Um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional, discutido em junho de 2025, coloca em xeque a continuidade da CNH Social, programa que garante habilitação gratuita a pessoas de baixa renda em diversos estados brasileiros. A proposta, que sugere redirecionar recursos de multas de trânsito para outros fins, pode interromper a iniciativa que beneficia milhares de cidadãos, especialmente em estados como Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Bahia. A CNH Social cobre custos como taxas do Detran, exames e aulas, promovendo inclusão social e acesso ao mercado de trabalho. A incerteza sobre o programa preocupa candidatos que dependem da gratuidade para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O debate no Congresso ocorre em meio a 251 mil inscrições recentes no Rio Grande do Sul, refletindo a alta demanda pela iniciativa.
A proposta legislativa, aprovada na Câmara dos Deputados em maio de 2025, aguarda sanção presidencial. Ela altera a distribuição de verbas arrecadadas com multas, o que pode reduzir o financiamento da CNH Social. Estados temem dificuldades para manter o programa sem apoio federal.
Programas como a CNH Social são vitais para pessoas em vulnerabilidade econômica. Em 2024, mais de 20 mil habilitações foram emitidas gratuitamente em 19 estados participantes, segundo dados do Detran.
- Principais pontos do programa:
- Isenção de taxas para categorias A (moto) e B (carro).
- Beneficia inscritos no Cadastro Único (CadÚnico).
- Promove empregabilidade e mobilidade urbana.
- Vagas limitadas, com seleção por critérios socioeconômicos.
Funcionamento da CNH Social
A CNH Social foi criada para democratizar o acesso à habilitação, cobrindo todas as etapas do processo, desde exames médicos até aulas práticas. Em estados como Goiás, a iniciativa é regida por leis estaduais, como a Lei nº 20.637 de 2019, que estabelece critérios claros de elegibilidade.
Os beneficiários passam por uma seleção rigorosa, que analisa renda familiar, inscrição no CadÚnico e outros fatores, como desemprego ou desempenho escolar. No Espírito Santo, 7 mil vagas foram abertas em 2025, divididas em duas fases, com 3.500 oportunidades por semestre.
A gratuidade abrange custos que, em média, variam de R$ 1.200 a R$ 2.000, segundo estimativas de autoescolas. Para muitos, a CNH é a porta de entrada para profissões como motorista de aplicativo ou entregador.
Critérios de elegibilidade
Os requisitos para participar da CNH Social variam entre os estados, mas alguns padrões são comuns. A maioria exige que o candidato tenha mais de 18 anos, saiba ler e escrever e esteja inscrito no CadÚnico até uma data específica, como 28 de fevereiro de 2025 no Rio Grande do Sul.
- Requisitos gerais:
- Renda familiar de até dois ou três salários mínimos.
- Residência mínima de dois anos no estado.
- Não possuir impedimentos judiciais para dirigir.
- Prioridade para desempregados ou estudantes de escolas públicas.
Estados como o Ceará destacam grupos prioritários, como mulheres chefes de família, enquanto São Paulo exige comprovação de residência prolongada. No Rio de Janeiro, jovens de 18 a 25 anos têm preferência, visando inserção precoce no mercado de trabalho.
Processo de inscrição
Inscrever-se na CNH Social exige atenção às datas divulgadas pelos Detrans estaduais. Em 2025, o Rio Grande do Sul registrou 251,4 mil candidatos para 3 mil vagas, com inscrições abertas de 12 de maio a 10 de julho.
O processo começa com a verificação dos requisitos no site do Detran. Os candidatos preenchem um formulário online, anexam documentos como RG, CPF, comprovante de residência e CadÚnico, e aguardam a seleção.
No Espírito Santo, a seleção é automatizada, baseada em dados do CadÚnico, sem necessidade de provas adicionais. Os aprovados são convocados para iniciar aulas teóricas e práticas em Centros de Formação de Condutores (CFCs) parceiros.
Ameaça do projeto de lei
O projeto de lei, aprovado na Câmara, propõe usar parte dos recursos de multas de trânsito para outras áreas, como infraestrutura viária, reduzindo o orçamento da CNH Social. A proposta, que aguarda sanção presidencial, não detalha como os estados manterão o programa sem esses fundos.
No Paraná, autoridades já manifestaram preocupação com a possível suspensão do programa, que beneficiou 5 mil pessoas em 2024. O Rio Grande do Sul, com investimento de R$ 13,8 milhões em 2025, teme cortes que limitem as 3 mil vagas atuais.
A falta de regulamentação clara no projeto aumenta a incerteza. Especialistas apontam que, sem verbas federais, estados menos recursos podem abandonar a iniciativa, restringindo o acesso à habilitação gratuita.

