Suspeito de matar empresário em Interlagos é identificado pela polícia

Empresario interlagos

Empresario interlagos

A Polícia Civil de São Paulo identificou e deteve um suspeito pelo assassinato do empresário Adalberto Amarilio Júnior, de 35 anos, encontrado morto em um buraco de três metros de profundidade no Autódromo de Interlagos, Zona Sul da capital, em 3 de junho de 2025. O caso, investigado como homicídio, teve um avanço significativo com a prisão de um segurança que trabalhava no festival de motos frequentado pela vítima em 30 de maio. O suspeito, um lutador de jiu-jitsu com antecedentes por furto e ameaça, foi alvo de cinco mandados de busca e apreensão na manhã de 18 de julho. A investigação, conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), aponta que Adalberto sofreu uma morte violenta por asfixia, possivelmente por esganadura ou compressão torácica. Vestígios de sangue no carro da vítima revelaram DNA de uma mulher não identificada, aumentando o mistério do caso.

O empresário, dono de uma rede de óticas, desapareceu após participar do Festival Interlagos 2025: Edição Moto. Seu corpo foi encontrado sem calça nem tênis, com sinais de agressão, como escoriações no pescoço e ferimentos nos joelhos. A polícia trabalha com a hipótese de que ele foi colocado no buraco, de 70 centímetros de diâmetro, ainda vivo, mas inconsciente. Imagens de câmeras de segurança mostram Adalberto caminhando no estacionamento do kartódromo, a cerca de 200 metros do evento, antes de sumir.

  • Cronologia inicial do caso: Adalberto chegou ao evento às 12h30 de 30 de maio; última mensagem à esposa foi às 19h48; movimentação financeira de R$ 34 às 20h30, possivelmente para bebidas; corpo encontrado em 3 de junho.
  • Material apreendido: Cinco notebooks, sete celulares e 21 munições calibre .38 foram confiscados pela polícia.
  • Depoimentos: Quatro pessoas, incluindo o suspeito, foram levadas para prestar esclarecimentos.

Avanço na identificação do suspeito

A investigação ganhou força com o depoimento de uma testemunha-chave, que relatou ter presenciado o crime e apontou o segurança como autor. Inicialmente, o DHPP investigava cerca de 200 seguranças do evento, reduzidos a 15 e, posteriormente, a três suspeitos. A testemunha, que se manteve em silêncio por medo de represálias, detalhou a ação criminosa, levando à identificação do lutador de jiu-jitsu. A polícia acredita que o suspeito, com experiência em artes marciais, pode ter aplicado um golpe como o “mata-leão”, técnica que pode causar asfixia sem deixar marcas externas evidentes.

Os mandados de busca e apreensão cumpridos em 18 de julho resultaram na apreensão de materiais que estão sendo analisados para confirmar a participação do suspeito. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os itens confiscados, como celulares e notebooks, podem conter evidências cruciais, como mensagens ou registros que liguem o segurança ao crime.

Detalhes da morte de Adalberto

O laudo pericial da Polícia Técnico-Científica confirmou que Adalberto morreu por asfixia, com escoriações no pescoço sugerindo esganadura. Outra hipótese é a compressão torácica, possivelmente causada por pressão no peito, como um joelho contra o pulmão. A presença de terra no nariz, olhos e pulmões indica que ele pode ter sido colocado no buraco ainda vivo, mas inconsciente, sofrendo uma morte lenta e agonizante. A delegada Ivalda Aleixo, do DHPP, descreveu o caso como “complexo” e sob sigilo judicial, o que limita a divulgação de detalhes adicionais.

  • Causa da morte: Asfixia, possivelmente por esganadura ou compressão torácica.
  • Condições do corpo: Sem calça, tênis ou meias; capacete, celular e carteira encontrados no local.
  • Indícios de agressão: Escoriações no pescoço e ferimentos nos joelhos, sugerindo que foi forçado a se ajoelhar ou arrastado.
  • Local do crime: Buraco de 3 metros de profundidade e 70 centímetros de diâmetro em área de obras isolada.
Buraco onde empresário foi encontrado – Foto: Reprodução/TV Globo

Mistério do sangue no carro

A análise de DNA revelou que o sangue encontrado no carro de Adalberto pertence a ele e a uma mulher ainda não identificada. As manchas, localizadas na porta, no assoalho e nos bancos traseiros, não correspondem ao DNA da esposa, Fernanda Dândalo. A polícia considera que o sangue pode não estar relacionado ao crime, já que o corpo não apresentava ferimentos que justificassem sangramento significativo. Essa descoberta levanta novas questões sobre quem esteve no veículo e em que circunstância o sangue foi depositado.

