John Textor, dono da SAF do Botafogo, realizou uma operação polêmica ao transferir todos os ativos do clube, incluindo direitos de transmissão, patrocínios e bilheteria, para uma nova empresa sediada nas Ilhas Cayman, chamada Eagle Football Group. A decisão, aprovada em 17 de julho de 2025 pelo Conselho de Administração da SAF, gerou forte reação da Eagle Football Holdings, que entrou com uma ação judicial no Rio de Janeiro para anular a transação. A holding, que até recentemente era liderada por Textor, alega que a movimentação foi feita sem seu conhecimento, configurando um conflito de interesses. A disputa, que envolve cifras milionárias e o futuro administrativo do clube carioca, ocorre em meio a tensões decorrentes da má gestão do Lyon, na França, que culminou no afastamento de Textor do comando da Eagle. O caso, agora nas mãos da Justiça, pode redefinir o controle da SAF alvinegra. A transferência foi aprovada por unanimidade pelo conselho, mas a Eagle busca impedir novas decisões unilaterais de Textor.
A operação envolveu a cessão de um crédito de 150 milhões de euros da Eagle Football Holdings para a empresa nas Ilhas Cayman por 100 milhões de euros, além de um empréstimo de 100 milhões de euros da mesma empresa caribenha ao Botafogo, com ativos do clube como garantia. A ação judicial movida pela Eagle na 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro pede a suspensão imediata dessas movimentações, alegando irregularidades. O imbróglio reflete uma crise maior no conglomerado multiclubes de Textor, que enfrenta problemas financeiros e administrativos desde o rebaixamento do Lyon pela Direção Nacional de Controle e Gestão (DNCG) francesa.
- Principais ativos transferidos: Incluem direitos de transmissão, patrocínios, bilheteria e receitas de sócio-torcedor.
- Data da operação: Aprovada em 17 de julho de 2025 pelo Conselho de Administração da SAF.
- Reação da Eagle: A holding entrou com ação judicial para anular a transferência e bloquear novas decisões de Textor.
- Contexto financeiro: A operação ocorre em meio a dívidas do Lyon e disputas com investidores como Ares Management e Iconic Sports.
Detalhes da operação nas Ilhas Cayman
A transferência dos ativos do Botafogo para a Eagle Football Group, sediada nas Ilhas Cayman, foi planejada por John Textor como parte de uma estratégia para separar o clube carioca e o Molenbeek, da Bélgica, da Eagle Football Holdings, baseada em Londres. A nova empresa foi criada com o objetivo de realizar um IPO (Oferta Pública Inicial) na Bolsa de Valores de Nova York, atraindo investidores para financiar a expansão do portfólio futebolístico de Textor. A escolha das Ilhas Cayman, um conhecido paraíso fiscal, facilita a estruturação financeira para esse tipo de operação, segundo especialistas financeiros.
A transação envolveu a cessão de um crédito de 150 milhões de euros da Eagle Football Holdings para a Eagle Football Group por 100 milhões de euros, um desconto significativo que levantou suspeitas entre os acionistas da holding londrina. Além disso, o Conselho da SAF aprovou um empréstimo de 100 milhões de euros da empresa caribenha ao Botafogo, garantido por ativos como contratos de TV até 2029, patrocínios e receitas de bilheteria. A decisão foi tomada em uma reunião conduzida por Textor, sem notificação prévia à Eagle, o que motivou a ação judicial.
O conselho, composto por Textor, Jordan Eliott Fiksenbaum, Kevin Weston e Durcesio Mello, aprovou a operação por unanimidade. No entanto, a Eagle alega que a ausência de seu representante, Cris Mellon, na reunião torna a decisão inválida. A holding argumenta que Textor agiu de forma unilateral, violando acordos societários e colocando em risco os interesses dos acionistas majoritários.
Reação da Eagle e batalha judicial
A Eagle Football Holdings, que detém 90% da SAF do Botafogo, reagiu rapidamente à transferência. Em uma ação movida na 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, a empresa solicita a anulação das decisões tomadas em 17 de julho, classificando-as como “ilícitas”. A holding acusa Textor de tentar diluir sua participação acionária e transferir o controle do clube para a Eagle Football Group, prejudicando os investidores. A Justiça determinou que o caso tramite sem segredo de Justiça, e os réus, incluindo a SAF do Botafogo, têm cinco dias para se manifestar.
- Objetivo da ação judicial: Anular a transferência de ativos e impedir novas decisões unilaterais de Textor.
- Alegação principal: Textor agiu em conflito de interesses, sem consultar a Eagle Football Holdings.
- Prazo judicial: Cinco dias para manifestação dos réus, incluindo a SAF e o clube associativo.
- Impacto imediato: Congelamento das ações da Eagle na SAF, mantendo Textor no comando temporariamente.
A disputa ganhou contornos mais graves após a 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro congelar as ações da Eagle na SAF, em uma ação movida pelo Botafogo. A decisão judicial, que também cobra R$ 152,5 milhões da holding por dívidas relacionadas ao Lyon, garante a permanência de Textor no comando do clube até a resolução do caso. A SAF do Botafogo, em nota oficial, reforçou seu compromisso com a transparência e a continuidade da parceria com a Eagle, mas destacou que as decisões foram alinhadas com o clube associativo, que detém 10% da SAF.
