Thales Bretas alerta sobre golpe da maquininha que lesou R$ 4,8 bi

Thales Bretas

Thales Bretas - Foto: Instagram

Um crime silencioso, mas devastador, tem se espalhado pelas ruas das grandes cidades brasileiras: o golpe da maquininha, uma fraude que utiliza táxis falsos para enganar passageiros e roubar dados de cartões. Em 2024, o Brasil registrou mais de 2,2 milhões de casos de estelionato, um aumento de 408% desde 2018, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Entre as vítimas, está o médico Thales Bretas, viúvo do humorista Paulo Gustavo, que perdeu R$ 4.215 em uma corrida no Rio de Janeiro. O esquema, que causou prejuízo estimado de R$ 4,8 bilhões em apenas 12 meses, explora a distração das vítimas e a tecnologia das maquininhas adulteradas. Criminosos se passam por taxistas, manipulam as máquinas para capturar senhas e trocam cartões, realizando compras de até R$ 17 mil. O crescimento alarmante reflete a sofisticação das quadrilhas, que aproveitam a confiança dos passageiros e a falta de regulamentação em pontos de táxi.

A fraude ocorre em situações cotidianas, como uma simples corrida de táxi, mas com consequências graves. Passageiros apressados ou desatentos são alvos fáceis. O crime, que explodiu nos últimos anos, é favorecido pela baixa exposição dos golpistas, que evitam confrontos diretos, ao contrário de roubos tradicionais, que caíram 51% no mesmo período.

  • Como o golpe funciona: Criminosos usam táxis falsos e maquininhas adulteradas.
  • Prejuízo médio: Compras fraudulentas podem chegar a R$ 17 mil por vítima.
  • Cidades afetadas: São Paulo, Rio de Janeiro e outras capitais lideram os casos.

Modus operandi do golpe

O golpe da maquininha segue um roteiro bem ensaiado. Criminosos disfarçados de taxistas criam distrações, como alegar problemas mecânicos no veículo, para pressionar a vítima. Em um caso relatado, o motorista afirmou que o carro “fervia” e poderia explodir, forçando o passageiro a descer rapidamente. Durante o pagamento, o golpista recusa Pix ou cartão por aproximação, exigindo o uso do cartão físico. A maquininha, muitas vezes sem visor, registra a senha digitada, e o cartão é trocado por outro sem que a vítima perceba.

As imagens de câmeras de segurança, exibidas em reportagens, mostram a dinâmica: o passageiro, distraído ou com pressa, não nota a manipulação. Após a corrida, o golpista usa os dados para compras de alto valor. Em São Paulo, a Delegacia de Crimes Eletrônicos identificou 20 quadrilhas atuando na capital em 2024, indicando a escala do problema.

  • Tática de distração: Alegações de falhas no carro, como superaquecimento.
  • Ferramenta do crime: Maquininhas adulteradas com botões camuflados.
  • Alvos frequentes: Idosos, turistas e pessoas em horários de pico.
  • Risco baixo: Criminosos evitam confronto, reduzindo chances de prisão.

Vítimas e prejuízos financeiros

O impacto financeiro do golpe da maquininha é impressionante. Em apenas 12 meses, as perdas somaram R$ 4,8 bilhões, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Thales Bretas, uma das vítimas, relatou como foi enganado no Rio de Janeiro. Ele entrou em um táxi falso com uma amiga, e o motorista usou a tática do “carro superaquecido” para criar urgência. A maquininha, sem visor, exibiu a transação em um celular, e a cobrança de R$ 4.215 só foi percebida após uma notificação bancária.

Aposentados, como Nunzia Caruso, de São Paulo, também estão entre os alvos preferenciais, devido à menor familiaridade com tecnologia. No entanto, o golpe não poupa classes sociais: médicos, empresários e até turistas já relataram prejuízos. As compras fraudulentas, que variam de R$ 5 mil a R$ 17 mil, sobrecarregam o sistema financeiro, gerando custos adicionais com reembolsos e investigações.

  • Perdas totais: R$ 4,8 bilhões em um ano, com impacto no setor bancário.
  • Vítimas variadas: De aposentados a figuras públicas, ninguém está imune.
  • Cidades menores: Casos começam a surgir fora dos grandes centros.