Importância para a empregabilidade
A CNH Social desempenha um papel crucial na geração de empregos. Em 2023, 62% dos beneficiários no Espírito Santo conseguiram empregos formais após obter a CNH, segundo o Detran local. Profissões como motorista de ônibus, caminhoneiro e entregador são comuns entre os habilitados.
O programa também reduz a informalidade. Muitos beneficiários, antes limitados a trabalhos precários, passaram a atuar em setores regulamentados, como transporte de passageiros. No Ceará, o programa CNH Popular prioriza mulheres, promovendo igualdade de gênero no mercado de trabalho.
Variações estaduais do programa
Cada estado adapta a CNH Social às suas necessidades. Na Bahia, os programas CNH da Gente e CNH na Escola oferecem 12 mil vagas em 2025, com inscrições a partir de 16 de junho. Roraima chama sua iniciativa de CNH Cidadã, enquanto o Pará usa o nome CNH Pai D’égua.
- Programas por estado:
- Bahia: 12 mil vagas, foco em estudantes e baixa renda.
- Espírito Santo: 7 mil vagas, seleção via CadÚnico.
- Rio Grande do Sul: 3 mil vagas, sorteio eletrônico.
- Goiás: isenção total para categorias A e B.
No Mato Grosso, o programa Ser Família CNH Social inclui cursos profissionalizantes, ampliando a qualificação dos beneficiários. Essas diferenças refletem a autonomia estadual na gestão do programa.
Riscos da interrupção
A possível extinção da CNH Social pode agravar desigualdades sociais. Sem a gratuidade, pessoas de baixa renda enfrentarão barreiras para acessar profissões que exigem CNH, como logística e transporte. Em 2024, o custo médio para tirar a CNH no Brasil atingiu R$ 2.300, valor inviável para famílias com renda de até dois salários mínimos.
Estados como o Espírito Santo, que já beneficiou milhares de cidadãos, alertam que a interrupção afetaria diretamente a mobilidade urbana e a economia local. A redução de condutores qualificados também pode aumentar a informalidade no setor de transportes.
Ações dos estados frente à proposta
Diante da ameaça, alguns estados buscam alternativas. O Rio Grande do Sul mantém o programa com recursos próprios, mas admite que cortes federais podem limitar sua expansão. O Paraná avalia parcerias com o setor privado para financiar a iniciativa.
No Espírito Santo, o Detran reforçou a divulgação do programa, incentivando inscrições antes de possíveis mudanças. A Bahia, com seus programas CNH da Gente e CNH na Escola, planeja manter as 12 mil vagas, mas depende de verbas estaduais para isso.
Dicas para candidatos
Para quem deseja aproveitar a CNH Social enquanto o programa está ativo, é essencial agir rápido. Os períodos de inscrição variam, e as vagas são limitadas. No Rio Grande do Sul, o prazo termina em 10 de julho de 2025, enquanto na Bahia as inscrições abrem em 16 de junho.
- Passos para se preparar:
- Atualize o CadÚnico com dados recentes.
- Verifique os requisitos no site do Detran estadual.
- Reúna documentos como RG, CPF e comprovante de residência.
- Acompanhe editais para não perder prazos.
Os candidatos devem monitorar os sites oficiais dos Detrans, já que as datas de convocação e os resultados são divulgados online. A preparação antecipada aumenta as chances de aprovação.
Inclusão social pelo programa
A CNH Social vai além da habilitação. Ela promove cidadania ao permitir que pessoas em vulnerabilidade acessem direitos básicos, como mobilidade e trabalho formal. Em 2024, o programa beneficiou 8 mil pessoas no Goiás, com 70% delas inseridas no mercado de trabalho após a habilitação.
Mulheres, jovens e pessoas com deficiência, que muitas vezes enfrentam barreiras adicionais, são grupos prioritários em vários estados. No Espírito Santo, 5% das vagas são reservadas para pessoas com deficiência, e 13% para egressos do sistema prisional.
Futuro incerto do programa
A tramitação do projeto de lei mantém a CNH Social em suspense. Enquanto a sanção presidencial não ocorre, os estados continuam oferecendo vagas, mas com cautela. A falta de clareza sobre o financiamento futuro preocupa gestores e candidatos, que temem a perda de uma ferramenta essencial de inclusão.
A mobilização de autoridades estaduais e a pressão de movimentos sociais podem influenciar a decisão final. Por enquanto, os interessados devem aproveitar as oportunidades atuais, acompanhando os editais e se inscrevendo o quanto antes.