Tucson e HR saem de linha em Anápolis: Hyundai rompe com Caoa após 26 anos

Hyundai New Tucson

Hyundai New Tucson - Foto: divulgação

A Hyundai encerrou a produção dos modelos Tucson e HR na fábrica da Caoa em Anápolis, Goiás, em abril de 2025, menos de um ano após um acordo firmado entre as empresas em 2024. A decisão, tomada durante férias coletivas na planta, marcou o fim de uma parceria de 26 anos para a fabricação de veículos da marca sul-coreana no local. Desde maio, a unidade passou a produzir exclusivamente modelos da Caoa Chery, como os SUVs Tiggo 5X, Tiggo 7 e Tiggo 8, sem planos para novos carros da Hyundai. A Caoa permanece como distribuidora de veículos nacionais e importados da Hyundai no Brasil, enquanto a montadora prioriza sua fábrica em Piracicaba, São Paulo, e a importação de modelos como Ioniq 5 e Palisade. A mudança reflete uma reestruturação estratégica da Hyundai no país, em meio a vendas decrescentes do Tucson e HR e à entrada das normas de emissões Proconve PL8.

A interrupção da produção pegou o mercado de surpresa, já que o acordo de 2024 previa a fabricação de novos modelos em Anápolis. A fábrica goiana, inaugurada em 2007 com um investimento de R$ 1,2 bilhão, foi um marco na parceria entre Hyundai e Caoa, que começou em 1999. A decisão deixa a planta de Anápolis com capacidade ociosa para a Hyundai, enquanto a Caoa foca em sua joint venture com a Chery.

O Tucson, com apenas 960 emplacamentos em 2025 até junho, e o HR, com 1.785 unidades, perderam competitividade frente a rivais como Jeep Compass e Kia Bongo. A Hyundai agora avalia lançar modelos como Santa Fe e a picape Santa Cruz até 2026, mas a produção local permanece incerta.

  • Detalhes da decisão:
    • Produção de Tucson e HR paralisada em abril de 2025.
    • Fábrica de Anápolis foca em Caoa Chery desde maio.
    • Parceria industrial com Caoa encerrada após 26 anos.
    • Caoa mantém distribuição de modelos Hyundai no Brasil.

Histórico da parceria

A relação entre Hyundai e Caoa começou em 1999, quando a empresa brasileira assumiu a importação exclusiva da marca sul-coreana, elevando seu prestígio no mercado nacional. Em 2007, a Caoa inaugurou a fábrica de Anápolis, inicialmente para produzir o Tucson de primeira geração e os utilitários HR e HD. A planta também fabricou o ix35 a partir de 2013, consolidando a parceria.

Em 2012, a Hyundai criou a Hyundai Motor Brasil (HMB), com a fábrica de Piracicaba, São Paulo, para produzir HB20 e Creta, gerando uma divisão nas operações. A Caoa continuou responsável por importados e pela produção em Goiás, enquanto a HMB focava em modelos nacionais. Essa estrutura levou a tensões, culminando em uma disputa arbitral em Frankfurt em 2018, resolvida em 2021 com a extensão do contrato até 2028.

O acordo de 2024 buscava unificar a distribuição e expandir a produção em Anápolis, mas a falta de novos modelos e a queda nas vendas do Tucson e HR frustraram as expectativas. A Hyundai agora prioriza importações e sua planta de Piracicaba, que opera no limite de 200 mil unidades anuais.

Motivos da interrupção

A paralisação da produção em Anápolis coincide com a entrada em vigor das normas de emissões Proconve PL8, que exigem veículos mais eficientes. Embora Tucson e HR atendam à legislação, a falta de atualizações tecnológicas e a baixa demanda contribuíram para a decisão. O Tucson, equipado com um motor 1.6 turbo de 177 cv, teve apenas 69 emplacamentos em junho de 2025, contra uma média mensal de 130 a 200 unidades no início do ano.

O HR, com motor 2.5 turbodiesel de 130 cv, registrou 159 unidades em junho, abaixo da média de 200 a 380. Ambos os modelos, comercializados como ano-modelo 2024/2025, dependem de estoques, indicando que não há produção recente. A concorrência também pressionou: o Jeep Compass liderou o segmento de SUVs médios com 58 mil unidades em 2024, enquanto o Kia Bongo, com 2.100 emplacamentos em 2025, superou o HR.

  • Fatores que levaram ao fim da produção:
    • Queda nas vendas de Tucson (960 unidades até junho de 2025).
    • HR com 1.785 emplacamentos em 2025, abaixo da média.
    • Entrada do Proconve PL8, apesar de conformidade.
    • Falta de novos modelos Hyundai em Anápolis.

Especificações dos modelos descontinuados

O Tucson, produzido em Anápolis desde 2016, era oferecido na versão Limited por R$ 199.490. Equipado com um motor 1.6 turbo a gasolina de 177 cv e câmbio de dupla embreagem de sete marchas, o SUV competia com modelos como Toyota Corolla Cross e Volkswagen Taos, mas perdeu espaço devido à ausência de atualizações. A quarta geração do Tucson, lançada globalmente em 2020, nunca foi produzida no Brasil, e há negociações para sua fabricação em Anápolis a partir de 2026.

