Quem é Nicolás Jarry? Rival de Fonseca em Wimbledon superou suspensão e já venceu no Brasil

Nicolás Jarry.

Nicolás Jarry. - Foto: Instagram

João Fonseca, jovem tenista brasileiro de 18 anos, avançou para a terceira rodada de Wimbledon 2025, um marco histórico para o tênis nacional. Na quarta-feira, 2 de julho, o carioca derrotou o americano Jenson Brooksby por 3 sets a 1, com parciais de 6/4, 5/7, 6/2 e 6/4, em um duelo disputado no All England Club, em Londres. Agora, Fonseca enfrenta o chileno Nicolás Jarry, 143º do ranking da ATP, que eliminou o americano Learner Tien na mesma fase. Este será o primeiro confronto entre os dois sul-americanos no circuito profissional, mas Jarry já carrega um histórico de vitórias contra brasileiros, como na final de duplas do Rio Open de 2019. O jogo, marcado para a sexta-feira, 4 de julho, promete ser um teste de resistência para o brasileiro, que busca consolidar sua ascensão meteórica no maior palco do tênis mundial.

A trajetória de Fonseca em Wimbledon tem chamado atenção. O jovem, atual 54º do mundo, quebrou um jejum de 15 anos ao se tornar o primeiro brasileiro a alcançar a terceira rodada do torneio desde Thomaz Bellucci, em 2010. Sua vitória sobre Brooksby, um adversário experiente na grama, demonstrou potência no saque e consistência nas trocas de bola, características que o colocam como uma das maiores promessas do esporte. Enquanto isso, Jarry, de 29 anos, chega com um retrospecto menos brilhante, mas com experiência e força física que podem desafiar o brasileiro.

  • Fonseca em ascensão: O brasileiro venceu seus dois primeiros jogos em Wimbledon em 2025, incluindo uma vitória sólida contra o britânico Jacob Fearnley na estreia.
  • Jarry em recuperação: O chileno, que já foi 18º do mundo, busca retomar o ritmo após um 2024 marcado por lesões e resultados irregulares.
  • Confronto inédito: O duelo marca o primeiro encontro entre os dois no circuito ATP, com estilos de jogo contrastantes.

O palco está montado para um embate que mistura juventude e experiência, com o brasileiro tentando manter o embalo e o chileno buscando surpreender.

Perfil de Nicolás Jarry: força e controvérsias
Nicolás Jarry, nascido em Santiago, no Chile, em 11 de outubro de 1995, é um tenista de 2,01 metros e 90 kg, conhecido por seu jogo agressivo e potente. Sua altura o favorece no saque, um fundamento crucial na grama de Wimbledon, onde a bola desliza rapidamente. Aos 29 anos, Jarry já viveu altos e baixos no circuito, com momentos de glória e episódios controversos. Ele conquistou três títulos de simples na carreira, todos em torneios ATP 250: Bastad (2019), Santiago (2023) e Genebra (2023). Em duplas, seu desempenho é ainda mais destacado, com cinco troféus, incluindo o Rio Open de 2019, onde, ao lado do argentino Máximo González, derrotou a dupla brasileira formada por Thomaz Bellucci e Rogério Dutra Silva.

O chileno também se destacou em outros momentos contra brasileiros. Em 2018, venceu Bruno Soares e Jamie Murray na semifinal de duplas do ATP 500 de Acapulco, mostrando sua habilidade em parcerias. Sua experiência em quadras rápidas, como a grama, o torna um adversário perigoso, especialmente em um torneio onde já alcançou a terceira rodada em 2018. No entanto, sua carreira foi marcada por um episódio que abalou sua reputação.

A suspensão por doping
Em 2019, Jarry enfrentou o maior drama de sua trajetória profissional. Durante a Copa Davis, em novembro, ele testou positivo para duas substâncias proibidas: Ligandrol, um modulador metabólico, e Estanozolol, um esteroide anabolizante. O chileno negou o uso intencional e alegou que as substâncias poderiam ter vindo de multivitamínicos contaminados produzidos no Brasil. A defesa, porém, não convenceu totalmente a Federação Internacional de Tênis (ITF). Em abril de 2020, Jarry foi suspenso por 11 meses, ficando afastado das quadras até o início de 2021.

A punição impactou sua carreira. Na época, ele ocupava a 38ª posição do ranking mundial, mas despencou para além do 1.000º lugar durante o período de inatividade. Sua volta foi gradual, com resultados modestos até 2023, quando recuperou o nível competitivo ao vencer em Santiago e Genebra. Apesar do retorno, o caso de doping ainda é um ponto sensível em sua trajetória, frequentemente mencionado por adversários e imprensa.

Desempenho recente de Jarry
A temporada de 2025 tem sido desafiadora para Nicolás Jarry. Antes de Wimbledon, o chileno disputou três torneios na grama: Birmingham, ‘s-Hertogenbosch e Halle. Em nenhum deles, conseguiu avançar além da segunda rodada, o que reflete sua dificuldade em retomar a consistência. Sua vitória sobre Learner Tien na segunda rodada de Wimbledon, por 3 sets a 1, marcou seu melhor resultado em um Grand Slam desde 2023, quando alcançou a terceira rodada de Roland Garros.

  • Birmingham: Eliminado na primeira rodada por um qualifier local.
  • ‘s-Hertogenbosch: Derrotado na segunda rodada por um adversário fora do top 100.
  • Halle: Caiu na estreia para um tenista em ascensão.
  • Wimbledon: Avançou à terceira rodada, superando expectativas.

