Ozzy Osbourne e Black Sabbath reúnem lendas do metal em último show

Ozzy Osbourne e Black Sabbath

Ozzy Osbourne e Black Sabbath - Foto: Instagram

No dia 5 de julho de 2025, Birmingham, na Inglaterra, tornou-se o epicentro do heavy metal com o último show do Black Sabbath, intitulado Back to the Beginning. Realizado no estádio Villa Park, o evento reuniu a formação original da banda — Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward — pela primeira vez em 20 anos, marcando o fim de uma carreira que definiu o gênero. Com um lineup estelar, incluindo Metallica, Slayer, Pantera e outros gigantes do rock, o show beneficente atraiu milhares de fãs e foi transmitido globalmente via pay-per-view. A iniciativa, idealizada por Sharon Osbourne, destinou lucros a três instituições de caridade, celebrando o legado da banda na cidade onde o metal nasceu.

A apresentação, que durou 11 horas, foi mais do que um concerto: foi uma celebração do impacto cultural do Black Sabbath. O evento, cuidadosamente planejado por dois anos, trouxe um palco giratório para transições rápidas entre as bandas, garantindo um espetáculo dinâmico. A escolha do Villa Park, casa do Aston Villa, time pelo qual Ozzy torce fervorosamente, reforçou a conexão emocional com Birmingham.

  • Atrações principais: Além do Black Sabbath, o lineup incluiu nomes como Metallica, Slayer, Pantera, Gojira e Halestorm.
  • Participações especiais: Artistas como Billy Corgan, Slash e Tom Morello integraram um supergrupo em homenagem à banda.
  • Transmissão global: O show foi transmitido com três horas de atraso, disponível por 48 horas on-demand.
  • Causa beneficente: Lucros foram divididos entre Cure Parkinson’s, Birmingham Children’s Hospital e Acorns Children’s Hospice.

O retorno da formação original, especialmente com Bill Ward, ausente em reuniões recentes, gerou enorme expectativa. A saúde de Ozzy, que enfrenta Parkinson e sequelas de cirurgias na coluna, foi um ponto de preocupação, mas sua determinação em se despedir no palco emocionou os fãs.

Origens do heavy metal em Birmingham

Birmingham, conhecida como o berço do heavy metal, foi o cenário perfeito para o adeus do Black Sabbath. Formada em 1968, a banda surgiu em um contexto industrial, com suas letras sombrias e riffs pesados refletindo a dureza da vida operária. O show no Villa Park, a poucos quilômetros de onde o grupo ensaiou pela primeira vez, simbolizou um retorno às raízes.

A cidade abraçou o evento com entusiasmo. Uma exposição no Birmingham Museum and Art Gallery, intitulada “Ozzy Osbourne: Working Class Hero”, foi inaugurada dias antes, exibindo prêmios, fotos e memorabilia. Um mural da banda, pintado na Navigation Street, foi assinado pelos membros, enquanto o Legoland Discovery Centre criou uma réplica em Lego do quarteto. Até a polícia local entrou no clima, nomeando uma ninhada de filhotes de cães policiais com nomes como Ozzy, Geezer e Sabbath.

O impacto cultural do Black Sabbath vai além da música. Bandas como Metallica e Slipknot já declararam que o grupo foi a base para o gênero. Corey Taylor, do Slipknot, descreveu a banda como “o livro de receitas do metal”, destacando sua influência duradoura.

Uma celebração com astros do rock

O lineup do Back to the Beginning foi descrito como o maior evento de heavy metal da história. Metallica, que abriu o show, expressou sua honra em tocar antes do Black Sabbath, enquanto Slayer e Pantera trouxeram sua energia visceral. Gojira, Halestorm e Alice in Chains também se destacaram, com performances que mesclaram covers de Sabbath e suas próprias músicas.

Um momento marcante foi a apresentação de Halestorm, liderada por Lzzy Hale, que interpretou “Perry Mason”, um sucesso solo de Ozzy de 1995. A banda ainda fez referência ao Black Sabbath em sua canção “I Like It Heavy”, reforçando a conexão com o legado do grupo. Anthrax, com seus membros usando camisetas do álbum “Sabbath Bloody Sabbath”, trouxe riffs intensos e vocais que ecoavam o estilo de Ozzy.

  • Destaques do setlist: Covers como “Electric Funeral” por Mastodon e “War Pigs” por um supergrupo foram aplaudidos.
  • Interações com o público: Randy Blythe, do Lamb of God, usou um cabo de microfone longo para se movimentar pelo palco, enquanto fãs formaram um circle pit moderado.
  • Homenagens especiais: Jason Momoa, apresentador do evento, declarou que o metal está em seu DNA, inspirado pelo Black Sabbath.

Logística e estrutura do evento

Organizar um evento de tal magnitude exigiu planejamento meticuloso. Andy Copping, da Live Nation, revelou que o palco giratório, inspirado no Live Aid de 1985, permitiu transições fluidas entre as 15 bandas escaladas. A capacidade do Villa Park, de 42 mil pessoas, esgotou em 16 minutos, refletindo a demanda massiva.

