A BYD, líder global em veículos elétricos, anunciou em 9 de julho de 2025 o início da produção em sua nova fábrica em Camaçari, Bahia, acompanhado de reduções de preço para o Dolphin Mini, de R$ 122.800 para R$ 119.990, e o Song Pro, de R$ 204.800 para R$ 199.990. A planta, construída com investimento de R$ 5,5 bilhões no antigo complexo da Ford, marca a maior operação da montadora fora da China, com capacidade inicial para 150 mil veículos por ano. Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, revelou a introdução de novas cores, azul para o Dolphin Mini e preto para o Song Pro, visando atrair consumidores. A estratégia reforça a competitividade da marca no mercado brasileiro, onde já emplacou 29 mil veículos em 2025 até julho, segundo a Fenabrave. A produção local, iniciada no sistema SKD, promete reduzir custos de importação e impulsionar a mobilidade sustentável.
A fábrica emprega 1.200 trabalhadores locais e deve gerar 20 mil empregos até 2026. A BYD também homologou 106 fornecedores nacionais, fortalecendo a cadeia de autopeças.
As novas cores e preços foram anunciadas via redes sociais da montadora, gerando 10 mil interações em 24 horas.
- Investimento: R$ 5,5 bilhões na planta de Camaçari.
- Capacidade inicial: 150 mil veículos por ano.
- Empregos gerados: 1.200 diretos, com meta de 20 mil até 2026.
- Modelos beneficiados: Dolphin Mini e Song Pro.
A iniciativa consolida a Bahia como hub automotivo e fortalece a presença da BYD na América Latina.
Estrutura da nova fábrica
Construída em 15 meses, a planta de Camaçari ocupa 4,6 milhões de metros quadrados, com 28 instalações, incluindo galpões de montagem e pistas de teste. O governo da Bahia cedeu o terreno por R$ 290 milhões, após a desativação da fábrica da Ford em 2021. A unidade opera inicialmente no sistema SKD, montando peças importadas, mas planeja adotar o regime CKD, com estampagem e pintura, até 2026.
A linha de produção utiliza robôs para instalação de vidros e baterias, com um sistema de sequenciamento que prioriza modelos de alta demanda, como o Dolphin Mini. O ambiente mantém ruído abaixo de 70 decibéis, garantindo conforto aos trabalhadores. Em 2024, a BYD treinou 500 funcionários na China para operar a tecnologia, segundo o Senai Cimatec.
A planta também abriga um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, que começará a operar em 2026, focado em baterias e motores híbridos flex, com 2 mil engenheiros e parcerias com a Universidade Federal da Bahia.
Dolphin Mini em destaque
O Dolphin Mini, lançado em fevereiro de 2024, lidera as vendas de elétricos no Brasil, com 8.132 unidades emplacadas em 2025 até julho, segundo a ABVE. O modelo, agora a R$ 119.990, compete com o Renault Kwid E-Tech (R$ 99.990), mas oferece maior autonomia (280 km Inmetro, até 350 km em uso real). Equipado com uma bateria LFP de 38,8 kWh e motor de 75 cv, o subcompacto ganhou a cor azul, disponível a partir de agosto.
A BYD descontinuou a versão de quatro lugares, mantendo apenas a configuração de cinco lugares, que responde por 80% das vendas. A produção local reduzirá o preço final em até 10% até 2026, com maior nacionalização de componentes.
Song Pro e inovação híbrida
O Song Pro, SUV híbrido plug-in, teve seu preço reduzido para R$ 199.990, posicionando-o contra o Jeep Compass (R$ 210 mil) e o Toyota Corolla Cross (R$ 205 mil). Com 4.738 mm e porta-malas de 520 litros, o modelo ganhará uma versão com motor 1.5 flex (gasolina ou etanol) em 2026, desenvolvido para o mercado brasileiro. A nova cor preta complementa as opções branco, cinza e azul.
Em 2025, o Song Pro emplacou 3.500 unidades, segundo a Fenabrave, beneficiado por sua autonomia combinada de 1.050 km. A produção em Camaçari aumentará a oferta, com 10 mil unidades previstas até dezembro.
- Desconto no Song Pro: R$ 4.810, de R$ 204.800 para R$ 199.990.
- Motor híbrido: 1.5 flex a partir de 2026.
- Autonomia: 1.050 km (elétrico + combustão).
- Vendas 2025: 3.500 unidades até julho.
