em suas carreiras. O Fundo de Quintal, por meio de sua página oficial, pediu orações e agradeceu o carinho recebido.

  • Reações marcantes:
    • Zeca Pagodinho: “Bira é nosso mestre, um pai para o samba. Vamos orar por ele.”
    • Dudu Nobre: “Sem Bira, o pagode não seria o mesmo. Força, presidente!”
    • Fãs: milhares de mensagens com hashtags como #ForçaBira e #SambaVive.

A mobilização reflete o carinho e o respeito que Bira conquistou ao longo de décadas. Sua história, marcada por superação e dedicação, continua inspirando novas gerações de sambistas.

O legado do Fundo de Quintal

O Fundo de Quintal, criado no final dos anos 1970, é considerado um marco na história do samba. O grupo surgiu a partir das rodas do Cacique de Ramos, onde músicos se reuniam para tocar de forma descontraída. A introdução de novos instrumentos e a valorização de letras simples, mas profundas, transformaram o samba em algo mais acessível e próximo do público.

Bira, como um dos fundadores, foi essencial para o sucesso do grupo. Sua habilidade no pandeiro e sua presença carismática no palco ajudaram a construir a identidade do Fundo de Quintal. O grupo acumula prêmios, como o Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba/Pagode em 2000, e segue ativo, mesmo com mudanças em sua formação ao longo dos anos.

Samba e saúde: um debate necessário

A internação de Bira trouxe à tona discussões sobre a saúde de artistas idosos no Brasil. Muitos sambistas, como Beth Carvalho e Nelson Sargento, enfrentaram desafios semelhantes no fim da vida, muitas vezes sem acesso a cuidados adequados. A falta de políticas públicas voltadas para a terceira idade e a precariedade do sistema de saúde pública são obstáculos para figuras como Bira, que dedicaram a vida à cultura.

Organizações como a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) destacam a importância de cuidados especializados para pacientes com a doença. No caso de Bira, o acompanhamento no Hospital Unimed Barra garante atendimento de qualidade, mas a situação reforça a necessidade de maior apoio aos artistas que envelhecem.

Apoio da família e da comunidade

Christian Kelly, filha de Bira, e Márcio Nascimento, seu genro, têm sido peças-chave no cuidado do sambista. Eles moram com Bira e acompanham sua rotina, garantindo que ele receba atenção e carinho. A família, em nota, agradeceu as mensagens de apoio e pediu privacidade durante o período de internação.

A comunidade do samba também se mobilizou. Eventos beneficentes, como rodas de samba em homenagem a Bira, estão sendo organizados no Rio de Janeiro. O Cacique de Ramos planeja uma programação especial para celebrar a vida e o legado do presidente, caso sua saúde permita.

Preservação do samba carioca

O samba, como expressão cultural, enfrenta desafios no Brasil contemporâneo. A gentrificação de bairros como Ramos e a falta de incentivos para espaços culturais ameaçam a sobrevivência de tradições como as rodas do Cacique de Ramos. A figura de Bira, como guardião dessas tradições, reforça a importância de preservar o samba como patrimônio imaterial.

  • Iniciativas para proteger o samba:
    • Projetos de tombamento do Cacique de Ramos como patrimônio cultural.
    • Oficinas de música para jovens em comunidades cariocas.
    • Parcerias com escolas de samba para promover a história do gênero.

A internação de Bira serve como um lembrete da urgência de valorizar os artistas que moldaram a identidade cultural do Brasil. Sua luta pela saúde é também uma luta pela continuidade do samba.

Um símbolo de resistência

Bira Presidente é mais do que um sambista: ele é um símbolo de resistência e amor pela cultura brasileira. Sua trajetória, marcada por desafios e conquistas, reflete a força do povo carioca. Enquanto ele enfrenta um momento delicado, a comunidade do samba se une em torno de sua figura, celebrando um legado que transcende gerações.

A nota do Cacique de Ramos, publicada em 9 de junho, resume o sentimento geral: “Bira é nosso líder, nosso amigo e nossa inspiração. Pedimos orações e energias positivas para que ele supere esse momento.” A família, os amigos e os fãs aguardam notícias sobre sua recuperação, mantendo viva a esperança de que o presidente do samba volte a sorrir.

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