Uma mulher vítima de violência doméstica conseguiu se salvar ao simular um pedido de pizza durante uma ligação para o 190 na noite de sexta-feira (23) no Jardim São Francisco, na Zona Sul de São Paulo. A atendente da Polícia Militar identificou o pedido de socorro cifrado, obteve o endereço e acionou equipes do 37º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano imediatamente.
A vítima relatou que o companheiro a ameaçava, a empurrava contra a parede e tentava forçá-la a manter relação sexual contra a vontade, tudo na frente da filha do casal com 3 anos. Segundo seu depoimento, o agressor ainda utilizou um espelho para golpeá-la, e os estilhaços atingiram a criança, que sofreu lesões nos olhos e foi internada no Hospital M’Boi Mirim para exames.
Como funcionou o pedido disfarçado
A conversa entre a vítima e a policial ocorreu de forma cifrada, mas clara o suficiente para que a atendente compreendesse o sinal de socorro. A vítima pediu pizza de frango com catupiry e muçarela com bacon, enquanto a PM fazia perguntas sobre endereço e instruções de entrega. Em um momento crucial, a mulher pediu para ser avisada quando o “motoboy” chegasse, alegando que sua casa ficava nos fundos do imóvel.
As equipes da Polícia Militar se dirigiram ao local e fizeram contato telefônico informando que “a pizza havia chegado”. Naquele momento, a vítima saiu do imóvel bastante nervosa e tremendo. Ela foi abordada pelos policiais, que ouviram seu relato completo sobre as agressões e ameaças sofridas.
Arma encontrada e crimes registrados
Dentro da residência, os policiais localizaram um revólver calibre .38 com numeração suprimida e 5 munições intactas. O homem tentou deixar o imóvel com uma mochila, capacete e algumas roupas, mas foi detido pelos policiais antes de conseguir sair.
O caso foi registrado no 47º Distrito Policial. Os crimes pelos quais o agressor permaneceu preso são:
- Lesão corporal no contexto de violência doméstica
- Ameaça e violência psicológica contra a mulher
- Dano material
- Perigo para a vida ou saúde de outrem
- Posse ilegal de arma de fogo
Crianças expostas à violência doméstica
A filha do casal, com apenas 3 anos, presenciou toda a agressão e sofreu lesões físicas quando os estilhaços do espelho atingiram seus olhos. A criança foi encaminhada ao Hospital M’Boi Mirim para avaliação e internação, conforme protocolo de atendimento a vítimas de violência doméstica envolvendo menores.
O incidente reforça a gravidade dos casos de violência doméstica que envolvem crianças no mesmo ambiente, colocando em risco não apenas a mãe, mas também filhos menores que presenciam os episódios de agressão. As polícias militares têm orientação específica para priorizar esses casos durante o atendimento de emergência.

