Estudo aponta São Mateus em SP como o mais violento e Belém o mais seguro

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Cidade de São Paulo

Cidade de São Paulo - Foto: stocklapse/ Istockphoto.com

São Mateus, na Zona Leste de São Paulo, foi apontado como o bairro mais violento da capital paulista em um levantamento recente, com base em dados de 2022 a julho de 2024. O estudo, que analisou 93 distritos policiais, considerou homicídios, latrocínios, roubos, furtos e assaltos, revelando que São Mateus registrou 32 assassinatos e mais de 5 mil assaltos no período. Em contrapartida, Belém, na região da Mooca, conquistou o título de bairro mais seguro, com índices significativamente menores. Realizado com base em estatísticas da Secretaria de Segurança Pública, o ranking destaca as disparidades de segurança na maior cidade do Brasil. A pesquisa ajuda moradores a entender os riscos e escolher locais mais seguros para viver.

A capital paulista, com seus 11 milhões de habitantes e 1,5 mil quilômetros quadrados, apresenta realidades contrastantes. Enquanto alguns bairros enfrentam altos índices de criminalidade, outros oferecem maior tranquilidade. O levantamento classificou os distritos com base em cinco indicadores criminais, atribuindo pesos específicos para cada tipo de delito.

O estudo também revelou que a percepção de segurança nem sempre está ligada à renda dos bairros. Áreas mais pobres, como Jardim Robru, surpreenderam ao aparecer entre as mais seguras, enquanto regiões nobres, como Consolação, registraram mais crimes patrimoniais.

  • Principais destaques do ranking:
    • São Mateus lidera com 32 homicídios e 5.848 assaltos.
    • Belém registra apenas um assalto por dia, em média.
    • Jardim Robru é o segundo mais seguro, com 8,79 pontos.
    • Consolação e Pinheiros têm mais crimes que áreas como Perus.

Números que revelam a violência em São Mateus

São Mateus, localizado na Zona Leste, foi identificado como o distrito com maior índice de criminalidade. Entre 2022 e julho de 2024, o 49º Distrito Policial, responsável pela área, registrou 32 assassinatos, incluindo cinco latrocínios. Além disso, foram contabilizados 1.342 roubos de veículos, 1.847 furtos e 5.848 assaltos. Esses números colocaram o bairro no topo do ranking, com uma nota de apenas 0,67 no índice de segurança.

A alta concentração de crimes em São Mateus reflete problemas estruturais, como falta de iluminação e baixa presença policial em algumas áreas. Moradores relatam insegurança constante, especialmente à noite, quando assaltos são mais frequentes. A região também enfrenta desafios relacionados à desigualdade social e à urbanização desordenada, que amplificam os índices de violência.

Outros bairros com números elevados incluem Campo Limpo, Capão Redondo e Itaim Paulista. Cada um desses distritos registrou milhares de ocorrências no período, com destaque para crimes patrimoniais, como furtos e roubos de veículos.

  • Fatos sobre São Mateus:
    • 32 homicídios registrados em dois anos e meio.
    • Mais de 5 mil assaltos, maior número entre os distritos.
    • Cinco latrocínios, um dos maiores índices da capital.
    • Problemas de infraestrutura agravam a insegurança.

Belém: um oásis de segurança na capital

Na outra ponta do ranking, Belém se destaca como o bairro mais seguro de São Paulo. Com apenas seis homicídios no período analisado, nenhum deles classificado como latrocínio, o distrito registrou 60 roubos de veículos, 1.088 assaltos e 382 furtos. Esses números, embora expressivos, são significativamente menores que os de outros bairros, resultando em uma média de apenas um assalto por dia.

A segurança no Belém é atribuída a fatores como boa urbanização, iluminação adequada e maior presença de pedestres. A região da Mooca, onde o bairro está localizado, também beneficia-se de um forte senso de comunidade, com moradores engajados em iniciativas de vigilância colaborativa. O distrito alcançou a melhor nota entre os 93 analisados, consolidando-se como referência em segurança.

Apesar de sua posição privilegiada, o Belém não está imune à criminalidade. Os números, embora baixos, indicam que a violência ainda é uma realidade, mesmo em áreas mais seguras.

Fatores que influenciam a segurança nos bairros

A segurança em São Paulo não depende apenas de fatores econômicos. Bairros de baixa renda, como Jardim Robru, que ficou em segundo lugar no ranking com 8,79 pontos, mostram que a coesão comunitária desempenha um papel crucial. A professora Loyde Abreu-Harbich, da Universidade Mackenzie, explica que o sentimento de pertencimento incentiva os moradores a protegerem suas ruas, reduzindo a criminalidade.

