Milton Hatoum é eleito para a ABL e reforça literatura amazônica na instituição

Escritor Milton Hatoum

Escritor Milton Hatoum - Foto: Instagram

Milton Hatoum, renomado escritor amazonense, foi eleito nesta quinta-feira, 14 de agosto de 2025, para a cadeira número 6 da Academia Brasileira de Letras (ABL), em votação realizada no Rio de Janeiro. A vaga, aberta após o falecimento do jornalista Cícero Sandroni em junho, marcou a primeira candidatura do autor de 72 anos à instituição. Hatoum, conhecido por obras como “Dois irmãos” e “Cinzas do Norte”, conquistou 33 dos 34 votos possíveis, superando outros cinco candidatos. A eleição, que durou menos de meia hora, reflete o reconhecimento de sua trajetória literária, marcada por prêmios e traduções em 17 países. A escolha reforça a representatividade da Amazônia na ABL, onde Hatoum será o segundo escritor amazonense a ocupar uma cadeira. Sua posse está prevista para setembro de 2025.

A vitória de Hatoum foi celebrada por acadêmicos e reforça a renovação da ABL, que tem diversificado suas vozes nos últimos anos. O autor, inicialmente relutante em ingressar na instituição, mudou de ideia após incentivos de amigos e da acadêmica Ana Maria Machado. Sua obra, que explora temas como memória, família e política, agora ganha novo destaque na academia.

  1. Principais obras de Hatoum: “Dois irmãos”, “Relato de um certo oriente” e “Cinzas do Norte”.
  2. Prêmios conquistados: Três Jabutis e o Prêmio Portugal Telecom de Literatura.
  3. Impacto cultural: Suas obras foram traduzidas para 17 idiomas, com meio milhão de exemplares vendidos.

Trajetória literária de Milton Hatoum

Nascido em Manaus em 19 de agosto de 1952, Milton Hatoum é filho de imigrantes libaneses e construiu uma carreira marcada pela riqueza narrativa e pela conexão com a Amazônia. Formado em arquitetura, ele optou pela literatura e pelo magistério, lecionando na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e como professor visitante na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Sua estreia, “Relato de um certo oriente” (1989), já lhe rendeu um Prêmio Jabuti, consolidando-o como uma voz singular na literatura brasileira.

Hatoum publicou oito livros, sendo sete romances e uma coletânea de contos. Suas narrativas, frequentemente ambientadas em Manaus, abordam a complexidade das relações familiares e as tensões culturais da região amazônica. “Dois irmãos” (2000), adaptado para uma minissérie da Globo em 2017, é sua obra mais conhecida, explorando a rivalidade entre irmãos em uma família de origem libanesa. A trilogia informal, completada por “Cinzas do Norte” (2005), reforça sua habilidade em entrelaçar história, identidade e política.

  • “Relato de um certo oriente”: Romance de estreia, vencedor do Jabuti em 1989.
  • “Dois irmãos”: Adaptado para TV, explora conflitos familiares e culturais.
  • “Cinzas do Norte”: Vencedor do Jabuti e do Prêmio Portugal Telecom.
  • “A cidade ilhada”: Coletânea de contos que retrata a Amazônia urbana.

O autor também se destaca como tradutor e cronista, colaborando com veículos como a Revista Brasileira da ABL. Sua próxima obra, “Dança de enganos”, final da trilogia “O lugar mais sombrio”, será lançada em outubro de 2025 pela Companhia das Letras.

Eleição e representatividade na ABL

A eleição de Hatoum ocorreu em um processo rápido e unânime, com 33 votos a seu favor contra apenas um para Antônio Campos, outro candidato à cadeira 6. A votação, realizada no Salão Nobre do Petit Trianon, no Rio, destacou a força de seu nome entre os acadêmicos. Hatoum superou Eduardo Baccarin-Costa, Cezar Augusto da Silva, Paulo Renato Ceratti e Angelos D’Arachosia, nomes menos conhecidos no cenário literário.

A escolha reflete a recente renovação da ABL, que tem ampliado a diversidade de seus membros. Nos últimos anos, a instituição elegeu figuras como a jornalista Miriam Leitão, o poeta Paulo Henriques Britto e o escritor indígena Ailton Krenak. Hatoum, como segundo amazonense na academia, após o escritor Márcio Souza, reforça a representatividade regional. Sua literatura, que dá voz à Amazônia, é vista como um contraponto à centralidade do eixo Rio-São Paulo na cultura brasileira.

