A partir de 2025, aposentados do INSS que dependem de assistência permanente para atividades diárias, como se alimentar, tomar banho ou se locomover, poderão receber um adicional de 25% em seus benefícios, caso o Projeto de Lei 10772/18 seja aprovado. A proposta, que tramita na Câmara dos Deputados, estende o benefício, antes restrito a aposentados por invalidez, para aqueles por idade ou tempo de contribuição. A mudança, que busca promover justiça social e apoio a idosos em situação de vulnerabilidade, foi aprovada na Comissão de Previdência e Assistência Social e pode impactar milhares de famílias brasileiras. O projeto, elaborado pelo deputado Vicentinho (PT-SP) e relatado pela deputada Benedita da Silva (PT-RJ), responde a uma demanda crescente por políticas previdenciárias inclusivas. A iniciativa reflete decisões judiciais recentes e alivia custos com cuidadores, garantindo maior qualidade de vida.
A proposta representa um avanço significativo na proteção social de idosos, especialmente em um contexto de envelhecimento populacional. Dados do IBGE apontam que 15,7% da população brasileira tem 60 anos ou mais, muitos enfrentando limitações físicas ou cognitivas. O adicional de 25% pode superar o teto do INSS, fixado em R$ 7.507,49 em 2025, oferecendo alívio financeiro a quem depende de terceiros.
- Beneficiários potenciais: Aposentados por idade ou tempo de contribuição com dependência comprovada.
- Processo de solicitação: Perícia médica do INSS para avaliar a necessidade de assistência permanente.
- Impacto financeiro: Redução de custos familiares com cuidadores e adaptações residenciais.
Como funciona o adicional de 25%
O adicional de 25% é regulamentado pelo artigo 45 da Lei nº 8.213/1991 e, atualmente, beneficia apenas aposentados por invalidez que comprovem a necessidade de assistência contínua. A proposta do PL 10772/18 amplia esse direito, permitindo que outros aposentados, como os por idade (a partir de 65 anos para homens e 62 para mulheres) ou por tempo de contribuição, também tenham acesso. A deputada Benedita da Silva destaca que a dependência não é exclusividade de quem se aposenta por invalidez, mas uma realidade comum entre idosos.
A solicitação do benefício exige perícia médica do INSS, com apresentação de laudos e exames que demonstrem a incapacidade para atividades diárias. O processo pode incluir avaliações periódicas para confirmar a continuidade da necessidade. O adicional é pago diretamente na aposentadoria, sem limite de teto, o que representa um diferencial importante para famílias com altos gastos em cuidados.

O projeto também busca reduzir a judicialização, já que muitos aposentados recorrem à Justiça para garantir o direito. Em 2018, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que qualquer aposentado com necessidade de assistência permanente poderia pleitear o adicional, influenciando 769 processos na época. A aprovação do PL tornaria o acesso mais direto, dispensando ações judiciais.
Critérios para receber o benefício
A concessão do adicional depende de uma avaliação rigorosa pelo INSS. O segurado deve comprovar, por meio de exames médicos e relatórios, a incapacidade de realizar tarefas básicas sem ajuda. O Decreto nº 3.048/99 lista condições como cegueira total, paralisia de membros, perda significativa de dedos ou alterações mentais graves, mas a análise não se restringe a esses casos.
- Documentação necessária: Laudos médicos detalhados e atualizados.
- Condições avaliadas: Doenças degenerativas, sequelas de acidentes ou outras limitações.
- Perícia médica: Exames presenciais para confirmar a dependência.
- Reavaliação periódica: O INSS pode solicitar novas perícias para manter o benefício.
Médicos peritos têm autonomia para considerar outras condições que comprometam a autonomia, como Alzheimer ou sequelas de AVC, desde que a necessidade de assistência seja evidente. A individualização da análise garante justiça, mas exige documentação robusta para evitar negativas.
Impacto da proposta nas famílias
A ampliação do adicional de 25% pode transformar a realidade de milhares de famílias. O custo médio de um cuidador no Brasil varia entre R$ 2.000 e R$ 4.000 mensais, segundo estimativas de associações de cuidadores. Para aposentados que recebem benefícios próximos ao salário mínimo (R$ 1.412 em 2025), esse valor é inviável sem suporte financeiro. O adicional representa um alívio significativo, permitindo contratar ajuda profissional ou cobrir despesas com adaptações, como cadeiras de rodas ou barras de apoio.
Além disso, a proposta alinha o Brasil a práticas internacionais. Países como Canadá e Alemanha oferecem benefícios suplementares a idosos dependentes, reconhecendo a importância de apoiar a autonomia e a dignidade. No Brasil, a medida pode beneficiar especialmente a população idosa em áreas rurais, onde o acesso a serviços de saúde é limitado.
A relatora do projeto, Benedita da Silva, enfatiza que a iniciativa promove equidade, já que muitos aposentados por idade enfrentam as mesmas limitações que os por invalidez. A aprovação do PL pode reduzir desigualdades, garantindo que o sistema previdenciário atenda às necessidades reais dos beneficiários.
Tramitação e próximos passos
O PL 10772/18 já passou pela Comissão de Previdência e Assistência Social e aguarda votação em outras comissões da Câmara dos Deputados. Se aprovado, seguirá para o Senado e, posteriormente, para sanção presidencial. O processo legislativo pode levar meses, mas a decisão do STJ de 2018 reforça a viabilidade da proposta, já que a jurisprudência favorável pressiona por mudanças na legislação.
- Etapas legislativas: Aprovação nas comissões, votação no plenário e análise no Senado.
- Prazo estimado: Possível implementação em 2026, caso não haja atrasos.
- Impacto esperado: Menos judicialização e acesso mais rápido ao benefício.
A tramitação enfrenta desafios, como a análise do impacto financeiro no orçamento do INSS. No entanto, defensores do projeto argumentam que o custo é justificado pela melhoria na qualidade de vida dos idosos e pela redução de despesas familiares.
Benefícios além do financeiro
Além do suporte financeiro, o adicional de 25% tem um impacto social importante. A possibilidade de contratar cuidadores ou adaptar residências promove maior independência e segurança para os aposentados. Em muitos casos, a dependência de terceiros leva a situações de vulnerabilidade, como negligência ou sobrecarga de familiares. O benefício pode mitigar esses problemas, oferecendo uma rede de apoio mais estruturada.
A proposta também reforça a importância de políticas públicas voltadas ao envelhecimento. Com o aumento da expectativa de vida no Brasil, que atingiu 77 anos em 2024, segundo o IBGE, medidas como essa são essenciais para enfrentar os desafios de uma população mais longeva. A iniciativa pode inspirar outras reformas previdenciárias, como a ampliação de serviços de saúde domiciliar.