Contexto da crise com o Lyon
A operação nas Ilhas Cayman ocorre em um momento de turbulência para Textor, que foi afastado do comando do Lyon após o clube ser rebaixado administrativamente pela DNCG devido a problemas financeiros. Relatórios apontam que o Lyon gastou 91,7 milhões de euros em contratações para o Botafogo, incluindo jogadores como Luiz Henrique, Igor Jesus e Jair Cunha, sem que esses atletas tenham jogado pelo clube francês. Além disso, o Lyon arcou com salários de 54 jogadores, apesar de seu elenco contar com apenas 30 atletas, levantando questionamentos sobre a gestão de Textor.
A crise no Lyon intensificou as tensões com os acionistas da Eagle, incluindo a Ares Management e a Iconic Sports, que financiaram a compra do clube francês em 2022. A Iconic Sports, por exemplo, exige que Textor recompre suas ações por 94 milhões de dólares, incluindo juros, em um processo que tramita na Justiça inglesa. A situação financeira delicada e as disputas judiciais levaram Textor a priorizar a separação do Botafogo e do Molenbeek da Eagle Football Holdings.
Apoio do clube associativo e resistência à Eagle
O clube associativo do Botafogo, liderado por João Paulo Magalhães Lins, desempenhou um papel crucial na manutenção de Textor no comando da SAF. Uma cláusula contratual impede qualquer mudança de controle sem a aprovação do clube, que detém 10% da SAF. Quando a Ares Management tentou afastar Textor, alegando conflito de interesses, o clube associativo vetou a proposta, garantindo a permanência do americano. A decisão foi reforçada por uma carta enviada à Eagle, na qual Magalhães afirmou que Textor “pertence ao Botafogo”.
- Posição do clube associativo: Apoio irrestrito a Textor, bloqueando mudanças no controle da SAF.
- Cláusula contratual: Exige aprovação do clube para qualquer alteração acionária.
- Declaração de Magalhães: “Não permitimos que nada de ruim acontecesse a ele”.
A resistência do clube associativo fortaleceu a posição de Textor, mas a batalha judicial com a Eagle continua. A holding argumenta que a transferência de ativos para as Ilhas Cayman foi uma manobra para esvaziar seu controle sobre a SAF, enquanto Textor defende que a operação visa garantir a estabilidade financeira do Botafogo e separá-lo das dificuldades enfrentadas pelo Lyon.
Estratégia de Textor e possíveis desdobramentos
Textor justificou a criação da Eagle Football Group como um passo para tornar o Botafogo e o Molenbeek mais autônomos, afastando-os das crises financeiras da Eagle Football Holdings. Ele planeja listar a nova empresa na Bolsa de Nova York, atraindo investidores para financiar a expansão de seus projetos no futebol. A escolha das Ilhas Cayman, segundo fontes do mercado, é estratégica devido à flexibilidade fiscal e regulatória do território, ideal para operações de IPO.
No entanto, a operação enfrenta resistência não apenas da Eagle, mas também de outros investidores, como Evangelos Marinakis, dono do Nottingham Forest, que negou envolvimento financeiro na recompra do Botafogo. A SAF do Botafogo, por sua vez, emitiu uma nota destacando a colaboração com a Eagle e a intenção de manter a parceria, mas reforçando que qualquer negociação sobre o controle acionário será conduzida de forma transparente.
- Objetivo de Textor: Separar Botafogo e Molenbeek da Eagle Football Holdings.
- Estratégia de IPO: Listar a Eagle Football Group na Bolsa de Nova York.
- Reação de Marinakis: Negou financiar a recompra do Botafogo.
- Posição da SAF: Compromisso com transparência e diálogo com acionistas.
A disputa judicial e as tensões com a Eagle podem prolongar a incerteza sobre o futuro da SAF do Botafogo. Enquanto Textor busca consolidar seu controle, a holding londrina luta para proteger seus interesses, o que pode impactar a gestão do clube carioca em curto prazo.
Futuro financeiro do Botafogo
A transferência de ativos para a Eagle Football Group levanta questões sobre a saúde financeira do Botafogo. O clube, que conquistou o Brasileirão e a Copa Libertadores em 2024, tem gerado receitas significativas, mas a operação nas Ilhas Cayman pode comprometer fluxos futuros, como cotas de TV e patrocínios, usados como garantia no empréstimo de 100 milhões de euros. A SAF também cobra R$ 410 milhões do Lyon por transferências de jogadores, o que adiciona mais complexidade ao cenário financeiro.
A judicialização do caso, com ações em cortes brasileiras e inglesas, sugere que o desfecho dependerá de negociações entre Textor, a Eagle e o clube associativo. Enquanto isso, o Botafogo segue em campo, com compromissos importantes na Copa do Brasil e no Brasileirão, mas com os bastidores agitados por essa disputa de poder.

