Cientistas de organizações como Climate Central e World Weather Attribution divulgaram análises sobre o impacto do calor na Copa do Mundo de 2026. O torneio, que será disputado em 16 estádios no Canadá, México e Estados Unidos, terá 104 jogos entre junho e julho. Temperaturas acima de 28°C podem reduzir a intensidade das partidas e o ritmo explosivo dos atletas.
O alerta ganha força porque o futebol moderno depende de sprints frequentes, recuperação rápida e decisões instantâneas. Em condições mais quentes, os jogadores percorrem menos distância, diminuem a frequência de acelerações e precisam de intervalos maiores para recuperar. Torcedores e staff também enfrentam riscos, especialmente em arenas ao ar livre. Organizadores já preparam ajustes, mas pesquisadores questionam se as medidas bastam.
Calor acima de 28°C ameaça desempenho em quase todos os jogos
A Climate Central calculou que 93% dos confrontos, ou 97 de 104 jogos, terão maior probabilidade de registrar temperaturas que prejudicam o desempenho. O aquecimento global eleva em cerca de 8 pontos percentuais, em média, o risco de calor debilitante. Em 26 partidas, o aumento chega a 10 pontos ou mais.
Pesquisas anteriores já ligam a marca de 28°C a quedas no rendimento físico. Atletas reduzem sprints, correm distâncias menores e demoram mais para se recuperar. O efeito aparece em velocidade de jogo, escolhas táticas e intensidade geral. Um exemplo citado é o duelo entre Uruguai e Espanha, marcado para 26 de junho no México.
A ferramenta interativa da Climate Central permite estimar o impacto em cada seleção. O levantamento usa dados históricos para projetar probabilidades diárias de calor excessivo. Organizadores programaram mais jogos noturnos em sedes quentes, mas a maioria dos estádios permanece descoberta.
- Apenas três arenas contam com climatização completa: Atlanta, Dallas e Houston.
- A maioria dos 16 estádios expõe jogadores e público a condições ao ar livre.
- Cidades como Miami, Kansas City, Nova York e Filadélfia concentram alertas mais graves.
- Medidas incluem pausas obrigatórias para hidratação em todas as partidas.
- Jogos podem ser adiados se o índice WBGT atingir 32°C.
Mudanças climáticas aumentam chance de ondas de calor no torneio
O aquecimento provocado pela ação humana eleva em cerca de 8% as probabilidades de condições extremas durante o período da Copa. Comparações com o torneio de 1994 nos Estados Unidos mostram piora clara. Naquela edição, episódios de calor ocorreram, mas eram menos frequentes e intensos.
A World Weather Attribution modelou as 104 partidas e concluiu que um quarto delas pode ocorrer em cenários inseguros. Cinco jogos teriam calor tão elevado que especialistas recomendariam adiamento. O estudo considera temperatura, umidade e outros fatores reunidos no índice WBGT.
Dra. Joyce Kimutai, do Imperial College London, destacou que o contexto mudou de forma fundamental em 32 anos. A combinação de calor e umidade amplifica o estresse térmico. Pesquisadores enfatizam que o problema afeta não só atletas, mas todos no entorno dos estádios.
Inglaterra e outras seleções europeias entre as mais expostas
A primeira partida da Inglaterra, contra a Croácia, registra 95% de chance de calor prejudicial ao desempenho. No mesmo grupo, o risco cai para 49% na fase inicial em outros jogos. Se a equipe avançar até a final, quatro confrontos teriam mais de 50% de probabilidade de impacto.
A Escócia também aparece em situação de atenção. O jogo contra o Brasil, em 24 de junho em Miami, surge nas análises como um dos mais preocupantes para torcedores britânicos. Seleções sul-americanas e locais enfrentam riscos semelhantes dependendo da sede e data.
O torneio ocorre no verão do hemisfério norte, o que naturalmente eleva as temperaturas médias. Mudanças climáticas agravam esse quadro ao aumentar a frequência e intensidade de dias quentes. Organizações monitoram previsões em tempo real para ajustes de última hora.
Fifa adota medidas de proteção, mas cientistas pedem mais ações
A entidade máxima do futebol já incluiu pausas de hidratação e horários noturnos em cidades quentes. Protocolos preveem adiamento quando o WBGT alcançar níveis críticos. O sindicato dos jogadores e pesquisadores consideram essas iniciativas insuficientes em alguns casos.
Estudos indicam que pausas maiores, protocolos mais rigorosos e até revisão de horários poderiam reduzir riscos. O debate ganha relevância porque o evento global expõe milhões de pessoas a condições de estresse térmico. A saúde pública e o espetáculo esportivo estão em jogo.
Estádios e planejamento enfrentam novo desafio climático
Dezesseis sedes distribuídas pelos três países anfitriões recebem o torneio. Apenas parte conta com infraestrutura completa contra calor. A análise da Climate Central mostra aumento de dias extremamente quentes na maioria dos locais desde edições anteriores.
O problema transcende o campo. Torcedores em fan fests, staff operacional e até transmissão podem sentir os efeitos. Pesquisadores alertam que o futebol, esporte de alta intensidade, precisa se adaptar a um clima em transformação. O torneio servirá como teste real para medidas futuras.

