O futuro de Lucas Paquetá, meia do West Ham e da seleção brasileira, permanece incerto após o encerramento de seu julgamento por supostas violações de regras de apostas esportivas. Acusado pela Federação Inglesa de Futebol (FA) em maio de 2024, o jogador é suspeito de forçar cartões amarelos em quatro partidas da Premier League entre 2022 e 2023 para influenciar o mercado de apostas. O veredicto, aguardado para a primeira quinzena de junho de 2025, pode resultar em absolvição ou banimento definitivo do futebol. Enquanto isso, Paquetá segue atuando normalmente pelo clube inglês, mas a demora na decisão gera tensões no West Ham e no mercado de transferências. A gravidade das acusações e a possibilidade de internacionalização da pena pela Fifa mantêm o caso em destaque no cenário esportivo global.
A investigação, que já dura mais de dois anos, ganhou contornos dramáticos com a pressão sobre o jogador e seu clube. O West Ham, insatisfeito com a lentidão do processo, teme impactos na próxima janela de transferências, especialmente após a frustrada negociação com o Manchester City em 2023. A complexidade do caso, envolvendo análise de registros telefônicos e movimentações financeiras, contribuiu para sucessivos adiamentos.
- Jogos investigados: Leicester (12/11/2022), Aston Villa (12/03/2023), Leeds (21/05/2023) e Bournemouth (12/08/2023).
- Acusações: Quatro violações da Regra E5.1 da FA, por tentativa de manipulação, e duas da Regra F3, por suposta obstrução.
- Possíveis punições: Vão de suspensão de seis meses a banimento vitalício, além de multas.
A defesa de Paquetá nega as acusações, alegando falta de provas diretas e evidências circunstanciais. O jogador, que coopera desde o início, enfrenta um momento crucial para sua carreira.
Detalhes das acusações contra Paquetá
As denúncias contra o meia brasileiro surgiram após a identificação de um volume incomum de apostas realizadas na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, onde o jogador nasceu. A casa de apostas Betway, patrocinadora do West Ham, alertou a FA sobre movimentações atípicas, que teriam gerado retornos superiores a R$ 600 mil. Nos quatro jogos citados, Paquetá recebeu cartões amarelos em lances considerados suspeitos, como faltas ou disputas acintosas.
Em um dos episódios, contra o Bournemouth, o cartão veio nos acréscimos após um choque com o cotovelo no rosto de um adversário. Outro lance, contra o Aston Villa, envolveu uma falta por trás no círculo central. A FA alega que esses incidentes foram intencionais, com o objetivo de beneficiar apostadores próximos ao jogador. A investigação também aponta cerca de 60 apostas suspeitas feitas por pessoas ligadas a Paquetá, o que intensificou as suspeitas.
A defesa, liderada por advogados especializados, argumenta que os cartões foram resultado de lances normais de jogo, sem intenção deliberada. O ex-técnico do West Ham, David Moyes, foi convocado para testemunhar a favor do jogador, reforçando a tese de que os lances não fogem do padrão competitivo da Premier League.
Complexidade do julgamento
O processo judicial, iniciado em março de 2025, enfrentou adiamentos devido à quantidade de evidências analisadas. Registros telefônicos, movimentações financeiras e depoimentos de diversas partes foram examinados por um painel independente. A retomada das audiências em maio e a conclusão em junho não garantiram uma resolução imediata, com a decisão agora prevista para até agosto de 2025.
Um ponto controverso é a acusação de obstrução, relacionada ao descarte de um celular secundário por Paquetá. Embora o jogador tenha entregue seu aparelho principal à FA, a entidade questiona a conduta, sugerindo tentativa de dificultar a investigação. A defesa rebate, afirmando que o descarte do aparelho não compromete as provas e que Paquetá colaborou plenamente.
- Duração do julgamento: Três semanas de audiências, com retomada em maio de 2025.
- Painel independente: Responsável por avaliar as evidências e emitir o veredicto.
- Prazo para decisão: Entre um e dois meses após a conclusão do julgamento.
O West Ham, que depende de Paquetá como peça-chave, expressou frustração com a demora, já que a incerteza afeta o planejamento para a próxima temporada.
Possíveis desdobramentos da sentença
O veredicto da FA será decisivo para o futuro de Paquetá. Caso absolvido, o jogador poderá retomar sua trajetória sem restrições, com chances de atrair novamente o interesse de clubes como o Manchester City. Se condenado, as consequências podem ser severas. A FA solicita o banimento definitivo, mas punições menores, como suspensão de seis meses, também são possíveis, dependendo da gravidade dos fatos apurados.