A investigação solicitou exames adicionais, como a análise de resíduos sob as unhas de Adalberto, que podem indicar luta ou contato com o agressor. Um laudo do Instituto de Criminalística (IC) também está em elaboração para mapear o trajeto do empresário do estacionamento ao buraco, usando imagens de nove câmeras de segurança do autódromo.

Depoimentos e contradições

Rafael Aliste, amigo de Adalberto que o acompanhou no evento, prestou dois depoimentos à polícia. Ele afirmou que ambos consumiram oito cervejas e maconha, e que Adalberto estava “agitado” e “eufórico”. No entanto, o laudo toxicológico não detectou álcool ou drogas no organismo da vítima, o que gerou questionamentos sobre a veracidade do relato. A delegada Ivalda Aleixo classificou o depoimento de Rafael como “inconsistente”, mas ele não é considerado suspeito, apenas testemunha.

Outros frequentadores e vendedores do evento também foram ouvidos, mas nenhum foi apontado como autor até o momento. A polícia investiga se Adalberto se envolveu em uma briga, possivelmente por estacionar em área proibida, o que pode ter desencadeado a agressão.

  • Depoimento de Rafael: Relato de consumo de cerveja e maconha contradiz laudo toxicológico.
  • Testemunha-chave: Apontou o segurança como autor, detalhando a cena do crime.
  • Outros interrogados: Cerca de 18 dos 150 seguranças do evento já prestaram depoimento.

Hipóteses investigativas

O DHPP trabalha com três linhas principais de investigação, embora detalhes sejam mantidos em sigilo. A principal hipótese é que Adalberto foi agredido por entrar em uma área restrita do autódromo, possivelmente por seguranças. Outra possibilidade é um desentendimento com frequentadores ou vendedores do evento. A ausência de sinais de violência sexual e a presença de pertences como carteira, celular e aliança descartam, por ora, a hipótese de latrocínio.

A investigação também considera que o suspeito, por sua experiência em jiu-jitsu, teria habilidade para imobilizar a vítima sem causar lesões externas graves. O capacete rachado de Adalberto sugere que ele tentou se defender, enquanto ferimentos nos joelhos indicam que pode ter sido forçado a se ajoelhar.

Repercussão e impacto na família

Fernanda Dândalo, esposa de Adalberto, expressou desespero com a falta de respostas iniciais sobre o caso. Em redes sociais, ela e familiares pediram ajuda para localizar o empresário após seu desaparecimento. A descoberta do corpo e a confirmação do homicídio transformaram a vida da família, que descreve o caso como “um inferno”. A comunidade de amigos, incluindo pilotos de kart que conheciam Adalberto, lamentou a perda de um homem descrito como “educado, discreto e apaixonado por velocidade”.

A prisão do suspeito trouxe alívio, mas a família ainda aguarda a elucidação completa do crime. A análise de novos laudos, como o do Instituto Médico Legal (IML) sobre resíduos sob as unhas e o mapeamento do local pelo IC, pode trazer mais pistas sobre a dinâmica do assassinato.

  • Reação da família: Fernanda Dândalo relatou impotência e sofrimento com a demora na resolução.
  • Perfil de Adalberto: Empresário de 35 anos, casado, dono de óticas e apaixonado por kart.
  • Apoio da comunidade: Amigos e pilotos prestaram homenagens nas redes sociais.

Segurança no autódromo em xeque

O caso expôs fragilidades na segurança do Autódromo de Interlagos, especialmente após outro incidente em novembro de 2024, quando um catador de recicláveis foi morto por seguranças do local. A polícia agora investiga se há um padrão de violência por parte dos seguranças, já que o suspeito atual tem antecedentes criminais. A área onde o corpo foi encontrado, isolada por tapumes, não contava com câmeras de vigilância, o que dificultou as investigações iniciais.

A prefeitura de São Paulo, responsável pelo autódromo, ainda não se pronunciou sobre medidas para reforçar a segurança no local. Organizadores do Festival Interlagos 2025 também foram ouvidos, mas negaram qualquer irregularidade no evento.

Próximos passos da investigação

O DHPP aguarda a conclusão de laudos periciais para consolidar as provas contra o suspeito. A análise dos dispositivos apreendidos pode revelar comunicações que esclareçam a motivação do crime. Além disso, a identificação da mulher cujo DNA foi encontrado no carro permanece como um enigma, já que não há registros de Adalberto acompanhado por outra pessoa no evento.

A polícia também planeja ouvir novos depoimentos de seguranças e frequentadores, enquanto refaz o trajeto de Adalberto com base em imagens de segurança. A expectativa é que o caso, considerado um dos mais complexos do ano pelo DHPP, seja esclarecido nas próximas semanas, trazendo justiça à família de Adalberto.

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