  • Renovação da ABL: Eleição de cinco novos membros em 2025, incluindo Hatoum.
  • Diversidade: ABL tem incorporado vozes de diferentes regiões e origens.
  • Representatividade amazônica: Hatoum é o segundo escritor do Amazonas na instituição.

O presidente da ABL, Merval Pereira, destacou Hatoum como “o maior escritor brasileiro vivo”, elogiando sua contribuição à literatura nacional. Miriam Leitão, em sua primeira participação em uma eleição na ABL, descreveu a obra de Hatoum como “riquíssima” e representativa de um “Brasil que vem da Amazônia”.

Repercussão entre acadêmicos e leitores

A eleição de Hatoum foi recebida com entusiasmo por acadêmicos e leitores. Ruy Castro, acadêmico e escritor, celebrou a chegada de um “grande romancista” que representa uma nova geração de ficcionistas. A acadêmica Ana Maria Machado, que incentivou Hatoum a se candidatar, destacou sua timidez inicial e a importância de sua presença na ABL. Nas redes sociais, leitores e críticos literários parabenizaram o autor, apontando sua eleição como um marco para a valorização da literatura amazônica.

A obra de Hatoum, traduzida em 17 países e com meio milhão de exemplares vendidos, tem alcance global. Seus romances abordam questões universais, como a busca por identidade e os conflitos geracionais, mas estão profundamente enraizados na cultura e na história da Amazônia. Essa dualidade tem atraído leitores de diferentes contextos, consolidando-o como um dos principais nomes da literatura brasileira contemporânea.

  • Elogios de acadêmicos: Merval Pereira e Miriam Leitão destacaram a relevância de Hatoum.
  • Alcance internacional: Obras traduzidas em 17 idiomas, com forte impacto global.
  • Engajamento social: Hatoum já se posicionou contra a censura a livros no Brasil.
  • Nova obra: “Dança de enganos” será lançada em outubro de 2025.

Contribuições futuras na ABL

Com sua entrada na ABL, Hatoum deve intensificar sua colaboração com a instituição, especialmente na Revista Brasileira, onde já publica regularmente. Sua experiência como professor e tradutor também pode enriquecer debates e iniciativas culturais da academia. A posse, marcada para 12 de setembro de 2025, será um momento de celebração, com discurso de recepção do acadêmico Geraldo Carneiro.

A presença de Hatoum na ABL também levanta expectativas sobre sua influência em projetos que promovam a literatura regional. Sua trajetória como defensor de causas culturais, como o combate à censura, sugere que ele trará uma perspectiva engajada à instituição. Em 2024, Hatoum leu trechos de “O avesso da pele”, de Jeferson Tenório, em protesto contra a censura do livro em estados como Rio Grande do Sul e Paraná.

  • Papel na ABL: Hatoum deve contribuir com a Revista Brasileira e projetos culturais.
  • Posse: Cerimônia marcada para 12 de setembro de 2025, com discurso de Geraldo Carneiro.
  • Engajamento cultural: Hatoum já defendeu a liberdade literária em casos de censura.
  • Influência regional: Expectativa de maior visibilidade para a literatura amazônica.

Legado e impacto literário

A eleição de Hatoum para a ABL não apenas reconhece sua trajetória, mas também destaca a importância da literatura produzida fora dos grandes centros urbanos. Suas obras, que mesclam memórias pessoais com a história da Amazônia, oferecem uma visão única sobre o Brasil. Livros como “Órfãos do Eldorado” e “A noite da espera” exploram a relação entre o homem e o ambiente, enquanto “A cidade ilhada” retrata a Manaus urbana e cosmopolita.

Com prêmios como o Jabuti e o Bravo!, Hatoum consolidou-se como um autor que transcende fronteiras regionais e dialoga com questões globais. Sua eleição para a ABL reforça a relevância de narrativas que valorizam a diversidade cultural brasileira, especialmente em um momento de renovação da academia.

  • Temas centrais: Memória, identidade e conflitos familiares na obra de Hatoum.
  • Reconhecimento: Três Jabutis e o Prêmio Bravo! por sua contribuição literária.
  • Literatura amazônica: Foco na cultura e história da região em suas narrativas.
  • Diálogo global: Obras dialogam com questões universais, atraindo leitores internacionais.
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