John Textor renuncia ao comando do Lyon e prioriza Botafogo e novos investimentos

Textor Botafogo

Textor Botafogo - Foto: Delmiro Junior / Shutterstock.com

John Textor, dono da SAF do Botafogo, anunciou sua saída da liderança do Olympique Lyonnais em 30 de junho de 2025, em meio a uma crise financeira que culminou no rebaixamento administrativo do clube francês para a Ligue 2. A decisão, oficializada em comunicado da Eagle Football Holdings, marca uma reestruturação na gestão do Lyon, com a nomeação da bilionária Michele Kang como presidente e Michael Gerlinger como CEO. Textor, que permanece como presidente e acionista majoritário da Eagle, agora voltará suas atenções ao Botafogo, prometendo maior envolvimento no clube carioca, além de focar em novos projetos, como a aquisição de um clube na Inglaterra. A mudança ocorre após dificuldades na França, onde o empresário admitiu não ter lidado bem com questões políticas e financeiras. A reestruturação visa estabilizar o Lyon, enquanto Textor busca fortalecer sua atuação no Brasil e na Europa.

A renúncia de Textor foi motivada por uma série de desafios enfrentados pelo Lyon, incluindo sanções impostas pela Direção Nacional de Controle e Gestão (DNCG), que determinou o rebaixamento do clube devido a problemas financeiros. O empresário, que assumiu o controle do Lyon em 2022, enfrentou críticas por sua gestão, especialmente após a proibição de contratações e a ameaça de queda para a segunda divisão. Em entrevista à Globo, ele destacou a necessidade de se reconectar com o Brasil, onde o Botafogo tem se destacado, como na recente campanha no Mundial de Clubes.

  • Principais pontos da transição:
    • Michele Kang, acionista da Eagle, assume a presidência do Lyon.
    • Michael Gerlinger, ex-Bayern, comandará as operações diárias.
    • Textor foca no Botafogo e em novos investimentos na Inglaterra.
    • Lyon recorrerá do rebaixamento administrativo.

A saída de Textor do comando do Lyon não significa seu afastamento total do clube, já que ele mantém a posição de acionista majoritário da Eagle Football Holdings, que controla o Lyon, o Botafogo, o Daring Brussels, na Bélgica, e busca um novo clube na Inglaterra. A decisão reflete uma mudança estratégica, com o empresário priorizando mercados onde acredita ter maior liberdade para inovar e competir.

Mudanças na gestão do Lyon
A nomeação de Michele Kang e Michael Gerlinger para os principais cargos do Lyon sinaliza uma tentativa de reestruturar a gestão do clube em meio a uma crise sem precedentes. Kang, que fez fortuna no setor de tecnologia voltada para a saúde, já era uma figura influente no futebol feminino, tendo adquirido o time feminino do Lyon em 2023. Sua experiência como acionista da Eagle e sua visão para o esporte a tornam uma escolha estratégica para liderar o clube masculino em um momento delicado.

Gerlinger, por outro lado, traz uma bagagem de 18 anos no Bayern de Munique, onde atuou em diversas funções, incluindo a gestão esportiva. Sua chegada ao Lyon, em março de 2024, foi um passo preparatório para assumir responsabilidades maiores. Agora, como CEO, ele será responsável por gerenciar as operações diárias e buscar soluções para os problemas financeiros que levaram à punição da DNCG.

A dupla terá a missão de reverter o rebaixamento do Lyon, que ainda está em processo de apelação. A decisão da DNCG, anunciada em novembro de 2024, foi baseada em irregularidades financeiras, incluindo uma dívida significativa que Textor tentou sanar, mas sem sucesso total. O clube, que já foi heptacampeão francês, enfrenta um momento de reconstrução tanto dentro quanto fora de campo.

Razões para a saída de Textor
O rebaixamento administrativo do Lyon foi o principal catalisador para a saída de Textor. A decisão da DNCG, que também impôs uma proibição de contratações na janela de inverno, expôs as dificuldades do clube em cumprir as exigências financeiras da liga francesa. Textor, conhecido por sua abordagem direta, criticou publicamente a rigidez do órgão, sugerindo que as restrições limitavam as ambições da Eagle Football na França.

Em comunicado, o empresário admitiu que não conseguiu se adaptar à política do futebol francês, reconhecendo erros em sua gestão. Ele destacou, no entanto, os sucessos esportivos do Lyon sob sua liderança, como a classificação para a Europa League nas últimas duas temporadas, após anos de ausência em competições europeias. Apesar dos desafios, Textor garantiu que o clube está financeiramente estável, especialmente após a venda de sua participação no Crystal Palace, que rendeu cerca de 190 milhões de libras.

  • Fatores que levaram à renúncia:
    • Rebaixamento administrativo do Lyon para a Ligue 2.
    • Dificuldades em lidar com a política e finanças do futebol francês.
    • Críticas à rigidez da DNCG.
    • Venda da participação no Crystal Palace, liberando recursos financeiros.

Foco renovado no Botafogo
Com a saída do Lyon, Textor anunciou que o Botafogo será sua prioridade imediata. O clube carioca, que ele adquiriu em 2022 por meio da SAF (Sociedade Anônima do Futebol), vive um momento de ascensão, com conquistas como a Libertadores e o Brasileirão, além de uma campanha notável no Mundial de Clubes de 2025. A vitória sobre o PSG, por exemplo, foi celebrada como um marco do “Botafogo Way”, conceito que engloba a gestão moderna e o estilo de jogo agressivo implementado sob sua liderança.

