A partir de julho de 2025, a cidade de Camaçari, na Bahia, será o novo polo de produção da BYD no Brasil, com a fabricação do sedã híbrido King, ao lado do Dolphin Mini e do Song Pro. A confirmação veio do vice-presidente sênior da marca, Alexandre Baldy, que destacou a importância estratégica da planta para a expansão da montadora chinesa no mercado brasileiro. A cerimônia de inauguração da unidade, marcada para 1º de julho, simboliza o avanço da BYD em direção à produção local, apesar de atrasos causados por questões trabalhistas. A fábrica, instalada no antigo complexo da Ford, promete gerar milhares de empregos e consolidar o Brasil como um hub de veículos eletrificados na América Latina. O início das operações coincide com o aumento de impostos sobre importação de elétricos e híbridos, o que reforça a relevância da produção nacional.
A BYD, líder global em veículos elétricos, adquiriu o terreno em Camaçari por cerca de R$ 300 milhões, com um investimento total estimado em R$ 5,5 bilhões. A escolha da Bahia reflete a aposta da montadora em um mercado em crescimento, onde as vendas de eletrificados subiram de 2,5% em 2023 para 5% em 2024. A produção inicial será em regime SKD (montagem de kits importados), mas a meta é alcançar a fabricação completa até o fim de 2026, com até 25% de componentes nacionais.
A notícia da produção do BYD King, um sedã híbrido plug-in que compete com o Toyota Corolla, anima o setor automotivo brasileiro. O modelo, que já é o segundo sedã médio mais vendido do país, com 5,5 mil unidades emplacadas entre janeiro e maio de 2025, deve ganhar competitividade com a redução de custos logísticos. A seguir, alguns pontos-chave sobre a iniciativa da BYD:
- Capacidade inicial: A fábrica começará produzindo 150 mil veículos por ano, com potencial para dobrar até 2027.
- Modelos prioritários: Dolphin Mini, Song Pro e King serão os primeiros a sair da linha de montagem.
- Empregos gerados: A previsão é de 10 mil vagas diretas até o fim de 2025, com até 20 mil empregos diretos e indiretos até 2026.
- Sustentabilidade: A planta terá foco em veículos híbridos e elétricos, alinhada à meta global da BYD de reduzir emissões.
O projeto reforça a posição da BYD como protagonista na transição energética do setor automotivo brasileiro, aproveitando incentivos fiscais e a abundância de etanol no país para desenvolver modelos flex.
Expansão estratégica na Bahia
A escolha de Camaçari para sediar a primeira fábrica de automóveis da BYD fora da Ásia não foi aleatória. A região, que sofreu com o fechamento da planta da Ford em 2021, ganhou novo fôlego com a chegada da montadora chinesa. O governo da Bahia, sob liderança do governador Jerônimo Rodrigues, tem apoiado ativamente o projeto, oferecendo isenções fiscais, como a redução do IPVA para elétricos de até R$ 300 mil. A aquisição do terreno, formalizada em 2023 após negociações complexas com a Ford, marcou o início de uma transformação no polo industrial baiano.
A fábrica, que ocupa 4,6 milhões de metros quadrados, inclui três unidades: uma para veículos de passeio, outra para chassis de ônibus e caminhões elétricos e uma terceira dedicada ao processamento de lítio e ferro fosfato, essenciais para baterias. A primeira fase, que abrange a construção de 26 instalações, como galpões e pistas de teste, está prevista para ser concluída após o Carnaval de 2025. Até lá, a BYD treina 62 trabalhadores baianos na China, preparando a mão de obra local para operar tecnologias avançadas.
BYD King: destaque no mercado de sedãs
O BYD King, equipado com a tecnologia Super Híbrido DM-i, combina eficiência energética e desempenho. Com autonomia combinada de 1.175 km e consumo de até 16,8 km/l na cidade (motor a combustão), o sedã se posiciona como uma alternativa atraente no segmento. Suas duas versões disponíveis no Brasil já conquistaram consumidores, especialmente taxistas, devido ao baixo custo operacional. A produção local deve reduzir o preço final, tornando o modelo ainda mais competitivo frente a rivais como o Toyota Corolla, que lidera o segmento com quase o triplo das vendas do King no primeiro semestre de 2025.
A reestilização recente do King trouxe uma dianteira redesenhada e maior conectividade, com serviços Google embarcados. Esses diferenciais, aliados à produção em Camaçari, podem impulsionar as vendas do modelo, que já superaram as de concorrentes como o Honda Civic no mercado brasileiro. A BYD planeja direcionar o King para vendas diretas a frotistas, um segmento que representa 50% do mercado automotivo nacional e onde os incentivos fiscais para produção local são decisivos.
Aposta em tecnologia e inovação
A BYD não se limita à produção de veículos em Camaçari. A empresa anunciou a criação de um centro de pesquisa e desenvolvimento na planta, focado em tecnologias para híbridos flex que utilizem etanol. Esse investimento reflete a adaptação da montadora ao mercado brasileiro, onde o etanol é uma fonte de energia estratégica. Além disso, a fábrica testará baterias de estado sólido, que prometem até 1.875 km de autonomia com recarga em 12 minutos. Embora os testes estejam em fase inicial na China, a possibilidade de produção dessas baterias no Brasil coloca Camaçari como um potencial polo tecnológico.