Tecnologia como aliada dos criminosos

A explosão dos estelionatos reflete a adaptação dos criminosos às novas tecnologias. Enquanto roubos de rua diminuíram, os golpes digitais e presenciais, como o da maquininha, cresceram exponencialmente. Criminosos exploram vulnerabilidades em equipamentos de pagamento, como maquininhas adulteradas com botões camuflados que gravam senhas. Além disso, a popularização do Pix e de aplicativos bancários abriu novas frentes para fraudes.

David Marques, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destaca que a cada nova tecnologia, surgem criminosos prontos para explorar suas falhas. Sites e cursos clandestinos ensinam como fraudar maquininhas, tornando o crime mais acessível. A falta de regulamentação em pontos de táxi e a facilidade de adulteração dos equipamentos agravam o problema.

  • Facilidade de fraude: Maquininhas são alteradas para capturar dados.
  • Cursos ilícitos: Plataformas ensinam técnicas de estelionato.
  • Baixa punição: Apenas 2,4% dos casos chegam ao Judiciário.
  • Crescimento digital: Golpes online subiram 133% desde 2021.

Prevenção e recomendações policiais

A polícia tem intensificado esforços para combater o golpe da maquininha, mas a prevenção depende da atenção dos cidadãos. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, operações resultaram na prisão de suspeitos, como Daniel de Souza Alves, identificado por Thales Bretas após uma denúncia televisionada. A recomendação é clara: evitar táxis não credenciados e priorizar pagamentos digitais.

As autoridades sugerem o uso de aplicativos de transporte, que permitem pagamento antecipado, ou embarque em pontos oficiais com motoristas registrados. Além disso, optar por Pix ou cartão por aproximação reduz o risco de fraudes. Desconfiar de motoristas que recusam essas formas de pagamento é essencial.

  • Use aplicativos: Plataformas como Uber e 99 oferecem maior segurança.
  • Pontos oficiais: Embarque apenas em locais com taxistas credenciados.
  • Pagamentos digitais: Pix e aproximação evitam exposição de senhas.
  • Atenção redobrada: Verifique o visor da maquininha antes de digitar.

Resposta do sistema financeiro

O setor bancário também enfrenta desafios com o aumento dos estelionatos. Bancos têm investido em sistemas antifraude, mas a sofisticação dos criminosos exige medidas mais robustas. A Febraban relatou que, entre julho de 2023 e junho de 2024, fraudes financeiras, incluindo o golpe da maquininha, geraram perdas de R$ 25,5 bilhões. A criação da Aliança Nacional contra Fraudes Financeiras, em parceria com o Ministério da Justiça, busca integrar bancos e autoridades para rastrear quadrilhas.

Sistemas como o Tentáculos, que compartilha informações entre bancos e polícias, têm sido usados para identificar contas laranjas. Ainda assim, a baixa taxa de resolução de casos, com apenas 2,4% dos estelionatos chegando ao Judiciário, reflete a dificuldade de punir os responsáveis.

  • Perdas gerais: R$ 25,5 bilhões em fraudes financeiras em um ano.
  • Sistemas de rastreio: Tentáculos ajuda a identificar contas suspeitas.
  • Parcerias públicas: Aliança com o Ministério da Justiça fortalece investigações.

Alerta para o futuro

O crescimento de 408% nos estelionatos desde 2018 mostra que o crime organizado encontrou no ambiente digital e em golpes presenciais, como o da maquininha, uma forma de lucrar com baixo risco. A facilidade de acesso a tecnologias de pagamento e a falta de regulamentação em alguns setores, como táxis, criam brechas exploradas por quadrilhas.

Cidades menores já registram casos, indicando que o problema não se limita às capitais. A conscientização pública, aliada a investigações mais eficazes, é essencial para frear a escalada. Passageiros devem manter a atenção em situações de pagamento e priorizar métodos seguros, enquanto as autoridades precisam de marcos legais mais rígidos para punir os criminosos.

  • Expansão do crime: Casos surgem em cidades menores, além das capitais.
  • Conscientização: Educação digital reduz a vulnerabilidade das vítimas.
  • Legislação: Leis mais duras são necessárias para combater fraudes.
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