Um ataque violento de um pitbull contra uma cadela shar-pei, na manhã de 5 de julho de 2025, na rua Diana, em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo, deixou moradores assustados e reacendeu o debate sobre o descumprimento da lei estadual que obriga o uso de focinheira em cães de raças consideradas perigosas. O incidente, registrado por câmeras de segurança, ocorreu por volta das 8h30, quando o pitbull, sem focinheira, agarrou a shar-pei Aisha pela cabeça, causando ferimentos graves. A intervenção de um zelador, que usou água para separar os animais, evitou um desfecho pior. A tutora da vítima, Karina Lins, classificou o caso como “irresponsabilidade” do dono do pitbull, apontando falhas na fiscalização da legislação de 2004. O episódio expõe a necessidade de maior conscientização e aplicação das normas de segurança em áreas urbanas.
O vídeo do ataque, divulgado nas redes sociais, chocou a comunidade local. A cadela Aisha, de cinco anos, descansava na calçada quando foi surpreendida pelo pitbull, que a mordeu na cabeça e na orelha. A força do ataque dificultou a separação dos animais, com o tutor do pitbull caindo ao tentar contê-lo. A cena, que viralizou, gerou indignação entre moradores, que relatam a frequência de cães perigosos circulando sem os equipamentos de segurança exigidos por lei.
- Impacto imediato: Aisha sofreu ferimentos graves, exigindo atendimento veterinário urgente.
- Reação da tutora: Karina Lins destacou o trauma de sua cunhada, que presenciou o ataque.
- Risco à comunidade: Moradores temem que incidentes semelhantes atinjam crianças ou idosos.
- Falta de fiscalização: A ausência de multas efetivas contribui para o descumprimento da lei.
A gravidade do caso mobilizou debates nas redes sociais e em grupos de bairro, com pedidos por ações mais rigorosas das autoridades. A legislação estadual, em vigor há mais de duas décadas, parece não ser suficiente para garantir a segurança nas ruas de São Paulo.
Lei da focinheira sob escrutínio
A lei estadual nº 48.533/2004, regulamentada pelo então governador Geraldo Alckmin, determina que raças como pitbull, rottweiler, mastim napolitano e american staffordshire terrier só podem circular em espaços públicos com coleira, guia curta e focinheira. No entanto, o caso de Perdizes evidencia uma lacuna na aplicação prática dessa norma. Moradores relatam que é comum ver cães dessas raças sem os equipamentos obrigatórios, especialmente em áreas movimentadas como a rua Diana, frequentada por famílias e idosos.
Karina Lins, tutora de Aisha, foi enfática ao criticar a conduta do dono do pitbull. “Ele não tinha controle sobre o próprio animal. É uma irresponsabilidade que pode custar vidas”, declarou. O incidente reforça a percepção de que muitos tutores desconhecem ou ignoram os riscos associados a essas raças. Especialistas em comportamento animal apontam que, sem treinamento adequado e equipamentos de segurança, cães de grande porte podem reagir de forma imprevisível.
O descumprimento da lei não é um problema novo. Em 2023, a prefeitura de São Paulo registrou mais de 500 denúncias relacionadas a ataques de cães em espaços públicos, mas apenas uma fração resultou em multas. A falta de agentes capacitados para fiscalizar e a dificuldade de identificar tutores infratores são desafios apontados por autoridades.
Reações da comunidade e impacto local
O ataque em Perdizes gerou uma onda de solidariedade à tutora de Aisha, mas também de revolta contra a negligência de alguns donos de animais. Nas redes sociais, moradores compartilharam relatos de incidentes semelhantes no bairro, aumentando a pressão por medidas preventivas. Um grupo de residentes planeja organizar uma reunião com representantes da subprefeitura para discutir a segurança nas ruas.
- Medo nas calçadas: Famílias evitam passear com crianças pequenas em horários de maior movimento.
- Demanda por fiscalização: Moradores pedem blitze regulares para verificar o uso de focinheiras.