O HR, um utilitário leve, era vendido na versão GL por R$ 188.990, com motor 2.5 turbodiesel de 130 cv, tração 4×2 e câmbio manual de seis marchas. Seu concorrente direto, o Kia Bongo, fabricado no Uruguai, ganhou tração 4×4 e tanque de Arla para a linha 2026, aumentando sua competitividade. A descontinuação do HR reflete a preferência da Hyundai por modelos importados ou produzidos em Piracicaba.

Tucson – Foto: Divulgação

Nova estratégia da Hyundai

Com o fim da parceria industrial, a Hyundai foca na importação de modelos premium, como o Ioniq 5, Kona e Palisade, e na produção de HB20 e Creta em Piracicaba. A fábrica paulista, com capacidade de 200 mil unidades anuais, opera no limite, sem espaço para novos modelos, o que tornava Anápolis estratégica. A montadora planeja lançar o Santa Fe e a picape Santa Cruz até 2026, mas a produção local desses veículos é incerta.

A Hyundai avalia construir uma nova fábrica no Brasil, com custo estimado de R$ 2 bilhões, mas parcerias com terceiros, incluindo a Caoa, permanecem como opções viáveis. A unificação da rede de concessionárias, iniciada em 2024, permite que todas as lojas vendam modelos nacionais e importados, eliminando a divisão entre HMB e Caoa. A marca sul-coreana, quinta maior montadora do Brasil, mantém o HB20 como o segundo carro mais vendido do país, com 88 mil unidades em 2024.

Papel da Caoa após o rompimento

A Caoa, agora focada na produção de modelos Chery em Anápolis, mantém sua estratégia multimarcas, que inclui a joint venture Caoa Chery e a representação da Subaru. A fábrica goiana, com capacidade para 100 mil veículos anuais, produziu 400 mil unidades de Hyundai e Chery desde 2007. Em 2020, a Caoa anunciou um investimento de R$ 1,5 bilhão até 2025 para fabricar 10 novos modelos, principalmente da Chery, como o Tiggo 8 Pro Hybrid.

A planta de Jacareí, São Paulo, pertencente à Caoa Chery, está fechada desde 2022, mas será reaberta em 2025 para produzir veículos elétricos e híbridos. A Caoa também continua como distribuidora da Hyundai, com uma rede de concessionárias que comercializa desde o HB20 até importados como o Ioniq 5.

  • Atuação da Caoa em 2025:
    • Produção de SUVs Chery em Anápolis (Tiggo 5X, 7 e 8).
    • Reabertura de Jacareí para elétricos e híbridos.
    • Distribuição de modelos Hyundai em todo o Brasil.
    • Investimento de R$ 1,5 bilhão até 2025.

Mercado de SUVs e utilitários leves

O segmento de SUVs médios no Brasil é liderado por Jeep Compass (58 mil unidades em 2024) e Toyota Corolla Cross (42 mil unidades), enquanto o Tucson, com apenas 960 emplacamentos em 2025, perdeu relevância. A descontinuação da produção local pode abrir espaço para concorrentes como Volkswagen Taos e Honda CR-V. No mercado de utilitários leves, o Kia Bongo superou o HR, que enfrenta dificuldades com sua tração 4×2 e falta de atualizações.

A Hyundai, apesar do fim da produção em Anápolis, mantém uma posição sólida no Brasil, com 8,5% de participação de mercado em 2024, segundo a Fenabrave. A estratégia de focar em importações e na fábrica de Piracicaba visa atender a demanda por SUVs premium e modelos eletrificados, alinhada às tendências globais.

Negociações para o futuro

Fontes indicam que a Hyundai negocia a produção da quarta geração do Tucson em Anápolis a partir de 2026, o que poderia reabrir a parceria com a Caoa. A nova geração, lançada globalmente em 2020, oferece motorizações híbridas e design renovado, com potencial para recuperar competitividade no segmento de SUVs médios. A decisão dependerá de incentivos fiscais e da estratégia global da Hyundai, que prioriza a eletrificação.

A Caoa, por sua vez, busca novas parcerias para ocupar a capacidade de Anápolis, incluindo possíveis acordos com outras montadoras. A experiência da empresa em manufatura e sua infraestrutura em Goiás a tornam uma candidata atraente para marcas que desejam produzir localmente.

Curiosidades sobre a fábrica de Anápolis

A planta de Anápolis, localizada no Distrito Agroindustrial, foi a primeira fábrica da Caoa no Brasil, inaugurada com um investimento de R$ 1,2 bilhão. Desde 2007, produziu modelos icônicos da Hyundai, como o Tucson de primeira geração e o ix35, além de caminhões leves como o HR e HD78. A fábrica também é um polo de empregos, com cerca de 2.000 trabalhadores diretos.

A unidade se destaca por sua flexibilidade, capaz de produzir veículos de diferentes marcas, como Hyundai e Chery, em linhas compartilhadas. Em 2023, a planta celebrou a marca de 400 mil veículos fabricados, consolidando sua relevância no setor automotivo brasileiro.

  • Fatos sobre Anápolis:
    • Inaugurada em 2007 com R$ 1,2 bilhão de investimento.
    • Capacidade para 100 mil veículos por ano.
    • Produziu 400 mil unidades até 2023.
    • Empregou 2.000 trabalhadores diretos em 2024.

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