Estratégia de mercado da BYD
A redução de preços reflete a agressividade da BYD no Brasil, onde ocupa a oitava posição no ranking de vendas, com 29 mil emplacamentos em 2025, superando Toyota (26 mil) e Honda (24 mil). A marca planeja expandir de 180 para 240 concessionárias até dezembro, cobrindo todas as capitais.
A nacionalização reduzirá custos de importação, que representam 30% do preço final, e aproveitará incentivos fiscais, como a isenção de IPVA na Bahia para elétricos até R$ 300 mil. A BYD também negocia com frotistas, mirando contratos com empresas de logística e órgãos públicos, como a Prefeitura de Salvador, que adquiriu 50 Dolphin Minis em 2024.
Expansão na América Latina
A planta de Camaçari exportará 30% de sua produção para o Mercosur, incluindo Argentina e Uruguai, a partir de 2026. O Dolphin Mini já é vendido no México, com 2 mil unidades em 2024, e o Song Pro chegará ao Paraguai em setembro de 2025. A BYD planeja lançar o sedã King e a picape Shark, ampliando sua linha na região.
Em 2024, a montadora vendeu 3 milhões de veículos globalmente, sendo 60% elétricos. No Brasil, a meta é atingir 100 mil emplacamentos anuais até 2027, consolidando a liderança em eletrificados.
Inovações tecnológicas
O Centro de P&D em Camaçari desenvolverá motores híbridos flex, aproveitando o etanol brasileiro, e baterias LFP adaptadas ao clima tropical. O motor 1.5 DM-i, com eficiência 30% superior aos concorrentes, será integrado ao Song Pro e ao Yuan Pro. Em 2024, a BYD testou protótipos com autonomia de 1.200 km em rodovias brasileiras.
A fábrica utiliza inteligência artificial para otimizar a produção, com robôs que reduzem o tempo de montagem em 20%. Parcerias com o Senai Cimatec capacitam 1.500 técnicos anualmente, focando em tecnologias sustentáveis.
Infraestrutura de recarga
Para apoiar a adoção de elétricos, a BYD instalará 200 eletropostos de recarga rápida até dezembro de 2025, em rodovias como a BR-101 e shoppings de capitais. Cada posto, com potência de 150 kW, recarrega o Dolphin Mini em 30 minutos. A iniciativa, em parceria com Raízen e Vibra, cobre 15 estados.
- Eletropostos planejados: 200 até o fim de 2025.
- Potência: 150 kW, com recarga em 30 minutos.
- Parceiros: Raízen, Vibra e shoppings.
- Cobertura: 15 estados, incluindo SP, RJ e BA.
Crescimento no Brasil
A BYD emplacou 60 mil veículos em 2024, com o Dolphin Mini liderando o segmento elétrico (28% do mercado). Em maio de 2025, a marca alcançou 9,7% de participação no varejo, à frente de Hyundai (8,2%). A fábrica de Camaçari produzirá 50 mil unidades em 2025, com meta de 150 mil em 2026, incluindo chassis de ônibus elétricos.
A montadora oferece financiamento com taxa zero para o Dolphin Mini, com parcelas a partir de R$ 1.999, e planeja lançar o Seal Elite, um sedã elétrico de luxo, em outubro de 2025.
Repercussão entre consumidores
A redução de preços gerou 15 mil interações no Instagram da BYD, com consumidores elogiando a acessibilidade do Dolphin Mini. Enquetes no X, como do perfil @AutoEsporteBR, apontam 65% de aprovação para as novas cores. Críticas, no entanto, destacam a demora na entrega de modelos importados, que chega a 60 dias em algumas regiões.
A inauguração da fábrica foi celebrada por autoridades baianas, com o governador Jerônimo Rodrigues presente na cerimônia de 9 de julho. A BYD também patrocinará eventos culturais em Salvador, como o Festival da Primavera, reforçando sua imagem local.
Planos futuros
A BYD planeja fabricar caminhões elétricos em Camaçari a partir de 2027, mirando o setor logístico. A planta também será um hub de exportação para a América do Sul, com projeção de 50 mil unidades exportadas anualmente. Modelos como o Yuan Pro, com lançamento previsto para novembro de 2025, e a picape Shark, em dezembro, ampliarão a oferta.
A montadora negocia com o governo federal incentivos para veículos híbridos flex, visando reduzir o IPI em 5% até 2026. A estratégia inclui parcerias com startups de mobilidade, como a 99, para eletrificar frotas de aplicativos.

