A disputa pela herança de Gugu Liberato, avaliada em cerca de R$ 3 bilhões, ganhou um novo capítulo em 10 de junho de 2025, quando o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) recebeu um recurso do chef de cozinha Thiago Salvático, que busca o reconhecimento de uma união estável com o apresentador, falecido em novembro de 2019. Salvático pleiteia metade do patrimônio, equivalente a R$ 1,5 bilhão, mas a Justiça pediu vistas do processo, adiando a decisão. O caso, que tramita na 9ª Vara da Família e Sucessões, mantém o nome do comunicador no centro de uma batalha judicial que envolve familiares, advogados e o público. A demora frustra as expectativas do chef, enquanto a família de Gugu contesta a validade do relacionamento.
O pedido de vistas, conforme informado pela colunista Fábia Oliveira, do portal Metrópoles, não é uma decisão definitiva, mas sinaliza que o julgamento pode se estender por meses. A ação de Salvático já enfrentou reveses, como a negativa do juiz José Walter Chacon Cardoso em janeiro de 2023, que classificou a relação como uma possível amizade. O chef, no entanto, insiste em provar a união estável com documentos, fotos e mensagens.
Essa nova movimentação reacende o debate sobre a privacidade de Gugu, uma das maiores estrelas da televisão brasileira, conhecido por programas como “Viva a Noite” e “Domingo Legal”. A seguir, os principais pontos do processo:
- Valor em disputa: Salvático busca R$ 1,5 bilhão, metade da fortuna estimada do apresentador.
- Provas apresentadas: Fotos de viagens, mensagens no WhatsApp e comprovantes de contas conjuntas.
- Histórico judicial: A ação foi rejeitada em 2023, mas reaberta em junho do mesmo ano para citação da família.
- Prazo indefinido: O pedido de vistas atrasa a resolução do caso, sem data para julgamento.
Origem da disputa judicial
Thiago Salvático, chef de cozinha que atualmente reside na Alemanha, alega ter mantido um relacionamento com Gugu Liberato entre 2011 e 2019, ano da morte do apresentador. O comunicador, que tinha 60 anos, sofreu um acidente doméstico em sua casa em Orlando, nos Estados Unidos, ao cair de uma escada e bater a cabeça. A tragédia abalou o Brasil, e, desde então, sua herança tornou-se alvo de intensas disputas judiciais.
O chef entrou com a ação em 2020, mas desistiu meses depois, citando motivos pessoais e a exposição midiática. Em novembro de 2022, ele retomou o processo, apresentando mais de 100 páginas de documentos, incluindo conversas no WhatsApp, e-mails e registros de viagens internacionais. Salvático afirma que o relacionamento era conhecido por pessoas próximas, mas mantido em sigilo devido à posição pública de Gugu.
A Justiça, no entanto, questionou a natureza da relação. Em 2023, o juiz José Walter Chacon Cardoso argumentou que as provas, como mensagens íntimas, poderiam indicar apenas uma amizade. A decisão gerou críticas de Salvático, que acusou o Judiciário de preconceito contra relações homoafetivas. O chef recorreu, e o desembargador Galdino Toledo Júnior determinou, em junho de 2023, que a família de Gugu fosse citada no processo, reabrindo a ação.
Testamento de Gugu e outros herdeiros
Antes de sua morte, Gugu Liberato deixou um testamento, redigido em 2011, que destinava 75% de sua fortuna aos três filhos — João Augusto, Marina e Sofia, frutos de sua relação com Rose Miriam Di Matteo — e 25% a cinco sobrinhos. O documento também garantia uma pensão vitalícia de R$ 163 mil mensais à mãe do apresentador, Maria do Céu Moraes, de 95 anos. Rose Miriam, que também buscava o reconhecimento de união estável, desistiu da ação em agosto de 2024, encerrando sua disputa pela herança.
A validação do testamento pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em junho de 2023 reforçou a posição dos herdeiros diretos. No entanto, o processo de Salvático pode alterar a divisão, caso a união estável seja reconhecida. Se validada, ele teria direito à metade dos bens adquiridos durante o suposto relacionamento, o que geraria um impacto significativo na partilha.
Provas e desafios de Thiago Salvático
O chef de cozinha apresentou uma série de evidências para sustentar sua reivindicação. Entre os documentos, estão mensagens em que Gugu e Salvático discutiam planos de formar uma família e registros de viagens a destinos como Itália, Turquia e Estados Unidos. Contas bancárias conjuntas e cartões de crédito compartilhados também foram mencionados como prova de uma vida em comum.
Apesar disso, a Justiça considera que o relacionamento era “clandestino”, já que não havia exposição pública ou reconhecimento familiar. O juiz Chacon Cardoso destacou que a privacidade mantida por Gugu dificulta a comprovação de uma união estável, que exige convivência pública e intenção de constituir família. Salvático contesta essa interpretação, afirmando que a discrição era necessária devido à fama do apresentador.
- Principais evidências apresentadas:
- Conversas no WhatsApp sobre planos futuros.
- Fotos em hotéis de luxo durante viagens internacionais.
- Comprovantes de contas bancárias e cartões compartilhados.