Em caso de punição, a FA pode pedir à Fifa a internacionalização da pena, o que impediria Paquetá de atuar em qualquer país filiado à entidade. Contudo, recursos ao Comitê de Apelações da FA e à Corte Arbitral do Esporte (CAS) podem prolongar o processo por mais de um ano, permitindo que o jogador continue em atividade durante as apelações.
A advogada Mariana Chamelette, especialista em direito esportivo, destacou que uma condenação pode levar à rescisão do contrato com o West Ham por justa causa, além de impactar patrocínios devido a danos à imagem do atleta.
Repercussão no Brasil e na seleção
No Brasil, o caso ganhou atenção com a convocação de Paquetá para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre manipulação de resultados, em outubro de 2024. O senador Jorge Kajuru criticou a presença do jogador na seleção brasileira enquanto as acusações não forem esclarecidas. Apesar disso, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) mantém o meia nas convocações, com o técnico Dorival Júnior expressando confiança em sua inocência.
Paquetá participou de 35 partidas na temporada 2024/2025 pelo West Ham, marcando cinco gols e dando uma assistência. Pela seleção, atuou em cinco jogos, mantendo sua relevância no elenco. A CBF avalia que, sem uma condenação formal, não há motivos para excluir o jogador, que se apresentou normalmente para as Eliminatórias da Copa de 2026.
Pressão emocional sobre o jogador
A investigação tem impactado Paquetá além dos gramados. Em abril de 2025, durante um jogo contra o Tottenham, o meia chorou ao receber um cartão amarelo, em um momento que viralizou nas redes sociais. Sua esposa, Duda Fournier, usou as redes para defender o marido, descrevendo o caso como um “pesadelo” de dois anos e elogiando sua resiliência.
A cena reflete a pressão psicológica enfrentada pelo jogador, que vive sob escrutínio constante. A incerteza sobre o futuro, aliada à exposição midiática, torna o período especialmente desafiador para Paquetá, que segue negando qualquer envolvimento com o esquema de apostas.
Histórico de punições por apostas na Inglaterra
A FA tem um histórico rigoroso em casos de manipulação de apostas. Exemplos recentes ilustram a severidade das punições:
- Ivan Toney (Brentford): Suspenso por oito meses em 2023, após 232 violações de regras de apostas.
- Sandro Tonali (Newcastle): Banido por dez meses em 2023, por 40 a 50 infrações.
- Kynan Isaac (Stratford Town): Banido por dez anos em 2022, por forçar um cartão amarelo em jogo da Copa da Inglaterra.
Esses casos sugerem que, mesmo sem manipulação direta de resultados, as penalidades para violações de apostas são pesadas, especialmente quando há intenção de influenciar eventos em campo. A colaboração de Paquetá com as autoridades pode atenuar uma eventual punição, mas a FA mantém a postura de buscar o banimento.
Cenário do West Ham durante o processo
O West Ham, atualmente na 16ª posição da Premier League com 35 pontos, enfrenta um momento delicado. A dependência de Paquetá, um dos principais criadores de jogadas da equipe, torna a espera pelo veredicto ainda mais crítica. O clube já perdeu oportunidades de negociar o jogador, como a proposta de 80 milhões de libras do Manchester City em 2023, interrompida pelas investigações.
A diretoria busca celeridade na resolução do caso para planejar a temporada 2025/2026. A possibilidade de perder Paquetá, seja por punição ou por transferência, força o clube a considerar alternativas no mercado, embora a janela de transferências esteja comprometida pela demora na decisão.
Aposta na integridade do futebol
A Regra E5.1 da FA, que Paquetá é acusado de violar, visa proteger a integridade do esporte, proibindo qualquer tentativa de influenciar jogos para fins impróprios. A norma é uma das mais rígidas do futebol inglês, refletindo a importância de combater a manipulação em um mercado de apostas que movimenta bilhões anualmente.
A investigação sobre Paquetá também levanta debates sobre a vulnerabilidade do esporte a esquemas de apostas, especialmente em mercados menores, como cartões amarelos. A FA intensificou a fiscalização nos últimos anos, com a ajuda de empresas como a Sports Radar, que monitoram movimentações suspeitas em tempo real.
Próximos passos do caso
Com o julgamento concluído, o painel independente da FA agora analisa as evidências para emitir o veredicto. A decisão, esperada entre julho e agosto de 2025, será passível de recurso tanto pela FA quanto pela defesa de Paquetá. Caso o jogador seja punido, o processo pode se estender até 2026, com apelações na FA e no CAS.
Enquanto isso, Paquetá segue em campo, com atuações regulares pelo West Ham e pela seleção brasileira. Sua performance, no entanto, é acompanhada de perto por torcedores e analistas, que aguardam o desfecho de um caso que pode redefinir sua carreira.

