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Projeto de lei reacende discussão sobre extintor em veículos de passeio

Extintor de incêndio de carro
Extintor de incêndio de carro - Foto: JoshBryan / Shutterstock.com Extintor de incêndio de carro - Foto: JoshBryan / Shutterstock.com

Um projeto de lei em tramitação no Senado reacende o debate sobre a obrigatoriedade do extintor de incêndio em carros de passeio no Brasil, item que deixou de ser mandatório em 2015 por decisão do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Proposto pelo deputado Moses Rodrigues, do União Brasil-CE, o texto já passou pela Comissão de Fiscalização e Controle e agora aguarda votação no Plenário. O equipamento, antes essencial, foi substituído pela confiança em tecnologias automotivas mais avançadas, mas especialistas e parlamentares divergem sobre sua real necessidade. A medida, se aprovada, pode alterar a rotina de motoristas, exigindo atenção a normas de uso e armazenamento. O tema ganhou força em 2024, levantando questões sobre segurança veicular, custos e a eficácia do equipamento em emergências. Entenda a seguir os detalhes dessa discussão, como usar o extintor corretamente e o que está em jogo.

A história do extintor de incêndio nos veículos começou décadas atrás, quando o item era visto como fundamental para a segurança. Até 2015, todo carro de passeio precisava carregá-lo, assim como caminhões e ônibus ainda o fazem. A Resolução 556 do Contran mudou essa regra, tornando-o facultativo para automóveis, utilitários e caminhonetes.

A justificativa na época apontava que os avanços em materiais e sistemas de segurança, como freios ABS e controles eletrônicos, reduziram os riscos de incêndios em veículos modernos. Dados de órgãos de trânsito e seguradoras reforçaram que os casos de fogo em carros eram raros, e o uso inadequado do extintor podia até agravar situações.

Por que o extintor pode voltar a ser obrigatório?

O projeto de lei, de autoria do deputado Moses Rodrigues, do União Brasil-CE, busca trazer de volta a obrigatoriedade do extintor em carros de passeio. A proposta já obteve parecer favorável na Comissão de Fiscalização e Controle do Senado em 2024, com relatoria do senador Eduardo Braga, do MDB-AM. Para o parlamentar, o equipamento é de fácil manuseio, tem custo acessível e pode salvar vidas em emergências.
A discussão ganhou força após relatos de acidentes em que a ausência do extintor dificultou o controle de chamas antes da chegada do socorro. O texto argumenta que, apesar dos avanços tecnológicos, imprevistos como curtos-circuitos ou superaquecimento ainda ocorrem. No entanto, a proposta enfrenta resistência, com parte dos senadores questionando a real necessidade do item. A votação no Plenário do Senado é o próximo passo, e o resultado ainda é incerto.

Regras atuais para quem opta pelo extintor

Mesmo sendo facultativo, muitos motoristas escolhem manter um extintor no carro. Para que seja eficaz, é preciso seguir normas rigorosas. O modelo recomendado é o tipo ABC, que combate incêndios de diferentes naturezas. Veja os tipos que ele abrange:

  • Classe A: Materiais sólidos, como estofados, plásticos e pneus.
  • Classe B: Líquidos inflamáveis, incluindo gasolina, diesel e etanol.
  • Classe C: Equipamentos energizados, como baterias e sistemas elétricos.
    Além disso, o equipamento deve ter o selo do Inmetro e estar dentro do prazo de validade, que é de cinco anos. Um extintor vencido ou inadequado pode falhar no momento crítico, piorando a situação. Péricles Mattos, mestre em defesa civil e segurança contra incêndio, alerta que usar um modelo fora do padrão é arriscado. Ele destaca que a eficiência depende da qualidade e da manutenção do equipamento.
Extintor de incêndio de carro
Extintor de incêndio de carro – Foto: bigshot01/ Shutterstock.com

Como usar o extintor de forma segura

Saber utilizar o extintor é essencial para quem decide carregá-lo. Em caso de superaquecimento ou fumaça no motor, a calma é o primeiro passo. Péricles Mattos, especialista em segurança, orienta que o motorista desligue o veículo imediatamente e se posicione a pelo menos um metro de distância.
O combate ao fogo deve começar pelas laterais e pela frente da grade do motor, evitando abrir o capô de uma só vez. A entrada súbita de oxigênio pode intensificar as chamas, tornando a situação perigosa. Após a primeira aplicação, o ideal é abrir o capô com cuidado e continuar direcionando o jato à base do fogo.
Outro ponto crucial é evitar descarregar todo o conteúdo do extintor de uma vez. O jato deve ser aplicado com parcimônia, sempre mirando a origem das chamas. Essa técnica aumenta as chances de controle do incêndio sem desperdício do material.