O evento também enfrentou desafios logísticos. Filas enormes para bares e banheiros foram relatadas antes mesmo do início das apresentações. Para facilitar o acesso, a West Midlands Railway adicionou 12 trens extras para a estação de Witton, e a Aston Villa disponibilizou ônibus entre Dudley Street e Aston Hall.

A transmissão pay-per-view, ao preço de 29,99 dólares, alcançou 411 mil espectadores em seu pico. Apesar de um atraso de três horas, a qualidade da produção foi elogiada, com câmeras capturando detalhes como os malabarismos com baquetas do baterista Art Cruz, do Lamb of God.

Homenagens locais e caridade

A conexão do Black Sabbath com Birmingham foi celebrada de diversas formas. A banda recebeu a liberdade da cidade em 2025, e até o Birmingham Royal Ballet criou uma coreografia inspirada no grupo em 2023. O evento no Villa Park reforçou esse laço, com Ozzy declarando: “Birmingham é o verdadeiro lar do metal.”

A doação dos lucros para três instituições de caridade foi um dos pilares do show. A Cure Parkinson’s, em especial, é uma causa próxima de Ozzy, que enfrenta a doença desde 2020. Birmingham Children’s Hospital e Acorns Children’s Hospice, apoiada pelo Aston Villa, também se beneficiaram, destacando o compromisso social do evento.

  • Cure Parkinson’s: Financia pesquisas para novos tratamentos da doença.
  • Birmingham Children’s Hospital: Referência em pediatria no Reino Unido.
  • Acorns Children’s Hospice: Oferece cuidados paliativos para crianças.

A saúde de Ozzy e o peso da despedida

A condição física de Ozzy Osbourne foi um tema recorrente. Diagnosticado com Parkinson e enfrentando complicações de uma queda em 2019, ele não pode mais caminhar, mas sua voz permanece intacta. Durante o show, especula-se que ele tenha se apresentado sentado em um trono, uma solução já usada por outros artistas, como Axl Rose.

Sharon Osbourne, que concebeu o evento, destacou que a ideia surgiu para dar a Ozzy um motivo para se levantar diariamente. Em entrevistas, ele admitiu o impacto psicológico de suas limitações, mas sua determinação em subir ao palco emocionou os fãs. “Quero dizer adeus aos meus amigos e fãs”, declarou.

O papel de Tom Morello na curadoria

Tom Morello, guitarrista do Rage Against the Machine, foi o diretor musical do evento. Sua visão era criar “o maior show de heavy metal de todos os tempos”. Ele comparou o Back to the Beginning ao Freddie Mercury Tribute Concert, destacando a importância de celebrar o Black Sabbath enquanto seus membros estão vivos.

Morello também integrou o supergrupo que tocou covers de Sabbath, ao lado de nomes como Billy Corgan e Slash. Sua curadoria garantiu um equilíbrio entre bandas consagradas e novos talentos, com cada ato tocando de três a quatro músicas, incluindo pelo menos um cover do Black Sabbath.

Repercussão entre fãs e artistas

A reação ao anúncio do show foi avassaladora. Fãs lotaram as redes sociais com mensagens emocionadas, enquanto bandas como Anthrax declararam o evento “o melhor lineup da história”. A venda de ingressos, iniciada em 14 de fevereiro, esgotou rapidamente, com preços variando de 50 a 200 libras.

Artistas presentes no evento reforçaram o impacto do Black Sabbath. James Hetfield, do Metallica, afirmou que a banda “abriu as portas do metal”, enquanto Lzzy Hale destacou a representatividade feminina no lineup, embora tenha sido a única mulher entre dezenas de homens.

Legado do Black Sabbath

O Back to the Beginning não foi apenas o fim de uma era, mas uma celebração do pioneirismo do Black Sabbath. Suas inovações musicais, como os riffs graves de Tony Iommi e as letras introspectivas de Geezer Butler, moldaram gerações de bandas. Álbuns como “Paranoid” e “Master of Reality” continuam influentes, com milhões de cópias vendidas.

O evento também destacou a resiliência de Ozzy, cuja carreira solo, com hits como “Crazy Train”, complementou o legado da banda. Sua indução ao Rock and Roll Hall of Fame, tanto como solista quanto com o Black Sabbath, reforça sua relevância.

Curiosidades do evento

Alguns detalhes do show chamaram atenção:

  • Ausência de Judas Priest: A banda foi convidada, mas estava comprometida com um show na Alemanha.
  • Expulsão de uma banda: Sharon Osbourne revelou que um grupo, não identificado, foi retirado do lineup por exigir pagamento.
  • Leilão beneficente: Itens como guitarras Gibson assinadas e pacotes de viagem foram leiloados, com arrecadações destinadas às caridades.
  • Coincidência de shows: No mesmo dia, o Electric Light Orchestra realizou um show de despedida em Birmingham, dividindo a atenção dos fãs locais.
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