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Jair Bolsonaro é obrigado a usar tornozeleira e cumprir toque de recolher em julgamento

Jair Bolsonaro
Bolsonaro acompanha o interrogatório de Mauro Cid no STF — Foto: Ton Molina/STF Bolsonaro acompanha o interrogatório de Mauro Cid no STF — Foto: Ton Molina/STF

A Justiça brasileira determinou que o ex-presidente Jair Bolsonaro utilize uma tornozeleira eletrônica e respeite um toque de recolher noturno, medidas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) devido a temores de que ele possa fugir do país enquanto enfrenta julgamento por suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A decisão, tomada na sexta-feira, 18 de julho de 2025, pelo ministro Alexandre de Moraes, inclui proibições de contato com embaixadas, diplomatas e seu filho, Eduardo Bolsonaro, além de suspender seu acesso às redes sociais. As restrições surgem em meio a tensões internacionais, com o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçando tarifas de 50% sobre produtos brasileiros em apoio a Bolsonaro. A Polícia Federal aponta que o ex-presidente tentou obstruir as investigações, justificando as medidas severas. O caso, que envolve outros sete réus, refere-se a acusações de conspiração para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O julgamento de Bolsonaro, iniciado em junho de 2025, marca um momento histórico, sendo a primeira vez que um ex-presidente brasileiro é julgado por tentativa de golpe. As acusações, detalhadas em um relatório de 884 páginas da Polícia Federal, apontam que ele liderou uma organização criminosa com o objetivo de subverter a democracia. A decisão judicial ocorre após buscas em sua residência e sede política, reforçando a gravidade do caso.

  • Principais medidas judiciais contra Bolsonaro:
    • Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica para monitoramento.
    • Toque de recolher noturno, com restrições de circulação.
    • Proibição de contato com embaixadas e figuras internacionais.
    • Suspensão de acesso a redes sociais para evitar influência.

Medidas judiciais intensificam pressão sobre ex-presidente

A imposição da tornozeleira eletrônica e do toque de recolher reflete a preocupação do STF com a possibilidade de Bolsonaro tentar deixar o Brasil. O ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo caso, justificou as medidas apontando ações deliberadas do ex-presidente para obstruir a justiça, incluindo tentativas de coagir autoridades e interferir na soberania nacional. A decisão também proíbe Bolsonaro de se comunicar com seu filho, Eduardo, que tem buscado apoio nos Estados Unidos, intensificando o isolamento do ex-presidente durante o processo.

A Polícia Federal realizou buscas na residência de Bolsonaro e em sua sede política em Brasília na sexta-feira, 18 de julho de 2025, após ordens judiciais. As investigações apontam que o ex-presidente, ao lado de aliados, planejou ações para desestabilizar o governo de Lula após sua derrota nas eleições de 2022. O relatório da PF destaca reuniões com comandantes militares e a elaboração de um decreto que poderia justificar uma intervenção armada, embora nunca tenha sido assinado.

O advogado de Bolsonaro, Celso Vilardi, classificou as medidas como uma “humilhação suprema” e afirmou que o ex-presidente sempre respeitou as ordens judiciais. Em declaração, Bolsonaro negou qualquer intenção de fugir do país, reforçando que as acusações são parte de uma perseguição política para impedi-lo de concorrer às eleições de 2026.

Contexto da acusação de tentativa de golpe

O cerne do julgamento gira em torno dos eventos que culminaram na invasão de prédios públicos em Brasília, em 8 de janeiro de 2023, uma semana após a posse de Lula. Milhares de apoiadores de Bolsonaro atacaram o Congresso Nacional, o STF e o Palácio do Planalto, em um episódio comparado à invasão do Capitólio nos EUA em 2021. A Polícia Federal concluiu que o ato foi parte de um plano coordenado para criar caos e justificar uma intervenção militar que mantivesse Bolsonaro no poder.

O relatório de 884 páginas, tornado público em novembro de 2024, detalha a participação ativa de Bolsonaro na conspiração. Segundo a PF, ele se reuniu com aliados, incluindo ex-ministros e militares de alta patente, para discutir estratégias que incluíam a anulação do resultado eleitoral e até planos para assassinar Lula e o ministro Alexandre de Moraes. Embora Bolsonaro negue as acusações, testemunhas como o tenente-coronel Mauro Cid, seu ex-ajudante de ordens, confirmaram que o ex-presidente revisou e editou documentos relacionados ao plano golpista.

