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John Textor demite Renato Paiva após derrota no Mundial e busca novo técnico para o Botafogo

Renato Paiva e John Textor
Renato Paiva e John Textor - Foto: Vítor Silva/Botafogo

A demissão de Renato Paiva do comando técnico do Botafogo, anunciada na noite de 29 de junho de 2025, marcou o fim de uma passagem de apenas quatro meses do treinador português no clube carioca. Após 23 jogos, com 12 vitórias, três empates e oito derrotas, a derrota para o Palmeiras nas oitavas de final do Mundial de Clubes da Fifa, por 1 a 0 na prorrogação, foi o estopim para a decisão do dono da SAF alvinegra, John Textor. A postura considerada “inadmissível” do time no jogo, dominado pelo adversário, contrariou as expectativas de um futebol ofensivo prometido na contratação de Paiva, em fevereiro. O anúncio, feito durante a folga da delegação nos Estados Unidos, pegou jogadores e comissão técnica de surpresa. O clube agora busca um novo treinador para alinhar o projeto esportivo às ambições de Textor, enquanto segue na disputa do Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil.

O Botafogo viveu momentos de altos e baixos sob o comando de Paiva. A vitória histórica contra o Paris Saint-Germain no Mundial de Clubes, com gol de Igor Jesus, foi um dos pontos altos, celebrada por Textor como um marco para o futebol brasileiro. No entanto, a falta de consistência em jogos fora de casa e a estratégia defensiva adotada em momentos cruciais, como contra o Palmeiras, geraram críticas internas e externas. A decisão de Textor reflete sua visão de um time mais agressivo e protagonista, alinhado aos investimentos realizados na SAF desde 2022.

  • Principais fatores da demissão:
  • Desempenho abaixo do esperado contra o Palmeiras, com postura retrancada.
  • Falta de alinhamento com o estilo ofensivo exigido por John Textor.
  • Inconsistência em partidas fora de casa no Brasileirão e Libertadores.
  • Pressão por resultados após eliminações em competições iniciais de 2025.

A saída de Paiva também expõe os desafios de continuidade no projeto do Botafogo sob a gestão de Textor, que já teve 11 técnicos, incluindo interinos, desde a aquisição da SAF.

Mudança abrupta nos Estados Unidos
A delegação alvinegra estava em solo americano, hospedada na Filadélfia, quando a demissão foi comunicada. Após a eliminação no Mundial, Textor se reuniu com jogadores e comissão técnica em um hotel, onde elogiou a campanha, mas deixou claro seu descontentamento com a falta de ofensividade. A conversa, descrita como tensa por membros do elenco, incluiu uma cobrança direta a Paiva na presença de todos. Horas depois, a decisão foi oficializada, surpreendendo até mesmo o treinador, que esperava continuar o trabalho no retorno ao Brasil.

O português, que comandava a equipe desde fevereiro, ficou perplexo com a forma como a notícia foi transmitida, segundo fontes próximas ao clube. Junto com Paiva, deixaram o Botafogo os auxiliares Ricardo Dionísio e Miguel dos Santos, o preparador de goleiros Rui Tavares e o preparador físico Daniel Castro. A delegação embarcou em um voo fretado para o Rio de Janeiro na manhã de 1º de julho, já sem a presença do treinador.

Histórico de Paiva no Botafogo
Renato Paiva assumiu o Botafogo em 27 de fevereiro de 2025, após uma busca de quase dois meses por um substituto para Artur Jorge, que deixou o clube para o Al-Rayyan, do Catar. Com experiência em clubes como Benfica (base), Independiente del Valle, Bahia e Toluca, Paiva foi escolhido por sua filosofia de jogo ofensivo e trabalho com jovens. No entanto, sua passagem pelo clube carioca foi marcada por resultados mistos.

No Brasileirão, o Botafogo ocupava a sexta colocação, com seis pontos de diferença para o líder Flamengo, mostrando competitividade, mas com tropeços em jogos-chave. Na Libertadores e na Copa do Brasil, a equipe avançou às oitavas de final, mantendo-se viva nas competições. Apesar disso, a falta de um padrão tático claro e a escalação frequente de três volantes, como contra o Palmeiras, geraram críticas de torcedores e da diretoria.

  • Números de Renato Paiva no Botafogo:
  • 23 jogos disputados.
  • 12 vitórias, 3 empates, 8 derrotas.
  • 52,2% de aproveitamento.
  • Destaque: vitória por 1 a 0 contra o PSG no Mundial de Clubes.

