Tecnologia autônoma da BYD promete revolucionar mobilidade no Brasil

BYD Dolphin Mini

BYD Dolphin Mini - Foto: Divulgação

A BYD, gigante chinesa do setor automotivo, revelou planos ambiciosos para trazer sua tecnologia de condução autônoma, chamada God’s Eye, ao Brasil nos próximos anos. O anúncio foi feito em 1º de julho de 2025, durante um evento em Camaçari, Bahia, onde a empresa também celebrou o início dos testes de sua nova linha de produção. A fábrica, instalada nas antigas instalações da Ford, terá capacidade inicial para 150 mil veículos por ano, com foco em modelos elétricos como o BYD Dolphin Mini e o Song Pro. A iniciativa marca um passo significativo para a mobilidade sustentável e autônoma no país, reforçando a posição da BYD como líder global em veículos de nova energia. Além disso, a empresa abordou um episódio controverso envolvendo condições trabalhistas em sua obra, prometendo soluções em conformidade com a legislação brasileira.

A chegada da tecnologia autônoma da BYD ao Brasil é um marco para o setor automotivo nacional. O sistema God’s Eye, já implementado em veículos na China, utiliza uma combinação de câmeras, radares e sensores para oferecer desde assistência ao motorista até condução 100% autônoma em cenários complexos. A montadora também destacou inovações como suspensões que permitem aos carros “saltar” e a plataforma e4, capaz de operar em áreas alagadas.

Principais pontos do anúncio:

  • Produção inicial de 150 mil veículos por ano, com expansão prevista para 300 mil até 2026.
  • Introdução do sistema God’s Eye, com versões que variam de 12 a 600 TOPS de capacidade computacional.
  • Foco em veículos elétricos, como o Dolphin Mini, líder de vendas no Brasil.
  • Compromisso com a legislação trabalhista após denúncias de condições precárias.

Tecnologia God’s Eye em detalhes

O sistema de condução autônoma da BYD, batizado de God’s Eye, é o coração da estratégia da empresa para o Brasil. Ele utiliza uma rede de sensores, incluindo radares, câmeras e sensores ultrassônicos, para criar uma visão de 360 graus do ambiente ao redor do veículo. Essa tecnologia permite desde funções básicas, como frenagem automática, até a navegação autônoma em rodovias e áreas urbanas. A versão mais avançada, equipada com sensores LiDAR e processadores de 600 TOPS, é capaz de realizar manobras complexas, como estacionamento automático, com alta precisão.

A BYD oferece três configurações do God’s Eye, adaptadas a diferentes segmentos de mercado. A versão básica, presente no Dolphin Mini, conta com 12 câmeras, 5 radares e 12 sensores ultrassônicos. Já os modelos premium incorporam tecnologia LiDAR, que melhora a detecção de objetos em condições adversas, como chuva ou neblina. A empresa destacou que o sistema foi projetado para se adaptar às condições brasileiras, incluindo estradas com infraestrutura variada.

A implementação do God’s Eye no Brasil dependerá de adaptações regulatórias e testes locais. A BYD já conduz experimentos em outros mercados, e a experiência global da empresa, com mais de 25 bilhões de euros investidos em pesquisa e desenvolvimento, reforça a confiança na viabilidade do projeto.

BYD Song pro – Foto: Divulgação

Nova fábrica em Camaçari

A inauguração da fase de testes da fábrica em Camaçari representa um marco para a BYD no Brasil. Localizada na região metropolitana de Salvador, a planta foi instalada nas instalações abandonadas pela Ford em 2021. Com um investimento inicial significativo, a fábrica começará produzindo os modelos Dolphin Mini e Song Pro, ambos elétricos, utilizando o processo SKD (Semi Knocked Down). Nesse método, os veículos chegam da China com carrocerias prontas e são finalizados com peças locais.

A capacidade inicial de 150 mil veículos por ano deve dobrar até o fim de 2026, alcançando 300 mil unidades anuais. O prefeito de Camaçari, Luiz Carlos Caetano, expressou otimismo, afirmando que a meta de longo prazo é atingir 600 mil veículos por ano, o que posicionaria a planta como uma das maiores da América Latina. A escolha de Camaçari reflete a infraestrutura industrial da região e a proximidade com o porto, facilitando a logística de exportação.