A urbanização também é um fator determinante. Áreas com boa iluminação, ruas movimentadas e construções que favorecem a visibilidade, como janelas voltadas para a rua, tendem a registrar menos crimes. Por outro lado, regiões nobres, como Pinheiros e Consolação, enfrentam maior incidência de assaltos devido à alta circulação de pessoas e bens de valor, que atraem criminosos.

  • Elementos que impactam a segurança:
    • Iluminação pública eficiente reduz furtos e assaltos.
    • Senso de comunidade fortalece a vigilância local.
    • Áreas de grande circulação atraem mais criminosos.
    • Urbanização planejada inibe ações criminosas.
Cidade de São Paulo – Foto: Governo de São Paulo

A influência das facções na criminalidade

Um aspecto menos visível da segurança em São Paulo é a atuação de facções criminosas. Em alguns bairros, a presença de organizações criminosas reduz os registros de roubos e furtos. O tenente-coronel Luiz Fernando Aguiar explica que essas facções impõem uma espécie de “controle” local, proibindo crimes que possam atrair a atenção policial e prejudicar atividades como o tráfico de drogas.

Essa dinâmica cria uma criminalidade “invisível”, que não aparece nas estatísticas oficiais. Em bairros dominados por essas organizações, os índices de crimes patrimoniais podem ser artificialmente baixos, enquanto outras atividades ilícitas permanecem ativas. Essa realidade torna a análise da segurança ainda mais complexa, exigindo uma leitura cuidadosa dos dados.

Queda de homicídios e o aumento de crimes patrimoniais

São Paulo registrou avanços significativos na redução de homicídios. Em 2023, a taxa foi de 4,5 mortes por 100 mil habitantes, a menor entre as capitais brasileiras. Comparado a 2001, quando o índice era dez vezes maior, o progresso é notável. A Secretaria de Segurança Pública atribui essa queda a políticas de prevenção e maior eficiência policial.

No entanto, os crimes patrimoniais, como roubos e furtos, seguem em alta. Nos últimos dez anos, houve um aumento de 17% nesses delitos, o que alimenta a sensação de insegurança entre os moradores. Assaltos a pedestres e furtos de veículos são particularmente preocupantes em áreas como São Mateus e Campo Limpo, onde a incidência é maior.

  • Dados sobre crimes em São Paulo:
    • Taxa de homicídios caiu para 4,5 por 100 mil em 2023.
    • Roubos e furtos cresceram 17% em uma década.
    • São Mateus lidera em crimes patrimoniais.
    • Belém tem a menor incidência de assaltos diários.

Como os dados ajudam na escolha de onde morar

O ranking de segurança é uma ferramenta valiosa para quem busca morar ou circular em São Paulo. Ao contrário de percepções subjetivas, os dados oferecem uma visão objetiva sobre os riscos de cada bairro. Áreas como Belém e Jardim Robru destacam-se como escolhas seguras, enquanto São Mateus e Capão Redondo exigem maior cautela.

A escolha de um bairro seguro vai além da renda ou da reputação. Fatores como urbanização, iluminação e engajamento comunitário são decisivos. Moradores e gestores podem usar essas informações para planejar ações de segurança, como melhoria na infraestrutura ou aumento da presença policial.

  • Dicas para escolher um bairro seguro:
    • Pesquise os índices de criminalidade do distrito.
    • Verifique a qualidade da iluminação pública.
    • Considere o senso de comunidade local.
    • Evite áreas com alta incidência de crimes patrimoniais.

Curiosidades sobre a segurança em São Paulo

O levantamento revelou aspectos surpreendentes sobre a segurança na capital paulista. Bairros menos conhecidos, como Perus e Ermelino Matarazzo, apresentaram índices de segurança melhores que regiões nobres, como os Jardins. Essa inversão desafia estereótipos e reforça a importância de dados concretos na avaliação de riscos.

Outro ponto interessante é a variação de segurança dentro de um mesmo bairro. Em São Mateus, por exemplo, algumas ruas são mais seguras que outras, dependendo da proximidade com áreas comerciais ou da presença de iluminação. Essa granularidade destaca a necessidade de análises detalhadas para entender a realidade local.

  • Curiosidades do ranking:
    • Jardim Robru supera os Jardins em segurança.
    • Belém tem apenas um assalto por dia, em média.
    • Facções podem reduzir crimes visíveis em alguns bairros.
    • Ruas bem iluminadas têm menos registros de furtos.
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