Exigências de John Textor
John Textor, dono da SAF alvinegra, é conhecido por sua gestão hands-on e por priorizar um estilo de jogo que combine inteligência tática, velocidade e ofensividade. Desde que assumiu o Botafogo em 2022, o empresário americano investiu pesado em contratações, como Luiz Henrique e Thiago Almada, e na modernização da estrutura do clube, incluindo o CT Lonier. Sua visão para o Botafogo inclui a formação de jovens talentos e a projeção internacional do clube, como demonstrado no Mundial de Clubes.

A demissão de Paiva reflete a impaciência de Textor com treinadores que não entregam o modelo de jogo esperado. Em entrevista após a derrota para o Palmeiras, o empresário destacou a necessidade de um time “sem medo de adversários” e com maior controle da posse de bola. A postura retrancada contra o time de Abel Ferreira, que dominou as ações e venceu com gol de Paulinho na prorrogação, foi vista como o oposto do que Textor deseja para o futuro do clube.

Busca por um novo treinador
Com a saída de Paiva, o Botafogo já iniciou a procura por um novo técnico. Textor, que anunciou recentemente que se afastará da gestão diária do Lyon para focar na Eagle Football e no Botafogo, deve liderar pessoalmente as negociações. Nomes como André Jardine, Tite, Hernán Crespo e Vasco Matos, que já foram sondados no início de 2025, podem voltar à pauta, embora o clube busque um perfil que se alinhe à filosofia ofensiva exigida.

A escolha do novo treinador será crucial para manter a competitividade nas três frentes em que o Botafogo está envolvido. O clube enfrenta o Ceará em jogo atrasado do Brasileirão, além de confrontos decisivos nas oitavas da Libertadores e da Copa do Brasil. A pressão por resultados imediatos será um desafio para o próximo comandante, que terá a missão de reorganizar o elenco e implementar um estilo de jogo mais dinâmico.

Reação da torcida e jogadores
A demissão de Paiva gerou reações mistas entre torcedores e jogadores. Nas redes sociais, parte da torcida apoiou a decisão, criticando a falta de padrão tático e a escalação defensiva em jogos importantes. Outros, no entanto, questionaram a instabilidade no comando técnico, lembrando que Paiva foi o quinto treinador demitido na era Textor, após Enderson Moreira, Bruno Lage, Lúcio Flávio e Tiago Nunes.

No elenco, a surpresa foi geral. Jogadores como Marlon Freitas e Gregore, que foram titulares frequentes sob Paiva, destacaram a dedicação do treinador, mas reconheceram a pressão por resultados em um clube do porte do Botafogo. A saída de Igor Jesus, negociado com o Nottingham Forest, também aumenta a responsabilidade do próximo técnico, que terá de encontrar um substituto à altura para o ataque.

Desafios do elenco sem Igor Jesus
A venda de Igor Jesus para o Nottingham Forest, confirmada no início de junho, deixou o Botafogo sem um de seus principais jogadores. O atacante, autor do gol contra o PSG, era peça central no esquema de Paiva, e sua ausência já foi sentida em jogos como o contra o Palmeiras. Textor prometeu a Paiva uma reposição à altura, e nomes como Joaquín Correa e Arthur Cabral foram especulados, mas até o momento não há contratações confirmadas.

O próximo treinador terá de lidar com um elenco talentoso, mas que enfrenta dificuldades em manter a regularidade sem peças-chave. Reforços como Rwan Cruz e Mastriani, contratados em 2025, ainda não se firmaram, enquanto jovens como Jair e Cuiabano também estão na mira de clubes europeus, o que pode complicar o planejamento para o segundo semestre.

Cenário competitivo do Botafogo
Apesar da turbulência no comando técnico, o Botafogo segue em posição sólida nas competições de 2025. No Brasileirão, a sexta colocação mantém o clube na briga pelo título, enquanto as oitavas de final da Libertadores e da Copa do Brasil oferecem a chance de conquistas importantes. A gestão de Textor, que já rendeu o Brasileirão e a Libertadores em 2024, continua atraindo atenção internacional, mas a instabilidade no banco de reservas levanta dúvidas sobre a continuidade do sucesso.

A próxima semana será decisiva para o clube, com o retorno ao Brasil e a preparação para os próximos compromissos. Enquanto o novo treinador não é anunciado, Cláudio Caçapa, auxiliar permanente, deve assumir interinamente, como já fez no início da temporada. A torcida, embora dividida, mantém a esperança de que o Botafogo encontre o rumo certo para repetir o brilho de 2024.

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