Agência dos EUA confirma El Niño e aponta 63% de chance de fenômeno ser ‘muito forte’ neste inverno

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Mudanças climáticas, aquecimento global, solo seco, terreno rachado em fendas, El Niño

Mudanças climáticas, aquecimento global, solo seco, terreno rachado em fendas, El Niño - Suthin Saenontad/ Istockphoto.com

Nesta quinta-feira (11), a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) oficializou o início do El Niño, um evento climático de origem natural que se caracteriza pelo superaquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.

A agência climática norte-americana informou que as condições para o El Niño já estão estabelecidas e a expectativa é de que o fenômeno se intensifique ao longo do inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte.

A confirmação não surpreendeu os especialistas em meteorologia, que já observavam um aquecimento gradual no Pacífico há meses e previam uma alta probabilidade de desenvolvimento do El Niño ainda no primeiro semestre de 2026.

Anteriormente, em maio, a NOAA indicava 82% de chances para a formação do El Niño. Agora, a principal questão não é mais a ocorrência do evento, mas sim qual será sua magnitude. No comunicado mais recente, a agência confirmou a presença do fenômeno e estimou em 63% a probabilidade de ele se tornar muito intenso, podendo figurar entre os maiores registros desde 1950.

Compreendendo o El Niño e a La Niña, as fases do ENOS

O El Niño e a La Niña representam as duas etapas de um único fenômeno climático global, conhecido como ENOS (El Niño-Oscilação Sul). Enquanto o El Niño é marcado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial em 0,5°C ou mais, a La Niña constitui o processo oposto, com o resfriamento das mesmas águas e consequências climáticas distintas. Este fenômeno cíclico se manifesta a cada dois a sete anos, com duração média de um ano, e tem influência direta no aumento da temperatura global.

No território brasileiro, as repercussões do El Niño variam consideravelmente de acordo com a região e a estação do ano, com o pico de intensidade projetado entre novembro e janeiro. Historicamente, o evento tende a amplificar o volume de chuvas na região Sul, o que eleva a possibilidade de temporais severos e inundações.

Já nas regiões Norte e em trechos do Nordeste, o fenômeno provoca uma redução das precipitações, podendo agravar períodos de estiagem.

Por sua vez, o Sudeste e o Centro-Oeste podem experimentar impactos mais inconsistentes, incluindo ondas de calor mais frequentes, chuvas irregulares e alterações no comportamento das massas de ar frias.

Panorama da evolução do fenômeno e suas implicações globais

A manifestação do El Niño também gera preocupação devido ao cenário de um planeta já aquecido pelas mudanças climáticas.

Embora o El Niño seja uma variação natural do sistema climático e não seja o causador do aquecimento global, sua ocorrência em um ambiente já com temperaturas elevadas pode potencializar extremos de calor, secas severas e chuvas intensas.

Por essa razão, a comunidade científica monitora de perto a progressão deste evento, dada a considerável possibilidade de que ele atinja uma forte intensidade.

De acordo com a NOAA, existe uma probabilidade de 63% de um El Niño de grande força entre novembro e janeiro, que poderia se classificar entre os mais notáveis já documentados desde 1950.

Um El Niño robusto pode gerar consequências significativas para setores como a agricultura, o abastecimento hídrico, a produção de energia, a ocorrência de incêndios florestais e até mesmo influenciar o custo de alimentos em diversas localidades.

Contudo, ainda não é possível determinar se o fenômeno recém-confirmado atingirá o patamar de “super El Niño”, uma designação não oficial, mas comumente empregada para descrever eventos de altíssima intensidade, como os observados nos períodos de 1982-83, 1997-98 e 2015-16.

A intensidade do El Niño dependerá do grau de aquecimento das águas do Pacífico Equatorial nos próximos meses e, primordialmente, da forma como a atmosfera reagirá a esse aquecimento. Para que o fenômeno se fortaleça, é essencial que o sistema oceano-atmosfera estabeleça uma atuação acoplada e contínua.

Desde 2006, uma série de episódios de El Niño tem provocado alterações progressivas no clima global, que se encontra mais quente do que em décadas passadas.

Mesmo quando classificados como fracos ou moderados, esses eventos ocorrem em um contexto de aquecimento mundial e contribuem para o aumento do risco de extremos climáticos, como secas, inundações e ondas de calor. Históricos recentes incluem:

  • 2006–2007: El Niño de intensidade fraca a moderada.
  • 2009–2010: El Niño de intensidade moderada.
  • 2014–2016: El Niño de grande intensidade, associado a recordes de calor e fenômenos extremos mais frequentes.
  • 2018–2019: El Niño de intensidade fraca a moderada, com duração mais curta e impactos menos abrangentes.
  • 2023–2024: El Niño de forte intensidade, um dos mais significativos já registrados, ligado a novos picos de temperatura.

O que é o El Niño e sua importância para o clima global

O El Niño é um processo de aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico próximo à linha do Equador.

Ele integra um ciclo climático natural que se alterna entre fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras, gerando consequências em diversas partes do globo.

Esse aquecimento provoca alterações na circulação atmosférica, modificando os padrões de chuvas e temperaturas em distintas regiões do planeta.

No Brasil, os impactos se manifestam de maneira heterogênea: a região Sul tende a experimentar maiores volumes de chuva, enquanto áreas do Norte e Nordeste podem enfrentar períodos de seca mais prolongados.

Além disso, o fenômeno influencia a temperatura global. Em anos de El Niño mais intenso, o planeta frequentemente registra médias de calor elevadas, que se somam aos efeitos do aquecimento global.

A intensidade e os impactos do El Niño variam em cada ocorrência. Contudo, em um cenário de planeta já aquecido, mesmo episódios moderados podem ter repercussões mais acentuadas do que em tempos passados.

Estimativas de impactos para o Brasil

Historicamente, o El Niño modifica os regimes de chuva e temperatura no Brasil, resultando em:

  • maior volume de chuvas no Sul, ampliando o risco de eventos extremos;
  • redução das precipitações no Norte e em algumas áreas do Nordeste;
  • irregularidades nas chuvas no Sudeste e Centro-Oeste;
  • maior frequência de ondas de calor.

Especialistas apontam que um dos principais efeitos esperados é o aumento de períodos de calor prolongado, especialmente durante a primavera e o verão.

Apesar da alternância entre as fases de La Niña, neutralidade e El Niño, os cientistas enfatizam que o aquecimento global permanece como o principal motor das transformações climáticas.

Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, a expectativa é que os próximos meses registrem temperaturas elevadas em diversas regiões do planeta.

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