Inovações além da autonomia

Além do sistema God’s Eye, a BYD apresentou outras tecnologias que planeja trazer ao Brasil. Durante o evento, Stella Li, vice-presidente executiva da empresa, destacou a nova plataforma e4, que permite aos veículos operar em superfícies alagadas, uma característica relevante para cidades brasileiras sujeitas a enchentes. Outra inovação mencionada foi o sistema de suspensão ativa, que possibilita movimentos inusitados, como “saltar” ou “dançar”, demonstrando a versatilidade dos veículos da marca.

Essas tecnologias refletem o posicionamento da BYD como uma empresa de inovação, não apenas uma montadora. Com 120 mil engenheiros e mais de 25 bilhões de euros investidos em P&D, a companhia lidera o mercado global de veículos de nova energia, com uma em cada cinco unidades vendidas no mundo pertencendo à marca.

Resposta ao episódio trabalhista

Um ponto sensível abordado durante o evento foi o caso de 220 trabalhadores chineses encontrados em condições análogas à escravidão nas obras da fábrica em 2024. As denúncias, que incluíam alojamentos precários e falta de higiene, levaram o Ministério Público do Trabalho a entrar com uma ação civil pública contra a BYD e as empreiteiras Jinjiang e Tonghe (atual Tecmonta). A ação solicita R$ 257 milhões em indenizações por danos morais coletivos, além de compensações individuais.

Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, afirmou que a empresa agiu rapidamente para corrigir as irregularidades. Ele destacou que todos os contratos com as construtoras envolvidas foram rescindidos e que a BYD está comprometida com o cumprimento da legislação trabalhista brasileira. A empresa também implementou medidas para melhorar as condições de trabalho e evitar novos incidentes.

Expansão do mercado elétrico

A BYD já é uma das principais marcas de veículos elétricos no Brasil, com cerca de 130 mil unidades rodando no país. O Dolphin Mini, lançado em 2024, tornou-se o carro elétrico mais vendido no mercado nacional, graças ao preço competitivo e à eficiência energética. A produção local em Camaçari deve reduzir custos e aumentar a acessibilidade dos modelos, consolidando a liderança da empresa no segmento.

A estratégia da BYD inclui não apenas veículos elétricos, mas também híbridos plug-in, atendendo à demanda por opções de transição energética. A empresa também planeja expandir sua rede de concessionárias e pontos de recarga, essencial para o crescimento do mercado de elétricos no Brasil.

Principais modelos da BYD no Brasil:

  • Dolphin Mini: Compacto elétrico, líder de vendas.
  • Song Pro: SUV elétrico com foco em conforto e tecnologia.
  • Yuan Plus: SUV compacto com design moderno e autonomia superior.
  • Han EV: Sedã elétrico de luxo, voltado para o mercado premium.

Preparação para regulamentação

A introdução de carros autônomos no Brasil enfrenta desafios regulatórios. A legislação brasileira ainda está em fase de adaptação para veículos com alto nível de autonomia, exigindo normas específicas para testes e circulação. A BYD afirmou que está em diálogo com autoridades para garantir que o God’s Eye atenda aos padrões de segurança e infraestrutura do país.

Outros países, como China e Estados Unidos, já possuem regulamentações mais avançadas para carros autônomos. A experiência da BYD nesses mercados será crucial para navegar o cenário brasileiro, que inclui estradas com condições variadas e tráfego intenso em áreas urbanas.

Investimentos e impacto econômico

A fábrica de Camaçari deve gerar milhares de empregos diretos e indiretos, impulsionando a economia da Bahia. A BYD planeja investir em capacitação de mão de obra local, com programas de treinamento para trabalhadores da linha de produção. A escolha de produzir localmente também reduz a dependência de importações, fortalecendo a cadeia de suprimentos nacional.

O investimento da BYD no Brasil reflete a crescente importância do país no mercado global de veículos elétricos. Com a demanda por mobilidade sustentável em alta, a empresa está bem posicionada para atender consumidores urbanos e frotistas, que buscam opções econômicas e ecológicas.

Próximos passos da BYD

A BYD planeja intensificar os testes do God’s Eye no Brasil, com foco em adaptar a tecnologia às condições locais. A empresa também trabalha na expansão de sua linha de produção, com novos modelos previstos para 2026. A meta é consolidar o Brasil como um hub de produção e exportação de veículos elétricos para a América Latina.

A combinação de tecnologia autônoma, produção local e inovações como a plataforma e4 posiciona a BYD como uma das principais protagonistas da transformação do setor automotivo no Brasil. A empresa segue comprometida com a sustentabilidade e a inovação, alinhando-se às tendências globais de mobilidade.

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