Onde posicionar o extintor no veículo

Para quem opta por ter o equipamento, o armazenamento correto é tão importante quanto seu uso. O local ideal é na parte dianteira do habitáculo, ao alcance do motorista. Péricles Mattos recomenda posicioná-lo sob o banco do condutor ou do passageiro.
Essa escolha facilita o acesso rápido em emergências, quando cada segundo conta. Além disso, é necessário checar regularmente a pressão do extintor. Se o indicador estiver fora da faixa adequada, uma empresa credenciada pode realizar a recarga, desde que o equipamento esteja dentro da validade.

Debate no Senado e opinião pública

A proposta de tornar o extintor obrigatório novamente divide opiniões. O projeto de lei, após aprovação na Comissão de Fiscalização e Controle, aguarda votação no Plenário do Senado. Se passar, caberá ao Contran regulamentar a medida, especialmente para carros fabricados após 2015, que muitas vezes não possuem espaço projetado para o equipamento.
Uma enquete no portal oficial do Senado revelou apoio significativo à ideia. Até junho de 2025, 5.996 cidadãos se mostraram favoráveis ao retorno da obrigatoriedade, enquanto 2.108 votaram contra. A participação popular reflete a relevância do tema, mas não determina o resultado final da votação.
Críticos da proposta argumentam que os veículos modernos são mais seguros e que o custo adicional do extintor pode pesar no bolso do motorista. Já os defensores destacam que o equipamento é uma medida preventiva acessível e eficaz.

Riscos de um extintor inadequado

Um extintor fora das normas pode trazer mais problemas do que soluções. Modelos sem o selo do Inmetro ou vencidos perdem eficiência e, em alguns casos, podem espalhar o fogo em vez de contê-lo. Péricles Mattos reforça que a qualidade do equipamento é essencial para a segurança.
Além disso, o uso incorreto também é um fator de risco. Aplicar o jato de forma desordenada ou abrir o capô abruptamente pode agravar o incêndio. Por isso, motoristas que optam por carregar o extintor devem se informar sobre as técnicas corretas de uso.

Manutenção e recarga do equipamento

A manutenção regular do extintor é indispensável. A pressão deve ser verificada periodicamente, e o equipamento precisa estar em boas condições. Se a pressão estiver baixa, empresas credenciadas podem realizar a recarga, desde que o prazo de validade de cinco anos não tenha sido ultrapassado.
O custo da recarga varia, mas é geralmente acessível, tornando a manutenção uma prática viável. Motoristas devem buscar fornecedores autorizados para garantir a qualidade do serviço. Um extintor em más condições pode falhar em uma emergência, comprometendo a segurança.

Tecnologia versus prevenção tradicional

Veículos modernos contam com sistemas avançados, como sensores de temperatura, freios ABS e controles de estabilidade, que reduzem o risco de incêndios. Essa evolução foi o principal argumento para tornar o extintor facultativo em 2015. Fabricantes investiram em materiais menos inflamáveis e em tecnologias que detectam falhas antes que se tornem críticas.
Ainda assim, acidentes imprevisíveis, como curtos-circuitos ou colisões, podem gerar chamas. Para defensores do projeto de lei, o extintor segue sendo uma ferramenta simples e eficaz, capaz de conter pequenos focos de incêndio antes que se tornem incontroláveis. A combinação de tecnologia e prevenção tradicional é vista como o caminho ideal por muitos especialistas.

O que esperar da votação

O futuro da obrigatoriedade do extintor depende da votação no Senado. Se aprovado, o projeto ainda precisa de sanção presidencial para entrar em vigor. O Contran terá a tarefa de definir regras para a implementação, considerando que muitos veículos atuais não foram projetados para carregar o equipamento.
Enquanto a decisão não é tomada, motoristas que optam por manter o extintor devem garantir que ele atenda às normas de qualidade e esteja bem armazenado. Em situações de emergência, o uso correto pode fazer a diferença, protegendo vidas e minimizando danos.

Cuidados adicionais para motoristas

Para quem decide carregar um extintor, algumas práticas são essenciais:

  • Verifique o selo do Inmetro e a data de validade regularmente.
  • Escolha o modelo ABC, adequado para os principais tipos de incêndio em veículos.
  • Mantenha o equipamento em local acessível, como sob o banco do motorista.
  • Aprenda a técnica correta de uso, priorizando a segurança e a eficiência.
  • Realize a manutenção periódica em empresas credenciadas.
    Esses cuidados garantem que o extintor esteja pronto para uso em caso de necessidade, oferecendo uma camada extra de proteção.
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