Marinha dos EUA confirma inativação do submarino USS Boise após 11 anos e US$ 1,6 bilhãoPor Luís Henrique Costa
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A Marinha dos Estados Unidos anunciou a inativação de um de seus submarinos de ataque nuclear da classe Los Angeles, o USS Boise (SSN-764), após mais de uma década aguardando uma revisão essencial e um investimento substancial. A decisão foi comunicada na última sexta-feira, marcando uma reorientação estratégica de recursos e força de trabalho para prioridades consideradas mais críticas dentro da frota e na construção de novos vasos. O submarino, que já teve uma longa história de atrasos em sua manutenção, representa um símbolo dos desafios enfrentados pela base industrial naval do país.
A embarcação, apesar de ser relativamente jovem dentro de sua classe, foi desativada em um momento em que a Marinha busca otimizar suas operações e garantir a prontidão de sua capacidade submarina. Este movimento estratégico visa maximizar a eficiência dos investimentos e do capital humano, focando em projetos que prometem maior retorno operacional e longevidade para a defesa nacional. A notícia ressalta a complexidade da gestão de ativos de alta tecnologia e o balanço entre custo, tempo e prioridades estratégicas.
A inativação ocorre após uma série de tentativas frustradas de reparo e um custo acumulado significativo. A Marinha justificou a decisão com base na avaliação de que os recursos necessários para concluir o reparo do Boise seriam mais bem empregados em outras áreas, visando fortalecer a capacidade global da frota em face das demandas modernas.
Histórico de atrasos na manutenção
O USS Boise (SSN-764) esteve agendado para uma revisão regular desde o ano fiscal de 2016, mas permaneceu anos atracado, aguardando uma vaga nos estaleiros navais. Em 2017, o submarino de 34 anos perdeu sua certificação de mergulho, um marco crítico que o impossibilitou de operar. Ao longo dos anos, o navio foi rebocado entre o Estaleiro Naval de Norfolk, na Virgínia, e o estaleiro HII Newport News Shipbuilding, no mesmo estado. Em 2024, a Marinha concedeu um contrato de US$ 1,2 bilhão à HII para o trabalho, elevando o investimento total no submarino para aproximadamente US$ 1,6 bilhão. Contudo, onze anos após o início de sua longa espera, a inativação tornou-se a escolha prioritária para a Marinha.
O gargalo da indústria de defesa marítima
A situação do USS Boise é um reflexo do persistente gargalo na manutenção de submarinos que afeta os quatro estaleiros públicos da Marinha. Esses estaleiros priorizam a manutenção de submarinos de mísseis balísticos, porta-aviões e, por último, submarinos de ataque. Um relatório de 2021 do Congressional Budget Office (CBO) identificou que os atrasos são devidos a períodos de manutenção cada vez mais longos e à escassez de trabalhadores qualificados nos estaleiros públicos.
As investigações do CBO revelaram que:
Esses atrasos resultaram em missões perdidas ou encurtadas, reduzindo o número de submarinos disponíveis para a Marinha e mantendo navios caros e suas tripulações ociosos.
Envolvimento de estaleiros privados e seus custos
A Marinha tem buscado o auxílio de estaleiros privados, como HII Newport News e General Dynamics Electric Boat, em Connecticut, para assumir as manutenções além da construção de novos submarinos. Este esforço visa aliviar a pressão sobre os estaleiros públicos e acelerar o retorno das embarcações à frota. No entanto, o trabalho realizado em estaleiros privados geralmente acarreta custos mais elevados.
Um exemplo disso foi a revisão do USS Montpelier (SSN-765) pela GD Electric Boat, concluída em 2019 após três anos de trabalho. A empresa também recebeu um contrato em 2022 para reparar o USS Hartford (SSN-768), um projeto que ainda está em andamento. O estaleiro Newport News Shipbuilding, por sua vez, foi responsável pelo USS Helena (SSN-725), entregue em 2022, e atualmente trabalha no USS Columbus (SSN-762). A contratação de trabalhadores para reparos em estaleiros privados exige um conjunto de habilidades diferente daqueles envolvidos na construção de novos submarinos, o que contribui para a complexidade e os custos.
A nova estratégia de alocação de verbas
O Almirante Daryl Caudle, Chefe de Operações Navais, destacou que a decisão de inativar o USS Boise é uma “movimentação estratégica” que permite realocar a força de trabalho altamente qualificada dos Estados Unidos para prioridades máximas. Entre essas prioridades estão a entrega de novos submarinos das classes Virginia e Columbia, considerados cruciais para a modernização da frota. A reorientação desses fundos e pessoal tem como objetivo principal melhorar a prontidão geral da frota atual.
A Marinha confirmou em comunicado que “fundos e pessoal associados à revisão planejada do USS Boise serão redirecionados para apoiar outras prioridades da Marinha, incluindo a entrega oportuna da capacidade de submarinos da América.” Essa medida sublinha a urgência de fortalecer a base naval e garantir que os recursos limitados sejam utilizados da forma mais eficaz possível. O Almirante Caudle já havia mencionado em uma audiência no Congresso, no ano anterior, que a Marinha considerava desistir do Boise, indicando que a decisão não foi tomada de forma precipitada.
Consequências para a capacidade submarina
A inativação do USS Boise tem consequências diretas para a capacidade operacional da Marinha e para o planejamento de sua frota de submarinos. As longas esperas por manutenção e os atrasos na conclusão dos reparos impactam diretamente o número de submarinos disponíveis para desdobramento. A falta de disponibilidade de navios modernos e em pleno funcionamento pode comprometer a capacidade de resposta da Marinha a ameaças globais e a manutenção de uma presença estratégica em regiões críticas.
Este cenário não apenas imobiliza embarcações caras, mas também resulta na ociosidade de tripulações altamente treinadas. A Marinha precisa de uma frota robusta e pronta para enfrentar os desafios de um ambiente de segurança em constante evolução. Portanto, o redirecionamento de recursos é visto como um passo necessário para garantir que os submarinos mais novos e vitais recebam a atenção e os reparos necessários para permanecerem operacionais.
Análise de especialistas sobre a decisão
Bryan Clark, analista naval do Hudson Institute, comentou sobre a inativação do submarino, classificando-a como uma “declaração triste sobre a base industrial da Marinha”. Clark ressaltou que, apesar de dolorosa, a decisão é “a escolha certa”, avaliando que “o suco não vale a pena espremer”, em referência ao custo-benefício de continuar investindo no reparo de um submarino que esteve inativo por tanto tempo. Sua análise aponta para a importância de focar em projetos que podem contribuir de forma mais significativa e sustentável para a frota.
Clark também destacou a diferença entre os trabalhadores de reparo e os de nova construção, explicando que “os mesmos humanos que estão consertando o Boise não são os mesmos humanos que vão construir novos submarinos.” Esta distinção é crucial para entender a complexidade da alocação de força de trabalho e a necessidade de especialização em cada segmento da indústria naval. A decisão reflete a prioridade de garantir que os submarinos que podem permanecer na frota por mais tempo recebam o nível adequado de recursos e atenção.
Esforços contínuos para otimizar operações
Apesar dos desafios persistentes na base industrial naval, a Marinha dos EUA tem implementado esforços para melhorar a força de trabalho e os cronogramas nos estaleiros públicos e privados. Essas iniciativas buscam aumentar a eficiência e reduzir os tempos de inatividade, garantindo que mais submarinos estejam disponíveis para suas missões. No entanto, como observado pelos especialistas, os problemas fundamentais que afetam a capacidade de manutenção continuam a exigir atenção e soluções a longo prazo para fortalecer a infraestrutura de defesa do país.







