A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) firmou uma parceria estratégica com a farmacêutica EMS para produzir no Brasil versões genéricas da semaglutida e da liraglutida, princípios ativos de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Saxenda, usados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. O acordo, anunciado em 7 de agosto de 2025, durante o Fórum Saúde em Brasília, visa transferir tecnologia para a fabricação nacional, com potencial de integrar esses fármacos ao Sistema Único de Saúde (SUS). A produção inicial ocorrerá na fábrica da EMS em Hortolândia, São Paulo, até a transferência completa para o Rio de Janeiro. A iniciativa busca reduzir custos, ampliar o acesso e fortalecer a indústria nacional de saúde.
A parceria marca um avanço significativo na saúde pública brasileira. Com a expiração da patente da liraglutida em 2024 e a da semaglutida prevista para 2026, o Brasil se prepara para oferecer alternativas mais acessíveis a esses medicamentos revolucionários.
- Objetivos da parceria: Produção nacional, redução de custos e inclusão no SUS.
- Medicamentos envolvidos: Semaglutida (Ozempic, Wegovy) e liraglutida (Saxenda, Victoza).
- Impacto esperado: Maior acesso a tratamentos para diabetes e obesidade.
A produção local promete aliviar a dependência de importações, que encarecem os tratamentos, e atender à crescente demanda por esses fármacos no país.
Parceria reforça saúde pública
A colaboração entre Fiocruz e EMS foi formalizada com a assinatura de acordos que preveem a transferência de tecnologia para a síntese do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) e a produção final dos medicamentos. A fábrica da EMS em Hortolândia será o ponto de partida, mas o objetivo é que o Complexo Tecnológico de Medicamentos de Farmanguinhos, no Rio, assuma a produção integral. A iniciativa é vista como um marco para o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde.
A Fiocruz destacou a importância de ingressar na produção de medicamentos injetáveis, uma nova frente para a instituição. Silvia Santos, diretora de Farmanguinhos, afirmou que a parceria abre caminho para a inovação em formas farmacêuticas. O projeto também conta com o apoio do Ministério da Saúde, que enxerga na produção nacional uma oportunidade de baratear custos para o SUS.
- Tecnologia transferida: Síntese do IFA e produção de canetas injetáveis.
- Local inicial: Hortolândia, São Paulo, com transição para o Rio de Janeiro.
- Benefício principal: Redução de custos para o sistema público de saúde.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou que a incorporação dessas canetas ao SUS depende de análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que avaliará o custo-benefício dos medicamentos.
Impacto dos medicamentos GLP-1
A liraglutida e a semaglutida pertencem à classe dos análogos de GLP-1, que imitam o hormônio GLP-1, responsável por estimular a produção de insulina no pâncreas e promover saciedade. Esses medicamentos ganharam destaque por sua eficácia no controle do diabetes tipo 2 e na perda de peso. A liraglutida, presente no Saxenda e no Victoza, foi pioneira, com estudos apontando redução média de 8% do peso corporal em 56 semanas. Já a semaglutida, usada no Ozempic e no Wegovy, elevou o padrão, com perdas de até 17,4% do peso em 68 semanas.
A semaglutida, em particular, revolucionou o mercado por exigir apenas uma injeção semanal, contra a aplicação diária da liraglutida. Essa praticidade, aliada à maior eficácia, aumentou a demanda global pelos medicamentos.
- Liraglutida: Redução de 8% do peso em 56 semanas, injeção diária.
- Semaglutida: Perda de até 17,4% do peso em 68 semanas, injeção semanal.
- Mecanismo: Estimula insulina e promove saciedade, reduzindo ingestão alimentar.
- Indicações: Diabetes tipo 2 e tratamento de obesidade.
A expiração das patentes abre espaço para a produção de genéricos, o que pode democratizar o acesso a esses tratamentos no Brasil.

Produção nacional e concorrência
Com a patente da liraglutida expirada em março de 2024, a EMS já lançou o Olire, a primeira caneta emagrecedora nacional. A semaglutida, cuja patente termina em março de 2026, também está na mira de laboratórios brasileiros. A Fiocruz entra nesse cenário com a vantagem de ser uma instituição pública, o que facilita a integração dos medicamentos ao SUS.
A Anvisa anunciou um chamado público para acelerar o registro de novas canetas emagrecedoras, incentivando a concorrência e a produção local. A Novo Nordisk, fabricante original dos medicamentos, tenta estender a patente da semaglutida na Justiça, mas decisões desfavoráveis em primeira e segunda instâncias indicam que o caminho está aberto para genéricos.
- Olire: Primeiro genérico nacional da liraglutida, lançado pela EMS.
- Patente da semaglutida: Expira em 2026, com disputa judicial em curso.
- Incentivo da Anvisa: Chamado público para novos registros de medicamentos.
A produção nacional pode reduzir significativamente os preços, que hoje variam entre R$ 800 e R$ 1.500 por mês para o consumidor final, dependendo do medicamento e da dose.
Benefícios para o SUS e a população
A inclusão de medicamentos como Ozempic e Saxenda no SUS representaria um avanço no combate à obesidade e ao diabetes, que afetam milhões de brasileiros. Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 9% da população brasileira vive com diabetes, enquanto a obesidade atinge mais de 20% dos adultos. A produção local pode tornar esses tratamentos mais acessíveis, especialmente para a população de baixa renda.
A parceria entre Fiocruz e EMS também reforça a soberania tecnológica do Brasil na área da saúde. Ao dominar a produção do IFA, o país reduz a dependência de insumos importados, que sofreram escassez durante a pandemia de Covid-19.
- Diabetes no Brasil: Atinge 9% da população, cerca de 18 milhões de pessoas.
- Obesidade: Acomete mais de 20% dos adultos brasileiros.
- Soberania tecnológica: Produção local reduz dependência de importações.
- Acesso ampliado: Genéricos podem baratear tratamentos para o SUS.
O projeto também prevê investimentos em pesquisa e desenvolvimento, o que pode posicionar o Brasil como referência na produção de medicamentos injetáveis.
Próximos passos da iniciativa
A transferência de tecnologia para Farmanguinhos deve ocorrer gradualmente, com a EMS desempenhando um papel central na fase inicial. A Fiocruz planeja adaptar suas instalações no Rio de Janeiro para a produção em larga escala, com foco na sustentabilidade do projeto. O Ministério da Saúde acompanha o processo de perto, visando a aprovação dos medicamentos pela Conitec.
A iniciativa também ganhou destaque no Fórum Saúde, onde líderes do setor discutiram estratégias para fortalecer a indústria farmacêutica nacional. A presença de autoridades como o ministro Alexandre Padilha e a vice-presidente da Fiocruz, Priscila Ferraz, reforçou o compromisso do governo com a saúde pública.
- Cronograma: Produção inicial em Hortolândia, com transição para o Rio.
- Aprovação no SUS: Depende de análise da Conitec.
- Fórum Saúde: Evento em Brasília destacou a parceria.
- Investimentos: Foco em pesquisa e desenvolvimento de injetáveis.
A expectativa é que, com a produção nacional, o Brasil consiga atender à crescente demanda por esses medicamentos e oferecer tratamentos mais acessíveis à população.