A cidade de São Paulo amanheceu com termômetros marcando 10,3°C na madrugada desta sexta-feira, 13 de junho de 2025, conforme medição do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) na estação do Mirante de Santana, na Zona Norte. Apesar do frio intenso, a temperatura não superou o recorde do ano, registrado em 30 de maio, quando os termômetros atingiram 9,6°C. A queda brusca se deve ao avanço de uma massa de ar polar que intensificou as condições geladas no Sudeste desde quarta-feira. A previsão para os próximos dias indica que o frio persiste, com mínimas de até 8°C no sábado. A umidade do ar variou entre 40% e 100%, e a máxima do dia não passou de 19°C. O fenômeno, embora marcante, ficou acima das expectativas iniciais, que apontavam 8°C para a madrugada.
A onda de frio pegou muitos paulistanos desprevenidos, especialmente nas regiões periféricas, onde a sensação térmica foi ainda mais rigorosa. Na Zona Leste, por exemplo, termômetros de rua na Mooca marcaram 14°C pela manhã, segundo registros locais. A massa de ar polar, vinda do Centro-Sul do país, trouxe não apenas temperaturas baixas, mas também alertas para cuidados com a saúde, como a prevenção de doenças respiratórias.
- Principais impactos do frio em SP:
- Aumento da procura por agasalhos em lojas e feiras.
- Necessidade de cuidados redobrados com idosos e crianças.
- Risco de doenças respiratórias, como gripes e resfriados.
A combinação de temperaturas baixas e variação de umidade exige atenção, especialmente em áreas mais vulneráveis da capital.
Avanço do ar polar no Sudeste
A chegada do ar polar ao Sudeste foi registrada a partir de quarta-feira, 11 de junho, com reflexos imediatos nas temperaturas. O Inmet explica que a massa de ar frio se deslocou do Sul do país, intensificando o frio em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Na capital paulista, o impacto foi sentido de forma mais acentuada durante a madrugada, quando a ausência de nuvens permitiu maior perda de calor. Regiões como o Mirante de Santana, ponto de referência para medições oficiais, captaram a mínima de 10,3°C às 4h da manhã.
Embora a temperatura tenha sido significativa, os meteorologistas destacam que a previsão inicial apontava para um frio ainda mais intenso. A diferença entre o esperado (8°C) e o registrado (10,3°C) se deve a fatores como ventos moderados que amenizaram a queda térmica. Na Zona Sul, bairros como Campo Limpo relataram sensação térmica próxima de 7°C devido à exposição a ventos.
Variações regionais na capital
Nem todas as áreas de São Paulo experimentaram o frio da mesma forma. Enquanto o Mirante de Santana marcou 10,3°C, pontos como a Mooca, na Zona Leste, registraram 14°C pela manhã. Bairros periféricos, como Brasilândia e Cidade Tiradentes, enfrentaram condições mais severas devido à menor infraestrutura e à localização geográfica, que favorece ventos frios. Moradores dessas regiões relataram dificuldades para se aquecer, especialmente em moradias com pouca proteção térmica.
A desigualdade climática também reflete questões sociais. Nas periferias, a falta de acesso a aquecedores e roupas adequadas agrava os impactos do frio. Associações comunitárias intensificaram a distribuição de cobertores, mas a demanda segue alta.
Previsão para os próximos dias
O frio em São Paulo não dá trégua no curto prazo. O Inmet divulgou previsões detalhadas para o fim de semana e o início da próxima semana, indicando a continuidade de temperaturas baixas:
- Sábado (14): Mínima de 8°C e máxima de 22°C, com umidade entre 20% e 100%.
- Domingo (15): Mínima de 10°C e máxima de 22°C, com umidade entre 40% e 80%.
- Segunda (16): Mínima de 10°C e máxima de 24°C, com umidade entre 30% e 80%.
- Terça (17): Mínima de 11°C e máxima de 26°C, com umidade entre 30% e 100%.
A variação de umidade, especialmente no sábado, pode agravar a sensação de frio, já que níveis mais baixos intensificam o ressecamento da pele e das vias respiratórias. Meteorologistas recomendam o uso de hidratantes e a ingestão de líquidos para minimizar os efeitos.