Textor planeja visitar o Brasil com mais frequência, participando ativamente das decisões do clube. Em reunião com os jogadores após a eliminação no Mundial, ele reforçou o compromisso com o Alvinegro, prometendo resgatar a essência do clube e investir ainda mais. A venda do Crystal Palace também proporciona maior liquidez para novos projetos, incluindo possíveis reforços para o Botafogo.

Expansão da Eagle Football
Além do Botafogo, Textor mantém ambições globais por meio da Eagle Football Holdings. A holding, que controla o Lyon, o Daring Brussels e o Botafogo, agora busca um novo clube na Inglaterra, após a venda da participação no Crystal Palace. Rumores apontam para um possível interesse no Sheffield Wednesday, embora nada tenha sido confirmado.

O Daring Brussels, antigo RWD Molenbeek, também está nos planos de Textor, que pretende fortalecer o clube belga como parte de sua estratégia de criar uma rede global de times. A venda do Crystal Palace, por cerca de 1,4 bilhão de reais, foi motivada por conflitos com as regras da UEFA, que questionaram a participação de Lyon e Palace na Europa League devido à propriedade compartilhada.

  • Clubes sob a Eagle Football:
    • Botafogo (Brasil): SAF adquirida em 2022, com conquistas recentes.
    • Olympique Lyonnais (França): Rebaixamento em apelação, nova gestão.
    • Daring Brussels (Bélgica): Projeto em desenvolvimento.
    • Novo clube na Inglaterra: Aquisição planejada para 2025.

Desafios financeiros do Lyon
A crise financeira do Lyon começou a se agravar em 2024, quando a DNCG anunciou sanções devido a um rombo financeiro estimado em 610 milhões de reais. Textor prometeu resolver o problema até o fim do ano, mas as negociações não avançaram como esperado. A proibição de contratações e a ameaça de rebaixamento intensificaram as críticas dos torcedores, que chegaram a protestar contra o empresário, citando até o Botafogo em faixas.

Michele Kang, agora presidente, terá a tarefa de liderar a apelação contra o rebaixamento. A empresária, que já investiu no futebol feminino, é vista como uma liderança capaz de restaurar a confiança no clube. Gerlinger, com sua experiência no Bayern, será essencial para reestruturar as finanças e cumprir as exigências da DNCG.

Reações à mudança
A saída de Textor gerou reações mistas. No Brasil, torcedores do Botafogo celebraram a promessa de maior dedicação ao clube, especialmente após os sucessos recentes. Na França, a torcida do Lyon demonstrou alívio com a chegada de Kang e Gerlinger, mas há ceticismo sobre a capacidade de reverter a crise. Posts nas redes sociais refletem o contraste: enquanto botafoguenses exaltam Textor como um “visionário”, lyonnais o responsabilizam pela instabilidade do clube.

A imprensa francesa destacou a nomeação de Kang como um passo positivo, mas alertou que o Lyon precisará de mais do que uma troca de liderança para se recuperar. Já no Brasil, a mídia esportiva vê a mudança como uma oportunidade para o Botafogo consolidar sua posição como potência no futebol sul-americano.

Planos para o futuro
Textor deixou claro que sua saída do comando do Lyon não reduz seu compromisso com a Eagle Football. Ele continuará como presidente e CEO da holding, supervisionando as estratégias globais. No Botafogo, o empresário pretende intensificar investimentos, com foco em infraestrutura e contratações.

Na Inglaterra, a busca por um novo clube é vista como uma prioridade. A venda do Crystal Palace, embora necessária para resolver conflitos com a UEFA, abriu espaço para novas aquisições. Textor já expressou interesse em clubes de divisões inferiores, onde acredita ser possível implementar sua visão de gestão inovadora.

O Daring Brussels, por sua vez, é um projeto de longo prazo. Textor vê o clube belga como uma plataforma para desenvolver jovens talentos, que podem ser integrados à rede da Eagle, incluindo o Botafogo e o futuro clube inglês.

Histórico de Textor no futebol
John Textor entrou no futebol em 2021, com a aquisição de uma participação no Crystal Palace. Em 2022, comprou o Lyon e a SAF do Botafogo, além de assumir o controle do RWD Molenbeek, rebatizado como Daring Brussels. Sua gestão é marcada por investimentos agressivos, mas também por polêmicas, como as críticas à DNCG e os protestos dos torcedores do Lyon.

No Botafogo, Textor é elogiado por transformar um clube que havia acabado de voltar à Série A em uma potência continental. A conquista da Libertadores e a vitória sobre o PSG no Mundial de Clubes são exemplos do sucesso de sua estratégia. No entanto, a crise no Lyon expôs os limites de sua abordagem, especialmente em mercados com regulações mais rígidas.

Próximos passos do Lyon
Com Kang e Gerlinger no comando, o Lyon enfrenta um momento decisivo. A apelação contra o rebaixamento será crucial para definir o futuro do clube na Ligue 1. Além disso, a nova gestão precisará equilibrar as finanças, atrair investidores e reconquistar a confiança da torcida.

A presença de Kang, uma figura respeitada no esporte, é vista como um trunfo. Sua experiência no futebol feminino e sua fortuna pessoal podem ajudar a estabilizar o clube. Gerlinger, com sua expertise em gestão esportiva, será responsável por implementar mudanças operacionais que garantam a sustentabilidade do Lyon no longo prazo.

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