Israel bombardeia prisão de Evin em Teerã e alvos da Guarda Revolucionária

prisão de Evin

prisão de Evin - Foto: reprodução X

Na manhã desta segunda-feira, 23 de junho de 2025, Israel realizou uma série de ataques aéreos em Teerã, capital do Irã, atingindo a entrada da infame prisão de Evin, conhecida por abrigar presos políticos e denúncias de violações de direitos humanos. O ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, confirmou a ofensiva, que também mirou instalações da Guarda Revolucionária e da milícia Basij, marcando uma escalada no conflito entre os dois países. Imagens divulgadas pela mídia iraniana mostram uma densa nuvem de fumaça no local do ataque, enquanto autoridades de ambos os lados trocam acusações. A ação ocorre um dia após os Estados Unidos se envolverem no conflito, intensificando a tensão na região. O objetivo, segundo Israel, foi desmantelar centros de repressão do regime iraniano.

O ataque à prisão de Evin, localizada no norte de Teerã, foi descrito como um golpe simbólico. A instalação, operada parcialmente pela Guarda Revolucionária, é notória por deter dissidentes, jornalistas e cidadãos com dupla nacionalidade, frequentemente usados como moeda de troca em negociações internacionais. A ofensiva também incluiu alvos estratégicos, como o quartel-general da milícia Basij e um relógio em Teerã que contava os dias para a “destruição de Israel”.

  • Alvos atingidos: Entrada da prisão de Evin, bases da Guarda Revolucionária e milícia Basij.
  • Contexto: 11º dia de guerra declarada entre Israel e Irã, com envolvimento recente dos EUA.
  • Impacto imediato: Interrupção de energia em partes de Teerã e mobilização de civis próximos à prisão.

A escalada militar reflete meses de tensões, agravadas por ataques iranianos a civis israelenses, segundo o governo de Tel Aviv. Enquanto isso, o Irã respondeu com lançamentos de mísseis, todos interceptados por defesas israelenses.

Prisão de Evin: um símbolo de repressão
Construída em 1971, durante o regime do xá Mohammad Reza Pahlavi, a prisão de Evin ganhou notoriedade após a Revolução Islâmica de 1979. Hoje, é administrada em parte pela Guarda Revolucionária, que responde diretamente ao líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. O local abriga unidades especiais para presos políticos, onde torturas, confinamento solitário e outras violações de direitos humanos foram amplamente documentadas por organizações internacionais.

Relatos de ex-detentos, como o jornalista iraniano-americano Jason Rezaian, que passou 18 meses em Evin sob acusações de espionagem, destacam as condições desumanas do presídio. A instalação também é usada para deter cidadãos ocidentais, muitas vezes como forma de pressão diplomática. O ataque israelense, que danificou o portão principal e prédios administrativos, foi interpretado como uma mensagem direta ao regime iraniano.

Ataques estratégicos em Teerã
Além de Evin, Israel mirou alvos ligados à repressão interna do Irã. O quartel-general da milícia Basij, força paramilitar responsável por impor códigos islâmicos e reprimir protestos, foi um dos pontos atingidos. A Basij, subordinada à Guarda Revolucionária, desempenha um papel central na manutenção da ordem interna, frequentemente acusada de violência contra manifestantes.

Outro alvo foi o relógio da “Destruição de Israel”, localizado na Praça Palestina, em Teerã. Instalado para marcar uma contagem regressiva até 2040, quando o líder supremo iraniano previu o fim do Estado israelense, o relógio é um símbolo de propaganda do regime. Sua destruição reforça a narrativa de Israel de que a ofensiva visa desmantelar a influência ideológica do Irã.

  • Basij: Milícia paramilitar que atua na repressão de dissidentes.
  • Guarda Revolucionária: Força de elite que controla segurança interna e externa.
  • Relógio da Praça Palestina: Símbolo de propaganda anti-Israel, destruído na ofensiva.
  • Outros alvos: Centros de comando e bases militares em Teerã e arredores.

Resposta iraniana e tensões regionais
O Irã reagiu aos ataques com uma série de lançamentos de mísseis contra Israel na mesma manhã. Segundo o Exército israelense, todos os projéteis foram interceptados, sem registros de vítimas. Um dos mísseis iranianos, no entanto, atingiu uma estação de energia no sul de Israel, causando interrupção temporária de eletricidade. Em retaliação, Israel bombardeou uma usina elétrica no norte de Teerã, deixando partes da capital iraniana sem luz.

A troca de ataques ocorre em um momento de crescente envolvimento internacional. No domingo, 22 de junho, os Estados Unidos realizaram bombardeios contra instalações nucleares iranianas, descritos como uma operação única para neutralizar o programa nuclear do Irã. O presidente americano, Donald Trump, alertou para novas ações caso Teerã retaliassem. A entrada dos EUA no conflito elevou o risco de uma guerra regional de maior escala.

