Uma forte ressaca marítima, com ondas de até 4 metros, invadiu a orla do Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, na tarde de 29 de julho de 2025, levando a Prefeitura a interditar a Avenida Delfim Moreira nos dois sentidos. A força do mar arrastou areia, danificou um portão de prédio e deslocou um carro estacionado, surpreendendo pedestres, ciclistas e motoristas. A interdição começou por volta das 16h, com a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) mobilizada para retirar a areia acumulada nas pistas. A Marinha do Brasil emitiu um alerta de ressaca, válido até as 21h de quinta-feira, 31 de julho, devido a ondas que variam entre 2,5 e 3,5 metros. A medida visa garantir a segurança, enquanto a população é orientada a evitar banhos de mar, esportes aquáticos e áreas próximas à orla. O fenômeno, causado por um ciclone extratropical e uma frente fria, também afetou outras regiões do estado, como Barra de Guaratiba e Saquarema.
A limpeza das vias foi intensificada, com equipes da Comlurb utilizando retroescavadeiras, tratores e caminhões-pipa. No entanto, moradores relatam que o trabalho é desafiador, já que as ondas continuam trazendo mais areia para a pista. A Ciclovia Tim Maia, que conecta o Leblon a São Conrado, também foi fechada preventivamente.
- A interdição da Avenida Delfim Moreira começou às 16h de terça-feira (29).
- Desvios foram organizados pelas ruas Bartolomeu Mitre e Henrique Dumont.
- A Marinha alerta para riscos até a noite de quinta-feira (31).
- Outras áreas, como Barra de Guaratiba, também sofreram impactos.
Alerta de ressaca e medidas de segurança
A Marinha do Brasil emitiu um aviso de ressaca às 9h de terça-feira, 29 de julho, informando que as ondas poderiam alcançar até 4 metros em alguns pontos do litoral fluminense. A prefeitura reforçou a sinalização nas áreas afetadas e orientou a população a evitar atividades recreativas na orla. A força das ondas surpreendeu frequentadores, com registros de quiosques alagados e equipamentos de ginástica deslocados no calçadão do Leblon.
O Centro de Operações Rio (COR) destacou a importância de seguir as recomendações de segurança. Em Barra de Guaratiba, na Zona Oeste, as ondas atingiram o calçadão e chegaram a deslocar um ônibus estacionado. Em Saquarema, na Região dos Lagos, a água invadiu ruas e residências, cobrindo veículos com espuma densa.
- Evitar banhos de mar e esportes aquáticos durante o período de ressaca.
- Não permanecer em mirantes ou locais próximos à arrebentação.
- Pescadores devem suspender a navegação até o fim do alerta.
- Ciclistas são orientados a evitar a orla onde as ondas alcançam a ciclovia.
- Em emergências, acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.
Impactos na infraestrutura e rotina local
A força do mar no Leblon causou transtornos significativos, com a Avenida Delfim Moreira, principal via da orla, completamente alagada em alguns trechos. Um carro estacionado no canteiro central foi arrastado pela correnteza, e o portão de um prédio residencial foi danificado. Moradores relatam que o fenômeno é recorrente, especialmente em períodos de frente fria, mas a intensidade das ondas nesta semana chamou atenção.
A Comlurb mobilizou cerca de 26 garis, apoiados por equipamentos como pás mecânicas e caminhões basculantes, para limpar a areia acumulada. No entanto, a persistência das ondas dificultou o progresso, com a areia sendo continuamente trazida de volta para a pista. Um morador descreveu a situação como uma “disputa de território” entre o mar e a cidade, destacando a dificuldade de conter o avanço da água.
A Ciclovia Tim Maia, que já enfrentou problemas estruturais no passado, foi fechada por precaução, interrompendo o trajeto de ciclistas entre o Leblon e São Conrado. A prefeitura informou que a reabertura das vias depende da estabilização das condições marítimas.