A infraestrutura da planta também inclui melhorias logísticas, como a pavimentação de avenidas e o uso do Porto de Aratu para importação e exportação. A BYD planeja atrair fornecedores chineses para a região, aumentando a nacionalização dos componentes e reduzindo custos. Essa estratégia pode transformar a Bahia em um centro de exportação de veículos eletrificados para a América Latina.
Desafios enfrentados na construção
Nem tudo foi tranquilo na jornada da BYD em Camaçari. Em 2024, denúncias de condições de trabalho análogas à escravidão em canteiros de obras, envolvendo a construtora chinesa Jinjiang Construction Brazil, atrasaram o cronograma. O Ministério Público do Trabalho resgatou 163 trabalhadores chineses em alojamentos precários, levando à rescisão do contrato com a empreiteira. A BYD respondeu com medidas corretivas, alinhando-se às autoridades brasileiras para garantir conformidade com a legislação trabalhista.
Apesar do contratempo, a montadora mantém o compromisso de iniciar a produção em julho de 2025. Ajustes no planejamento incluíram a importação de 5,5 mil veículos da China para contornar o aumento de impostos, previsto para 25% em elétricos e 28% em híbridos plug-in a partir de 1º de julho. A empresa também negocia com o governo federal uma redução da alíquota de importação para veículos SKD, de 25% para 10%, o que aliviaria os custos iniciais da operação.
Crescimento no mercado brasileiro
A BYD já é a quarta maior em vendas no varejo brasileiro, com 47 mil veículos emplacados em 2025, superando a Toyota no segmento. A marca projeta produzir 50 mil unidades em Camaçari no próximo ano, com meta de 150 mil até 2026. O sucesso do Dolphin Mini, líder entre os elétricos, e do Song Pro, o híbrido mais vendido, demonstra a aceitação dos consumidores brasileiros. A produção local deve ampliar o alcance da BYD, especialmente em vendas diretas para frotas, como empresas de locação e taxistas.
A seguir, alguns números que ilustram o avanço da BYD no Brasil:
- Vendas em 2024: 77 mil veículos, com crescimento de 61% em 2025.
- Rede de concessionárias: 150 lojas em todos os estados brasileiros.
- Investimento inicial: R$ 5,5 bilhões, com ampliação prevista para 2026.
- Capacitação: 30 engenheiros e 62 trabalhadores treinados na China.
Foco na mobilidade sustentável
A BYD alinha sua estratégia à crescente demanda por mobilidade sustentável. A fábrica de Camaçari será a maior unidade de produção de veículos elétricos da empresa fora da China, com potencial para dobrar a participação de eletrificados no mercado brasileiro, de 5% para 10% em 2025. A conversão do Song Pro para motor flex, utilizando etanol, é um diferencial que aproveita a infraestrutura de biocombustíveis do país.
A empresa também investe em soluções para superar a escassez de estações de recarga no Brasil. A tecnologia de baterias da BYD, como a Blade, garante segurança e autonomia de até 1.000 km em alguns modelos, reduzindo a dependência de infraestrutura de carregamento. Esses avanços posicionam a montadora como líder na transição para um futuro de baixa emissão no setor automotivo.
Preparação da mão de obra local
A qualificação profissional é uma prioridade para a BYD. Além dos trabalhadores em treinamento na China, a empresa firmou parcerias com o governo da Bahia para capacitar mão de obra local. Programas de formação técnica estão em andamento, com foco em tecnologias de veículos elétricos e híbridos. A meta é que a maioria das vagas na fábrica seja ocupada por baianos, reduzindo a dependência de profissionais de fora da região.
A abertura de 2 mil vagas em janeiro de 2025, seguida por 3 mil em maio e 5 mil em agosto, reflete o ritmo acelerado do projeto. As contratações abrangem diversas áreas, de montagem a pesquisa e desenvolvimento, consolidando Camaçari como um polo de inovação automotiva.
Integração com o mercado latino-americano
A fábrica de Camaçari não atenderá apenas o Brasil. A BYD planeja exportar veículos para outros países da América Latina, aproveitando a localização estratégica do Porto de Aratu. A produção de baterias e componentes em larga escala pode atrair investimentos de fornecedores, criando uma cadeia produtiva robusta na região. Essa integração reforça a posição do Brasil como um player relevante no mercado global de veículos eletrificados.
Curiosidades sobre a BYD no Brasil
A trajetória da BYD no país vai além da produção de automóveis. A empresa já opera fábricas em Campinas (SP) para chassis de ônibus elétricos e em Manaus (AM) para baterias de lítio. A seguir, algumas informações adicionais:
- Presença desde 2015: A BYD começou no Brasil com ônibus elétricos em Campinas.
- Projetos de mobilidade: A empresa desenvolve o SkyRail, um monotrilho em Salvador.
- Inovação local: O centro de P&D em Camaçari será o primeiro da BYD nas Américas.
- Recorde de vendas: Em 2024, o Dolphin Mini foi o elétrico mais vendido do Brasil.