Apesar dos resultados recentes, Jarry mostrou em Wimbledon que ainda pode ser competitivo, especialmente em jogos longos, onde sua resistência física e potência no saque fazem diferença.

João Fonseca: a nova cara do tênis brasileiro
Do outro lado da quadra, João Fonseca vive um momento de afirmação. Aos 18 anos, o carioca já acumula feitos impressionantes em 2025. Ele venceu o Challenger de Camberra, o ATP 250 de Buenos Aires e o Challenger de Phoenix, além de derrotar o top 10 Andrey Rublev no Australian Open. Em Wimbledon, sua estreia na chave principal foi marcada por uma vitória convincente sobre Jacob Fearnley, seguida pelo triunfo sobre Brooksby. Sua ascensão no ranking, do 113º para o 54º lugar, reflete o trabalho com seu técnico, Guilherme Teixeira, e a equipe Yes Tennis.

Fonseca tem se adaptado bem à grama, uma superfície que exige ajustes táticos. Sua preparação incluiu torneios como o ATP 500 de Halle e o ATP 250 de Eastbourne, onde enfrentou o top 5 Taylor Fritz em um jogo equilibrado. Em Wimbledon, ele combina agressividade no forehand, com velocidades que chegam a 181 km/h, e um saque cada vez mais consistente, fundamentos que serão testados contra o estilo poderoso de Jarry.

Histórico de brasileiros em Wimbledon
A presença de Fonseca na terceira rodada reacende a esperança de um bom desempenho brasileiro em Wimbledon, um torneio onde o país tem história, mas poucos resultados expressivos no masculino. Gustavo Kuerten, o maior tenista brasileiro, alcançou as quartas de final em 1999, mas foi eliminado por Andre Agassi. Thomaz Bellucci, em 2010, foi o último a chegar à terceira rodada antes de Fonseca, enquanto Maria Esther Bueno brilhou no feminino com três títulos de simples (1959, 1960 e 1964).

  • Maria Esther Bueno: Tricampeã de simples e tetracampeã de duplas.
  • Gustavo Kuerten: Quartas de final em 1999, melhor resultado masculino.
  • Thomaz Bellucci: Terceira rodada em 2010, último brasileiro antes de Fonseca.

A campanha de Fonseca, portanto, é um marco, especialmente por sua idade e pela falta de tradição brasileira na grama.

O que esperar do confronto
O duelo entre Fonseca e Jarry opõe dois estilos distintos. O brasileiro aposta na velocidade e na agressividade, enquanto o chileno confia na força bruta e na experiência. A grama, com sua baixa aderência, favorece tenistas com saques potentes, o que dá uma ligeira vantagem a Jarry. No entanto, Fonseca mostrou em suas vitórias anteriores que sabe lidar com adversários altos e físicos, como Brooksby, que também tem 1,93 m.

A quadra 12, onde o jogo está programado, pode ser um fator. A torcida britânica, embora neutra, tende a apoiar underdogs, o que pode beneficiar Jarry, visto como azarão contra a jovem estrela brasileira. Fonseca, por sua vez, já enfrentou ambientes hostis, como na final do ATP 250 de Buenos Aires, onde superou a pressão de uma torcida argentina.

Preparação e ajustes táticos
Antes de Wimbledon, Fonseca trabalhou intensamente para se adaptar à grama. Em Eastbourne, ele venceu o belga Zizou Bergs, demonstrando evolução em trocas curtas e subidas à rede. Contra Jarry, ele precisará neutralizar o saque do chileno, que frequentemente ultrapassa os 200 km/h, e explorar sua movimentação menos ágil. Jarry, por outro lado, deve buscar pontos rápidos e evitar ralis longos, onde Fonseca leva vantagem.

A relevância do torneio
Wimbledon 2025 distribui um recorde de £53,5 milhões em premiações, com £99 mil (R$ 741 mil) garantidos para os tenistas que alcançam a segunda rodada e £152 mil (R$ 1,14 milhão) para a terceira. Para Fonseca, além do ganho financeiro, a campanha reforça sua projeção internacional. Ele já é comparado a lendas como Roger Federer por seu estilo elegante e é patrocinado pela On, mesma marca do suíço. Jarry, enquanto isso, tenta recuperar o prestígio perdido após o doping e consolidar sua volta ao circuito.

Curiosidades sobre os tenistas

  • Fonseca e Alcaraz: O brasileiro treinou com o bicampeão de Wimbledon, Carlos Alcaraz, antes do torneio, trocando experiências sobre a grama.
  • Jarry e a família: Nicolás é neto de Jaime Fillol, ex-top 14 do mundo, e primo de Álvaro Fillol, também tenista profissional.
  • Fonseca na Copa Laver: O brasileiro foi convocado por Andre Agassi para a competição de 2025, um feito raro para sua idade.
  • Jarry e a altura: Sua estatura de 2,01 m o coloca entre os tenistas mais altos do circuito, ao lado de nomes como John Isner.

O caminho até a terceira rodada
Fonseca chegou à terceira rodada com vitórias sólidas. Contra Fearnley, dominou os dois primeiros sets e venceu um tiebreak tenso no terceiro. Já contra Brooksby, superou a perda do segundo set e foi decisivo nos momentos-chave. Jarry, por sua vez, teve uma estreia tranquila contra um qualifier e mostrou resiliência contra Tien, vencendo em quatro sets. Ambos os tenistas chegam confiantes, mas com desafios claros pela frente.

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