Declarações oficiais e reações
Yoav Gallant, ministro da Defesa de Israel, afirmou que os ataques foram planejados com “força sem precedentes” para atingir “órgãos de repressão” do regime iraniano. Em comunicado, ele destacou que a ofensiva visa proteger civis israelenses de ataques iranianos. Já o ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, publicou um vídeo do ataque a Evin, acompanhado da frase “Viva la libertad”, em uma clara provocação ao governo iraniano.

Do lado iraniano, a mídia estatal confirmou o ataque à prisão, exibindo imagens de destroços e equipes de resgate. Autoridades iranianas acusaram Israel de violar a soberania nacional e prometeram uma resposta “devastadora”. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, estava em Moscou no momento dos ataques, buscando apoio da Rússia, aliada de longa data de Teerã.

Histórico de Evin e violações de direitos humanos
A prisão de Evin é alvo de sanções dos Estados Unidos e da União Europeia devido às violações de direitos humanos. Relatórios de organizações como a Anistia Internacional documentam casos de tortura, execuções extrajudiciais e detenções arbitrárias no local. A instalação é dividida em seções, algumas controladas diretamente pela Guarda Revolucionária, onde presos políticos enfrentam condições particularmente severas.

Entre os detentos mais conhecidos estão ativistas, acadêmicos e jornalistas, muitos acusados de “atentar contra a segurança nacional” sem provas concretas. A escolha de Evin como alvo reflete sua importância simbólica como um dos pilares da repressão do regime iraniano.

Movimentação em Teerã após o ataque
Testemunhas em Teerã relataram uma atmosfera de tensão após os bombardeios. Moradores próximos à prisão de Evin, incluindo familiares de detentos, correram ao local em busca de informações. A interrupção de energia na região, causada pelo ataque a uma usina elétrica, dificultou a comunicação e o acesso a notícias.

A mídia iraniana informou que a Universidade Shahid Beheshti, uma das principais de Teerã, também foi atingida, embora não haja detalhes sobre a extensão dos danos. O governo iraniano mobilizou forças de segurança para conter possíveis protestos, enquanto a população enfrenta incertezas sobre a escalada do conflito.

Alvos adicionais e objetivos de Israel
Os ataques israelenses não se limitaram a Teerã. A Força Aérea de Israel atingiu bases militares em Kermanshah e outras regiões, incluindo o complexo de Parchin, associado a experimentos nucleares. Seis aeroportos militares iranianos também foram alvos, segundo o porta-voz das Forças de Defesa de Israel, Effie Defrin.

A estratégia de Israel, conforme descrita por autoridades, é enfraquecer a infraestrutura militar e repressiva do Irã, ao mesmo tempo em que envia uma mensagem política. A destruição de símbolos como o relógio da Praça Palestina e o ataque a Evin reforçam a narrativa de que a ofensiva visa desestabilizar o regime iraniano.

Riscos de escalada global
A participação dos Estados Unidos e as negociações do Irã com a Rússia sinalizam que o conflito pode atrair outras potências. A visita de Araghchi a Moscou, horas antes dos ataques, sugere que Teerã busca reforçar alianças para contrapor a pressão de Israel e dos EUA. Enquanto isso, a interrupção de energia e os danos em Teerã aumentam a insatisfação popular, que pode ser explorada por opositores do regime.

A comunidade internacional acompanha os desdobramentos com preocupação. Organizações de direitos humanos pedem investigações sobre os impactos dos ataques em civis, enquanto líderes globais alertam para o risco de uma guerra prolongada no Oriente Médio.

Detalhes operacionais dos ataques
Os bombardeios foram conduzidos por caças e helicópteros de ataque da Força Aérea Israelense, incluindo modelos AH-64 Apache. A precisão dos ataques, como o que atingiu o portão de Evin, indica um planejamento detalhado, possivelmente com o uso de inteligência avançada. Vídeos de câmeras de segurança, divulgados por fontes iranianas, mostram a explosão no momento exato do impacto.

A escolha de atingir apenas a entrada da prisão, e não o complexo interno, sugere que Israel buscou evitar vítimas entre os detentos, focando no impacto simbólico. Ainda assim, a destruição de prédios administrativos e a interrupção de energia na região afetaram o funcionamento da instalação.

Repercussões na população iraniana
A população de Teerã enfrenta dificuldades práticas após os ataques. Além da falta de eletricidade, o tráfego na capital foi impactado por bloqueios de segurança. Escolas e universidades suspenderam aulas, e o governo iraniano intensificou a censura na internet para controlar a disseminação de informações.

Familiares de presos políticos, que há anos pressionam por transparência sobre as condições em Evin, expressaram preocupação com a segurança dos detentos. Não há relatos confirmados de feridos ou mortos na prisão, mas a falta de comunicação oficial alimenta rumores e incertezas.

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