- Relatos de encontros em residências de Gugu, como em Aldeia da Serra (SP).
- Declarações de funcionários do apresentador que conheciam Salvático.
Reação da família de Gugu
Os herdeiros de Gugu, liderados por Aparecida Liberato, irmã do apresentador e inventariante do espólio, contestam veementemente o pedido de Salvático. A família argumenta que não há provas suficientes de uma união estável e que o testamento reflete as intenções claras do comunicador. As filhas de Gugu, Marina e Sofia, já expressaram publicamente desconforto com as alegações, enquanto João Augusto, o filho mais velho, mantém uma postura alinhada à tia.
A citação da família no processo, determinada em 2023, permitiu que os herdeiros apresentassem contrarrazões ao recurso. A defesa alega que as mensagens e fotos não comprovam um relacionamento estável, mas sim uma relação de amizade ou proximidade pessoal. O sigilo mantido por Gugu ao longo da vida é usado como argumento para questionar a validade das alegações de Salvático.
Histórico de reveses judiciais
A trajetória do processo de Thiago Salvático é marcada por idas e vindas. Em 2020, o chef desistiu da ação inicial devido à pressão midiática e ao vazamento de informações sigilosas. A retomada, em 2022, trouxe novas provas, mas a negativa de 2023 representou um obstáculo significativo. A reabertura do caso, após a decisão do desembargador Galdino Toledo Júnior, reacendeu as esperanças de Salvático, mas o pedido de vistas em junho de 2025 indica que a resolução ainda está distante.
O chef também questionou a imparcialidade do juiz José Walter Chacon Cardoso, levantando uma suspeição que foi encaminhada à Câmara Especial do TJSP. A acusação de preconceito na análise do caso adiciona uma camada de complexidade, já que Salvático argumenta que relações homoafetivas enfrentam barreiras adicionais no Judiciário.
Outras disputas pela herança
Além do caso de Salvático, a herança de Gugu foi alvo de outras ações judiciais. Rose Miriam Di Matteo, mãe dos três filhos do apresentador, moveu um processo semelhante entre 2019 e 2024, buscando o reconhecimento de união estável. Sua desistência, formalizada em agosto de 2024, foi vista como um alívio pela família, mas não encerrou as disputas.
Outra ação, movida por Ricardo Rocha, um empresário que alegava ser filho de Gugu, foi arquivada em dezembro de 2024, após um teste de DNA descartar a paternidade. Esses processos paralelos intensificaram a atenção pública sobre o espólio do apresentador, que inclui propriedades, investimentos e direitos autorais de sua carreira.
Expectativas para o julgamento
O pedido de vistas no recurso de Salvático, registrado em 10 de junho de 2025, deixa o caso sem prazo definido. Advogados do chef estimam que o julgamento da apelação ocorra no primeiro semestre de 2026, mas a complexidade das provas e a resistência da família podem prolongar a disputa. O processo tramita em segredo de justiça, limitando o acesso a detalhes, mas a imprensa acompanha cada movimentação.
A equipe jurídica de Salvático mantém otimismo, destacando a robustez das evidências apresentadas. Para eles, o reconhecimento da união estável não é apenas uma questão financeira, mas também uma forma de validar o relacionamento mantido com Gugu. A decisão final, no entanto, dependerá da interpretação do TJSP sobre as provas e do peso dado à privacidade do apresentador.
Legado de Gugu Liberato
Gugu Liberato permanece uma figura icônica da televisão brasileira, com uma carreira que atravessou décadas e marcou gerações. Programas como “Canta Comigo” e “Power Couple Brasil” consolidaram sua popularidade, mas sua vida pessoal, mantida em sigilo, tornou-se o epicentro de disputas após sua morte. A batalha judicial envolvendo Thiago Salvático expõe as tensões entre privacidade, legado e interesses financeiros.
O desfecho do caso pode estabelecer precedentes para o reconhecimento de uniões estáveis homoafetivas no Brasil, especialmente em contextos de figuras públicas. Por enquanto, a herança de Gugu segue dividida entre herdeiros e incertezas, com o Judiciário como árbitro de uma das disputas mais comentadas do país.
Cronologia das principais movimentações
- Novembro de 2019: Gugu Liberato morre em acidente doméstico em Orlando, EUA.
- Maio de 2020: Thiago Salvático entra com ação para reconhecimento de união estável, mas desiste meses depois.
- Novembro de 2022: Salvático retoma o processo com novas provas.
- Janeiro de 2023: Justiça nega a união estável, classificando a relação como amizade.
- Junho de 2023: TJSP reabre o caso, determinando citação da família.
- Junho de 2025: Juiz pede vistas do recurso, adiando a decisão.
Repercussão pública
A disputa pela herança de Gugu continua a atrair atenção nas redes sociais e na imprensa. Fãs do apresentador expressam opiniões divididas: alguns defendem a privacidade de Gugu e questionam as intenções de Salvático, enquanto outros apoiam o chef, destacando a importância de reconhecer relacionamentos homoafetivos. A falta de resolução mantém o caso como um dos mais acompanhados no cenário jurídico brasileiro.