- Conscientização local: Associações de bairro planejam campanhas educativas.
A rua Diana, conhecida por sua atmosfera tranquila e familiar, agora é vista com cautela por alguns moradores. “É um bairro onde todos se conhecem, mas esse tipo de incidente muda a forma como nos sentimos seguros”, afirmou um comerciante local, que preferiu não se identificar. A tutora de Aisha, que costuma passear com sua filha de três anos na região, destacou o impacto emocional do ataque. “Penso no que poderia ter acontecido se fosse comigo e minha filha. É desesperador”, desabafou.
Riscos de raças perigosas em áreas urbanas
Cães de raças consideradas perigosas, como o pitbull, possuem características físicas que amplificam os danos em caso de ataque. Estudos veterinários apontam que a força da mordida de um pitbull pode superar 100 quilos de pressão, capaz de causar lesões graves ou fatais. Apesar disso, especialistas reforçam que o comportamento agressivo não é inerente à raça, mas sim resultado de fatores como falta de socialização, treinamento inadequado ou negligência do tutor.
No caso de Perdizes, o pitbull só soltou Aisha após a intervenção de terceiros, o que evidencia a dificuldade de controlar o animal em uma situação de estresse. “O tutor precisa estar preparado para lidar com a força e o instinto do cão. Sem isso, o risco é iminente”, explica a veterinária Mariana Costa, que atua na Zona Oeste. Ela recomenda que tutores invistam em adestramento profissional e sigam rigorosamente as normas de segurança.
A legislação paulista é clara, mas sua efetividade depende de fiscalização e conscientização. Em outros estados, como Rio de Janeiro e Minas Gerais, leis semelhantes também enfrentam desafios de implementação. Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2020 e 2024, mais de 20 mil pessoas foram internadas no Brasil devido a ataques de cães, com São Paulo liderando o ranking.
Medidas para prevenir novos incidentes
Autoridades e especialistas sugerem ações práticas para reduzir os riscos de ataques em áreas urbanas. A prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria de Segurança Urbana, informou que planeja intensificar a fiscalização em 2025, com foco em bairros residenciais. Além disso, campanhas educativas estão sendo planejadas para orientar tutores sobre a importância de equipamentos de segurança.
- Treinamento de tutores: Cursos de adestramento podem minimizar comportamentos agressivos.
- Fiscalização reforçada: Aumentar o número de agentes nas ruas para verificar o uso de focinheiras.
- Punições mais severas: Multas e sanções para tutores que descumprirem a lei.
- Campanhas educativas: Parcerias com ONGs para promover a posse responsável.
A tutora de Aisha espera que o caso sirva de alerta. “Não queremos culpar os animais, mas os tutores precisam entender a responsabilidade que têm. Minha cachorra sofreu, mas poderia ter sido muito pior”, afirmou. O dono do pitbull se comprometeu a arcar com as despesas veterinárias, mas, para Karina, isso não resolve o problema de fundo. “A lei existe, mas precisa ser cumprida”, reforçou.
Um chamado à responsabilidade
O ataque em Perdizes não é um caso isolado, mas um sintoma de um problema maior. A convivência entre humanos e animais em grandes cidades exige equilíbrio entre liberdade e segurança. A legislação estadual de 2004 foi um passo importante, mas sua aplicação enfrenta entraves logísticos e culturais. Muitos tutores ainda veem a focinheira como um acessório desnecessário, ignorando os riscos que seus animais podem representar.
Moradores de Perdizes agora cobram ações concretas, como maior presença de guardas municipais e placas informativas nas ruas. A cadela Aisha, apesar dos ferimentos, está se recuperando, mas o trauma permanece. “Quero que isso seja um exemplo para que outros tutores pensem duas vezes antes de sair sem focinheira”, concluiu Karina. O caso reforça a urgência de medidas que garantam a segurança de todos nas ruas de São Paulo.