  • Principais evidências apontadas pela Polícia Federal:
    • Reuniões com comandantes militares em dezembro de 2022.
    • Elaboração de decreto para intervenção armada, não assinado.
    • Planos para desacreditar o sistema eleitoral brasileiro.
    • Uso de milícias digitais para atacar opositores e militares contrários ao plano.
    • Tentativas de obstrução da justiça durante as investigações.

Repercussão internacional e tarifas de Trump

A interferência de Donald Trump no caso trouxe uma dimensão internacional à crise. Em um post na plataforma Truth Social, Trump comparou a situação de Bolsonaro às suas próprias batalhas judiciais, chamando o processo de “perseguição política”. A ameaça de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto de 2025 gerou uma resposta firme do presidente Lula, que afirmou que o Brasil é um “país soberano com instituições independentes” e prometeu retaliar com tarifas equivalentes.

A relação entre Bolsonaro e Trump, que foi marcada por uma aliança próxima durante seus mandatos, reacendeu debates sobre a influência externa em assuntos judiciais brasileiros. A proibição de contato com embaixadas e diplomatas visa limitar qualquer tentativa de Bolsonaro de buscar apoio internacional para pressionar o STF.

A decisão do STF também gerou reações polarizadas no Brasil. Enquanto opositores de Bolsonaro celebraram as medidas como um passo para a responsabilização, seus apoiadores, incluindo o senador Flávio Bolsonaro, classificaram o processo como uma tentativa de silenciar a oposição. Em postagens nas redes sociais, aliados do ex-presidente alegam que não há provas concretas de um golpe e que as acusações são exageradas.

Aliados e militares no centro do julgamento

Além de Bolsonaro, outros sete réus, considerados o “núcleo” da suposta organização criminosa, também enfrentam julgamento. Entre eles estão os ex-ministros Walter Braga Netto, Augusto Heleno e Anderson Torres, além do ex-comandante da Marinha, Almir Garnier Santos. A inclusão de militares de alta patente é um marco, já que é a primeira vez que oficiais de tal escalão são julgados por tentativa de golpe no Brasil, um país com histórico de impunidade em casos de intervenção militar.

Os réus enfrentam cinco acusações: tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do estado de direito, danos agravados e deterioração de patrimônio tombado. Se condenado, Bolsonaro pode enfrentar até 40 anos de prisão, segundo especialistas jurídicos.

  • Réus envolvidos no julgamento:
    • Jair Bolsonaro, ex-presidente e principal acusado.
    • Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice em 2022.
    • Augusto Heleno, ex-ministro de Segurança Institucional.
    • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública.
    • Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha.

Impacto político no Brasil

O julgamento de Bolsonaro ocorre em um momento de alta polarização política no Brasil. Apesar de estar inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o condenou por abuso de poder ao questionar a segurança das urnas eletrônicas, o ex-presidente mantém forte influência no Congresso e entre eleitores conservadores. Seus aliados tentam aprovar projetos de lei que reduzam o período de inelegibilidade, mas a possibilidade de uma condenação criminal pode sepultar suas ambições políticas.

A decisão do STF de impor medidas restritivas reforça a postura da corte em combater ameaças à democracia. O ministro Alexandre de Moraes, alvo de críticas de Bolsonaro e seus apoiadores, tem liderado esforços para coibir desinformação e ações antidemocráticas, o que o tornou uma figura controversa. Para analistas, o julgamento não é apenas sobre Bolsonaro, mas também sobre a credibilidade das instituições democráticas brasileiras.

Cronologia dos eventos principais

A investigação sobre a tentativa de golpe começou logo após os atos de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Bolsonaro invadiram prédios públicos em Brasília. O caso ganhou força com a delação de Mauro Cid, que revelou detalhes sobre as reuniões e planos para manter Bolsonaro no poder. Abaixo, os principais marcos:

  • Outubro de 2022: Bolsonaro perde a eleição presidencial para Lula por margem estreita.
  • Dezembro de 2022: Reuniões com militares para discutir intervenção armada.
  • 8 de janeiro de 2023: Invasão de prédios públicos por apoiadores de Bolsonaro.
  • Novembro de 2024: Relatório da PF de 884 páginas é tornado público.
  • Julho de 2025: STF impõe tornozeleira e toque de recolher a Bolsonaro.

O julgamento, que está sendo transmitido ao vivo pelos canais do Judiciário, continua a atrair atenção nacional e internacional. A expectativa é que a decisão final sobre a condenação ou absolvição de Bolsonaro ocorra ainda em 2025, marcando um capítulo decisivo na história política brasileira.

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