Cuidados com a saúde no frio
As temperaturas baixas trazem preocupações adicionais com a saúde pública. Hospitais e unidades de saúde da capital relataram aumento na procura por atendimentos relacionados a doenças respiratórias, como gripes, resfriados e bronquites. Populações vulneráveis, como idosos e crianças, são as mais afetadas. A Secretaria Municipal de Saúde reforçou a importância de medidas preventivas.
- Recomendações para enfrentar o frio:
- Usar roupas quentes e cobrir extremidades, como mãos e cabeça.
- Manter ambientes ventilados, mas evitar correntes de ar frio.
- Priorizar a hidratação, mesmo com a sensação reduzida de sede.
- Evitar aglomerações em locais fechados para reduzir riscos de contágio.
A relação entre o frio e o aumento de casos de doenças como a gripe é especialmente preocupante nas periferias, onde o acesso a cuidados médicos é mais limitado.
Histórico de temperaturas em São Paulo
A mínima de 10,3°C, embora expressiva, não se compara a recordes históricos da cidade. Em 30 de maio de 2025, os 9,6°C já haviam chamado atenção, mas temperaturas ainda mais baixas foram registradas em anos anteriores. Em 1988, por exemplo, São Paulo chegou a 2,7°C, uma das menores marcas já medidas. O Inmet mantém registros detalhados, que mostram que ondas de frio como a atual são comuns no inverno paulistano, mas variam em intensidade.
O inverno de 2025, até o momento, apresenta características típicas, com alternância entre dias gelados e períodos de temperaturas amenas. A influência de massas polares, como a que atingiu a cidade nesta semana, é esperada entre junho e agosto, com picos de frio em momentos específicos.
Efeitos no cotidiano paulistano
A onda de frio alterou a rotina em São Paulo. Nas ruas, pedestres foram vistos com casacos pesados e cachecóis, mesmo durante o dia, quando a temperatura não ultrapassou 19°C. O comércio de roupas de inverno registrou alta nas vendas, especialmente em lojas populares do Brás e da 25 de Março. Feiras livres também reportaram maior procura por itens como meias térmicas e gorros.
No transporte público, a lotação de ônibus e metrôs foi agravada pela preferência dos paulistanos por evitar trajetos a pé. Estações como Sé e Luz registraram maior movimento no início da manhã, com passageiros buscando abrigo contra o vento frio.
Mudanças climáticas e o frio
Embora a onda de frio seja um fenômeno natural, especialistas alertam que eventos climáticos extremos, incluindo quedas bruscas de temperatura, podem estar relacionados às mudanças climáticas. A maior variabilidade nas temperaturas, com alternância entre calor e frio intensos, é observada em São Paulo nos últimos anos. O Inmet monitora esses padrões, mas não há consenso sobre o impacto direto do aquecimento global nas ondas de frio.
A massa de ar polar atual, segundo meteorologistas, segue um padrão sazonal, mas sua intensidade e duração chamam atenção. Dados do Inmet indicam que o inverno de 2025 pode registrar mais episódios de frio significativo, especialmente em julho.
Ações comunitárias contra o frio
Nas periferias, a solidariedade tem sido uma resposta ao frio. Associações de moradores e ONGs intensificaram campanhas de arrecadação de agasalhos e cobertores. Em Cidade Tiradentes, na Zona Leste, voluntários distribuíram mais de 500 peças de roupa em um único dia. Na Zona Sul, igrejas e centros comunitários abriram espaços para acolher pessoas em situação de rua, oferecendo sopas e abrigo temporário.
A prefeitura de São Paulo também ampliou os pontos de acolhimento, com foco em regiões centrais e periféricas. Equipes da assistência social percorrem áreas como a Cracolândia para oferecer suporte, mas a demanda ainda supera a oferta de vagas.
Previsão estendida e cuidados
Para os próximos dias, a previsão indica que o frio perderá força gradualmente. A partir de terça-feira, 17 de junho, as temperaturas máximas podem chegar a 26°C, sinalizando uma transição para dias mais amenos. Ainda assim, as madrugadas continuarão geladas, com mínimas acima de 10°C. A umidade, que varia significativamente, exige atenção para evitar problemas respiratórios.
Moradores são orientados a manter rotinas de cuidado, como o uso de roupas adequadas e a ventilação de ambientes. A combinação de frio e poluição, comum em São Paulo, pode agravar condições como asma e rinite, especialmente em crianças.