Fenômeno natural e mudanças climáticas
A ressaca foi desencadeada por um ciclone extratropical associado a uma frente fria que atingiu o Sudeste do Brasil. Especialistas apontam que esses eventos estão se tornando mais frequentes e intensos devido às mudanças climáticas, que aumentam a energia dos oceanos. No Leblon, a proximidade das construções com a faixa de areia agrava os impactos, já que a praia, embora relativamente larga, não consegue absorver a força das ondas mais altas.
Um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) indica que, até 2100, praias como as do Leblon, Ipanema e Copacabana podem perder até 80 metros de faixa de areia devido ao avanço do mar, especialmente em episódios de ressaca ou maré alta. A ocupação urbana próxima ao litoral é apontada como um fator que potencializa os danos, já que reduz a capacidade natural de dissipação das ondas.
- Ciclone extratropical e frente fria causaram a ressaca no Rio.
- Ondas de até 4 metros foram registradas em pontos do litoral.
- Estudo da UFRJ prevê perda de até 80 metros de areia nas praias cariocas até 2100.
- Mudanças climáticas intensificam a força e a frequência de ressacas.
Reações da comunidade e autoridades
Moradores do Leblon expressaram preocupação com a repetição desses eventos. Alguns relatam que, apesar da limpeza constante da Comlurb, a falta de barreiras naturais, como dunas, contribui para a invasão do mar nas vias urbanas. Um comerciante local, dono de um quiosque próximo ao Posto 11, informou que fechou o estabelecimento preventivamente na segunda-feira, 28 de julho, após a divulgação do alerta da Marinha.
O prefeito Eduardo Paes usou suas redes sociais para alertar a população, compartilhando imagens do avanço do mar e reforçando a importância de evitar a orla. A prefeitura também destacou que a sinalização foi intensificada, com placas e agentes orientando pedestres e motoristas.
- Moradores pedem barreiras naturais para conter o avanço do mar.
- Quiosques foram fechados preventivamente para evitar prejuízos.
- Eduardo Paes alertou sobre os riscos em publicações nas redes sociais.
- Sinalização foi reforçada com placas e presença de agentes no local.
Outras regiões afetadas no estado
Além do Leblon, outras áreas do Rio de Janeiro e do estado foram impactadas pela ressaca. Em Barra de Guaratiba, a força das ondas danificou quiosques e uma mureta, além de deslocar um ônibus. Em Saquarema e Maricá, a água invadiu ruas, causando transtornos para moradores e comerciantes. Em Niterói, um grupo de praticantes de canoa havaiana precisou de resgate após ser levado mar adentro na Praia de Itacoatiara.
A Marinha reforçou que o alerta de ressaca abrange todo o litoral fluminense, com riscos para navegação e atividades recreativas. A previsão é de que as condições marítimas permaneçam instáveis até a noite de quinta-feira, com possibilidade de rajadas de vento de até 50 km/h.
- Barra de Guaratiba teve quiosques e um ônibus atingidos pelas ondas.
- Saquarema registrou ruas alagadas e veículos cobertos por espuma.
- Em Niterói, canoístas foram resgatados na Praia de Itacoatiara.
- Alerta da Marinha abrange todo o litoral do estado até quinta-feira.
Prevenção e orientações para a população
A prefeitura e o Corpo de Bombeiros reforçam a importância de seguir as orientações de segurança durante o período de ressaca. Acidentes anteriores, como o caso de um idoso arrastado por uma onda no Leme em agosto de 2024, destacam os perigos de se aproximar do mar em condições adversas. A população é orientada a não tentar resgates por conta própria, mas acionar os bombeiros pelo telefone 193.
As autoridades também recomendam que pescadores evitem navegar e que ciclistas não utilizem as ciclovias próximas à orla. A limpeza das vias deve continuar nos próximos dias, mas a reabertura total da Avenida Delfim Moreira depende da redução da intensidade das ondas.
- Não tentar resgates no mar; acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193.
- Evitar navegação e atividades recreativas na orla.
- Ciclovias próximas ao mar devem ser evitadas por ciclistas.
- Limpeza das vias prossegue, mas depende da estabilização do mar.

